Furto de veículos 30/11/2018 01h14 Atualizado às 06h50

As ruas mais perigosas para deixar sua moto em Santa Cruz

Ladrões agem à luz do dia nas principais vias do Centro. Câmera mostra que crime é cometido em 45 segundos

Entre o vaivém de veículos e pedestres que circulam diariamente pelo Centro de Santa Cruz do Sul, um grupo de criminosos age silenciosamente. Na mira deles, que atuam em plena luz do dia, estão motocicletas e automóveis estacionados em via pública. Nessa terça-feira, uma câmera de videomonitoramento flagrou a ação de dois ladrões, que levaram menos de um minuto para furtar uma moto.

As imagens, feitas pela câmera de um estabelecimento da Rua Marechal Floriano, próximo ao 7º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB), mostram dois homens chegando de moto às 14h41. Eles estacionam ao lado de outra moto, que está estacionada, e um deles desce da garupa. Exatos 45 segundos depois, ambos deixam o local nas duas motocicletas, seguindo em direções opostas.

Além da Floriano, as ruas Marechal Deodoro, Fernando Abott e Ramiro Barcelos, vias que cercam a Catedral São João Batista, são as que mais registram esse tipo de crime. Desde o início do mês, criminosos levaram 12 veículos desse quadrilátero. Adicionando à conta os demais bairros do município, foram pelo menos 18 automóveis e motocicletas furtados, dos quais seis foram recuperados pela BM.

O horário de maior incidência de furtos, conforme o subcomandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major Fábio Azevedo, tem sido entre 19 horas e 1 hora. Nesse período houve dez dos furtos mencionados. Outros oito aconteceram entre 13 e 19 horas. Além do Centro, os bairros Higienópolis – próximo ao Parque da Gruta –, Arroio Grande, Várzea, Margarida e Santo Inácio também estiveram na rota dos ladrões.

O modus operandi

A exemplo do caso dessa terça, a BM acredita que os ladrões utilizem outros veículos para agir. “Eles costumavam andar a pé, com capacete na mão. Começamos a fazer abordagens e eles não estavam conseguindo mais cometer os crimes. Então, acreditamos que mudaram a foram de agir”, detalhou o major Azevedo. Tripulando carros ou motos, os ladrões passariam pelo local onde há veículos estacionados para escolher o alvo. Em uma segunda volta, um deles desceria e, usando uma chave micha, cometeria o furto.

Objetivo dos criminosos é lucrar com os resgates

Entre as vítimas dos ladrões está o cobrador Jairo Bressler, que teve sua motocicleta furtada nessa quarta-feira, na Fernando Abott. “Eu estacionei em frente à loja onde trabalho e saí com a minha gerente de carro para fazer uma cobrança. Quando voltei, a moto não estava mais lá. Tinha cadeado e tudo, não dá para entender”, relatou. Bressler disse que chegou a receber uma ligação pedindo resgate pelo veículo, mas não atendeu ao pedido.

“Eles me ligaram uma vez. Tinham todos os meus dados e não sei como, porque não divulguei o furto em lugar nenhum. Mas depois não retornaram mais”, detalhou Bressler. Embora precise da motocicleta para trabalhar, ele não pretende pagar o resgate. “Minha esperança é de que a polícia ache, mas não sei o que fazer. Como eu trabalho com cobranças, preciso da moto o dia todo, de carro é inviável.”

Na terça-feira, uma mulher teve a motocicleta furtada na Rua Normélio Egídio Boettcher, no Bairro Harmonia. Na ocorrência, ela contou que uma prima publicou sobre o ocorrido no Facebook e, em seguida, um número entrou em contato pelo WhatsApp, pedindo resgate. Quando ela pediu uma foto do veículo, o bandido cortou o contato, mas retornou mais tarde ameaçando levar a moto para Porto Alegre.

Após a negociação, que fechou o resgate em R$ 1 mil, a vítima foi orientada a levar o dinheiro até uma praça no Bairro Harmonia, colocar embaixo de uma pedra e buscar a moto atrás de uma cancha de bocha. Ela seguiu o combinado e recuperou o veículo e os documentos. A polícia, porém, não recomenda o pagamento, pois é perigoso e incentiva a ação dos criminosos.

Ladrões seriam ex-presidiários recém-liberados

Após ficar entre os municípios gaúchos com mais casos de furtos de veículos nos primeiros quatro meses deste ano, Santa Cruz fechou o primeiro semestre de 2018 com uma redução de 58% nesse tipo de crime. Na época, a Polícia Civil atribuiu a queda às prisões feitas pela Defrec e Polícia Federal, que haviam capturado membros de quadrilhas especializadas. O aumento repentino no último mês,  para o major Fábio Azevedo, pode estar relacionado à liberação de parte desses presos, que teriam sido soltos recentemente do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.

“São todos do mesmo grupo, alguns são da mesma família. Outros são amigos, mas é um bando já conhecido no meio policial por esse tipo de crime”, comentou. Embora a Brigada Militar tenha conhecimento de quem seriam os autores, só pode prendê-los em flagrante. Na manhã de ontem, uma dupla chegou a ser detida tentando furtar uma moto na Floriano, próximo ao cruzamento com a Rua 28 de Setembro, mas foi liberada.

De acordo com a delegada Raquel Schneider, a vítima não foi localizada e não houve provas suficientes para efetuar a prisão em flagrante. Os suspeitos irão responder a um inquérito por tentativa de furto. Segundo Azevedo, a BM tem aumentado o policiamento. A dica para os condutores é usar cadeado e corta-corrente nos veículos, além de comunicar a polícia sempre que houver alguma situação suspeita. “A gente sabe que o ideal era que o Estado pudesse estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas como isso não é possível, precisamos dessa ajuda da comunidade.”


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