Investigação 06/09/2018 00h58 Atualizado às 19h09

A golpista que intriga a Polícia Federal de Santa Cruz

Descrita pelas vítimas como uma mulher de aproximadamente 30 anos, a estelionatária troca o dinheiro de idosas por notas falsas

Cabelos loiros, olhos claros, maquiada e bem vestida, aparentando ter entre 30 e 35 anos. Assim é descrita pelas vítimas a estelionatária que vem enganando idosas no Vale do Rio Pardo. Desde o ano passado, pelo menos nove aposentadas receberam a visita de uma mulher com essas características e tiveram o dinheiro que guardavam em casa trocado por cédulas falsas. Em um dos casos, a vítima perdeu R$ 3 mil. Sem deixar rastros, a golpista intriga a Polícia Federal de Santa Cruz do Sul.

Embora o desfecho seja sempre o mesmo, a mulher usa diferentes estratégias para levar o dinheiro das vítimas. Sempre sozinha, ela chega na casa das aposentadas e dá uma identidade falsa. Para algumas, apresenta-se como funcionária de uma instituição financeira, para outras como agente do censo do IBGE. Também já se passou por integrante de uma suposta associação de aposentados. Após se apresentar, ela conta uma história que envolve o dinheiro que as idosas têm guardado em casa.

“Primeiro ela confirma se a vítima tem o valor, depois conta a mentira. Em um dos casos, disse que o banco teria emitido algumas notas falsas sem querer e ela estaria visitando os clientes para conferir. Em outro, afirmou que as cédulas que a vítima tinha em casa iam sair de circulação, e por aí vai”, explicou o delegado da PF, Mauro Lima Silveira. O golpe acontece quando a idosa mostra o dinheiro para a estelionatária e, sem que a vítima perceba, as notas são trocadas por cédulas falsas. Conforme o delegado, o crime só é percebido dias depois, geralmente por algum familiar da pessoa lesada.

Além de agir de forma discreta, sem deixar pistas, a mulher também teria feições comuns, o que dificulta sua identificação. “É um caso que está nos fazendo quebrar a cabeça. Além dos relatos das vítimas, não temos outras pistas”, contou o delegado. Através de descrições fornecidas pelas aposentadas, a PF montou um retrato falado da criminosa, que seria magra, de estatura média, olhos, pele e cabelos claros e teria aparelho nos dentes inferiores. “Seria uma mulher com características bem comuns aqui na região, provavelmente de descendência germânica e de aparência bastante simpática.”

No ano passado, pelo menos cinco idosas foram enganadas na região – duas em Santa Cruz, duas em Encruzilhada do Sul e uma em Venâncio Aires. Este ano foram quatro casos, três deles em Santa Cruz e um em Cachoeira do Sul. Uma das vítimas santa-cruzenses perdeu R$ 3 mil. “Nós não temos como confirmar que todas as idosas foram vítimas da mesma mulher, mas a semelhança entre os casos nos leva a crer que sim”, contou Silveira.

A PF acredita que a mulher possa ter algum comparsa. Segundo o delegado, ela também estaria sendo investigada em outras regiões. “As vítimas não souberam dizer se ela chega a pé ou de carro, mas está sempre sozinha. Porém, acreditamos que ela tenha ajuda de outra pessoa, pois se o golpe der errado, precisaria de uma forma rápida de fugir”, detalhou. O fato de todas as vítimas terem o dinheiro em casa e estarem sozinhas no momento do crime também leva a polícia a crer que ela conte com algum tipo de ajuda para levantar essas informações.

O PADRÃO

  • Todas as vítimas eram idosas com mais de 70 anos. Algumas tinham quase 90.
  • Em todos os casos, as vítimas eram aposentadas e haviam sacado o benefício dias antes do golpe.
  • Estavam sempre sozinhas no momento do crime, mesmo aquelas que moravam com outras pessoas.
  • Nenhuma das vítimas mora em apartamento. Todas vivem em casas fora da região central dos municípios.

 

Denuncie
Qualquer informação sobre a estelionatária deve ser repassada à Polícia Federal. O telefone para contato, que funciona 24 horas por dia, é o 3717 9000. Caso alguém tenha recebido a visita, mas não tenha caído no golpe, também deve informar a polícia.