Maria da Penha 08/11/2018 00h02 Atualizado às 20h27

Agressão contra mulher no Centro mobiliza a Brigada Militar

Comerciantes e pedestres que testemunharam a briga chegaram a pensar que a mulher estava sendo sequestrada

Uma briga entre um casal chamou a atenção no Centro de Santa Cruz do Sul na manhã de ontem e mobilizou a Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar. O caso aconteceu na Rua Borges de Medeiros, próximo ao cruzamento com a Marechal Deodoro. Segundo o relato de comerciantes do entorno, o homem teria obrigado a mulher a entrar em uma Siena de cor preta e em seguida a teria agredido. Uma denúncia anônima foi feita à Brigada Militar, que passou a realizar buscas pelo suspeito. De início se imaginou que a mulher estaria sendo vítima de um sequestro.

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“O carro balançava de tanto o homem bater na mulher. Estava em um local do outro lado da rua e gritei, junto com outras pessoas, para a mulher sair de dentro do carro. O motorista arrancou com uma das portas abertas. Foi um pavor para quem viu”, contou uma testemunha, que preferiu não ser identificada. Inicialmente, os PMs descobriram que o carro pertencia à ex-mulher do suspeito, que já havia denunciado o homem por agressão. A vítima dessa quarta-feira, contudo, seria outra mulher. Ela foi localizada na empresa onde trabalha, durante a tarde, e não deu mais detalhes à polícia, afirmando que teria tido uma discussão acalorada com o então parceiro, mas que passava bem. Embora já tivesse feito boletim de ocorrência contra ele ainda este ano, ontem a vítima optou por não fazer o registro na polícia.

Durante as buscas ao homem, a Brigada Militar chegou a telefonar para ele, que afirmou que estaria em Venâncio Aires. Pouco antes das 14 horas, no entanto, os policiais receberam informações de que ele teria abandonado o veículo em Rio Pardinho. O carro foi deixado no pátio da Igreja Luterana e o acusado fugiu pelo mato. “Nós não temos certeza do motivo da fuga, mas é provável que ele tenha achado que a vítima o denunciou”, comentou o comandante da 1ª e 2ª companhias do 23º Batalhão de Polícia Militar e coordenador da Patrulha Maria da Penha, capitão Rafael Menezes.

Um dos cães farejadores do Pelotão de Operação Especiais (POE) conseguiu rastrear parte do caminho feito pelo suspeito, e moradores do entorno contaram que o teriam visto atravessando a taipa de um açude. Como a vítima não fez registro contra ele, o acusado não poderá ser detido pela polícia. Conforme o capitão, o agressor já possuía histórico de agressão contra três mulheres. “Ele chegou a ser preso esse ano, em uma situação em que foi atrás da vítima dessa quarta-feira no trabalho, subtraiu pertences dela e a ameaçou pelo telefone”, contou.

Testemunhas da briga contaram à polícia que o homem estava armado, mas a mulher agredida não soube confirmar essa informação. Segundo o comandante, é fundamental que as vítimas façam a denúncia e solicitem medida protetiva quando necessário. “Hoje nós recebemos essa denúncia e conseguimos agir, mas às vezes não dá tempo. O crime de agressão pode ser cometido por qualquer pessoa, mas há casos, como o desse homem, em que existe um perfil de agressor, que vai mudando de vítima e mantém um ciclo de violência.”

DENUNCIE A VIOLÊNCIA

  • Brigada Militar – 190
  • Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento – 3711 2121
  • Delegacia da Mulher – 3713 4340
  • Disque-denúncia (anônimo) – 180
  • Escritório de Defesa dos Direitos da Mulher – 3715 1895