Vidas interrompidas 14/11/2018 00h06 Atualizado às 06h43

Vera Cruz: uma cidade consternada pelas mortes de jovens

Guilherme Miguel Alves da Silveira, sepultado na tarde dessa terça-feira, foi o quinto jovem do município a morrer no trânsito este ano

Thiago Henrique Frantz, Dérick Teixeira, Pâmela Tanajara de Assis, Vinícios Renan da Silveira e Guilherme Miguel Alves da Silveira eram jovens com algumas características em comum. Todos tinham menos de 30 anos, moravam em Vera Cruz, eram alegres, amados por amigos e familiares e tinham muitos planos pela frente. Agora, eles estão juntos em uma estatística trágica, que comove o município de apenas 26 mil habitantes: os cinco tiveram as vidas ceifadas por acidentes de trânsito.

Foto: Divulgação

 

Guilherme é a vítima mais recente. No último sábado, ele saiu de casa para trabalhar, pilotando uma motocicleta, e acabou tendo a frente obstruída por um automóvel que ingressaria em um estacionamento, na Rua Roberto Gruendling, no Centro de Vera Cruz. A Honda Titan pilotava pelo jovem colidiu na lateral do carro, e Guilherme sofreu uma queda. Após ser socorrido, foi diagnosticado com traumatismo craniano e permaneceu na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Santa Cruz até a tarde de segunda-feira, quando foi constatada a morte cerebral.

Na tarde dessa terça-feira, após passar pelo exame de necropsia no Departamento Médico Legal (DML) de Cachoeira do Sul, o corpo de Guilherme foi velado no ginásio de Linha Tapera, no interior de Vera Cruz. O espaço foi lotado por familiares, conhecidos, amigos e colegas de trabalho, que se despediram do jovem sob um forte sentimento de consternação. “Ninguém acredita no que aconteceu. Para mim ele está trabalhando, esperando chegar a sexta-feira para sairmos juntos”, comentou Bruno Galvan, de 17 anos, que descreve o amigo como uma “pessoa excepcional, sempre alegre”. Nos fins de semana, eles se reuniam para jogar futebol e ir a festas.

A alegria do jovem também vai ficar na memória do amigo Guilherme Schulz, de 17 anos. “Ele fazia de tudo pelas pessoas, estava sempre disposto a ajudar, não tinha tempo ruim para ele”, comentou. Tanto Schulz quanto Galvan também eram amigos dos jovens Thiago e Dérik, que faleceram em um acidente em fevereiro deste ano. “Ver isso acontecer com eles traz um sentimento de tristeza e medo. Eles morreram por coisas que podiam ter sido evitadas, mas que também podem acontecer com qualquer um de nós”, comentou Schulz.

“Ele deixou uma missão para nós”

Na manhã em que se acidentou, Guilherme estava indo trabalhar. Há um mês, ele atuava como auxiliar de depósito nas Lojas Becker de Vera Cruz. O primo dele, que também trabalha na Becker e seguia de carro atrás, chegou a ver o acidente. Na tarde dessa terça, o estabelecimento encerrou o expediente mais cedo, às 16 horas, para que os funcionários pudessem se despedir do jovem no velório. Em sinal de luto, usaram faixas pretas no uniforme. “Ele estava sempre feliz, mesmo quando o trabalho estava difícil. Era um rapaz comprometido que nos deixou essa missão, de não entristecer quando as coisas não estão como a gente gostaria”, disse o gerente Deividi Zuchetto.

OUTRAS VÍTIMAS

Dérick Teixeira, 22 anos, e Thiago Henrique Frantz, 27

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No início da noite de 24 de fevereiro os jovens trafegavam em um Passat pela ERS-412, em Linha Capão, no interior de Vera Cruz, quando um deles teria perdido o controle do veículo. O automóvel saiu da pista, se partiu ao meio e foi parar dentro de uma lavoura. A distância entre uma parte e outra, segundo a Polícia Civil, era de aproximadamente 18 metros. Thiago e Dérick morreram no local e, com o impacto, os corpos foram arremessados para fora do veículo.


Vinícios Renan da Silveira, 18 anos

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Na madrugada de 5 de julho, às 3h30, o rapaz conduzia um Honda Civic no sentido Santa Cruz–Vera Cruz pela ERS-409 quando perdeu o controle na altura do quilômetro 9. O carro acabou saindo da pista e colidiu com uma árvore às margens da rodovia. Não chovia no momento da colisão, mas a pista estava molhada. O jovem, que ainda estava com a carteira nacional de habilitação (CNH) provisória, morreu no local.

Pâmela Tanajara de Assis, 23 anos

No dia 5 de junho, data em que a jovem recém-casada se mudaria com o marido para sua casa nova, em Vera Cruz, cidade em que já morava, Pâmela morreu vítima de uma batida entre sua moto e um caminhão, por volta das 8 horas. Ela seguia em uma Honda Biz pela Rua Afonso Mueller, no Bairro Esmeralda, em Vera Cruz. De acordo com os bombeiros, ela teria tentado ultrapassar, pelo lado direito, um caminhão de concreto. No entanto, o motorista teria tentado fazer uma conversão à direita e atingiu a motociclista, que faleceu no local.

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Francine Rocha Ribeiro, 24 anos

Além das mortes no trânsito, Vera Cruz também acompanhou, em agosto, o assassinato brutal da jovem Francine Rocha Ribeiro, de 24 anos. Francine foi morta nas imediações do Lago Dourado, em Santa Cruz do Sul, após ter saído para caminhar na pista do complexo. O exame de necropsia mostrou que a jovem foi estuprada, estrangulada e asfixiada. A perícia encontrou amostras de sêmen no corpo da vítima que pertenciam a Jair Menezes Rosa, de 58 anos. Ele está preso como principal suspeito do crime e aguarda o julgamento.

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