Encruzilhada do Sul 05/12/2018 23h24 Atualizado às 11h55

Menino de 2 anos que morreu já teria sido agredido outras vezes

Pequeno Enzo Gabriel Dilenburg sofreu politraumatismo, possivelmente após ter sido agredido. Padrasto é o principal suspeito

A morte de um menino de apenas 2 anos revoltou a população de Encruzilhada do Sul na manhã dessa quarta-feira. Enzo Gabriel Quintana Dilenburg foi levado pela mãe, de 32 anos, e uma vizinha ao Hospital Santa Bárbara, por volta das 5h30. Segundo a direção da casa de saúde, ele teria chegado com uma parada cardíaca e diversas lesões pelo corpo. Os médicos tentaram reanimá-lo, sem sucesso. Questionada sobre o que havia acontecido com o filho, a mãe disse que havia encontrado a criança no berço pela manhã, desacordada, e contou uma história confusa à polícia.

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“Ela falou que não viu nada, porque estava dormindo, e que havia uma outra pessoa na casa, mas não sabia quem era”, revelou a delegada Raquel Schneider. Durante o depoimento, a mulher alegou que estaria sofrendo uma crise de ansiedade e foi encaminhada para atendimento médico. Ela deve ser ouvida novamente hoje.

De acordo com Raquel, informações preliminares do Departamento Médico Legal (DML) de Cachoeira do Sul apontaram que Enzo foi vítima de um homicídio. A causa da morte seria politraumatismo. A suspeita da Polícia Civil é de que o menino foi espancado. “Ele teve uma costela fraturada, a cabeça chacoalhada e sinais de uma possível esganadura, além de hematomas  pelo corpo e no rosto”, explicou a delegada.

O padrasto da criança, de 32 anos, desapareceu após o ocorrido. Ele é tido como o principal suspeito do crime. Segundo a delegada, o Conselho Tutelar de Encruzilhada havia recebido uma denúncia anônima em setembro deste ano. A equipe teria ido até a residência da família, mas não chegou a encontrar ninguém. Além de Enzo, a mãe tem um outro filho, de 6 anos. Até o momento, não há confirmação de que o garoto sofreria maus-tratos.
Ainda conforme Raquel, a mãe das crianças é natural de Venâncio Aires. Já o padrasto nasceu em Santa Cruz do Sul, mas reside há muitos anos em Encruzilhada. Por enquanto, a Polícia Civil não revela o nome dele. Segundo informações da Funerária Kist, Enzo Gabriel Quintana Dilenburg será sepultado na manhã desta quinta, às 8h30, no cemitério de Linha Ponte Queimada, em Venâncio.

Outras agressões

De acordo com a direção do Hospital Santa Bárbara, Enzo já havia recebido atendimento na instituição diversas vezes. Em um dos episódios, ele chegou à casa de saúde com uma fratura na perna e uma lesão na cabeça. Na ocasião, a mãe disse que ele teria caído do berço. O atendimento mais recente, antes do falecimento, aconteceu nessa segunda-feira. O menino foi levado à instituição com dores abdominais, passou por atendimento e foi liberado.

O caso mais grave, contudo, foi registrado no dia 20 de setembro. Enzo chegou ao hospital com hematomas no abdômen e nas costas. Questionada, a mãe não soube explicar com clareza  a origem dos machucados. A médica que atendeu o menino estranhou a situação e solicitou uma série de exames, mas a mãe negou e solicitou a alta do menino, informando que o levaria para Canoas. Segundo informações da casa de saúde, ela teria chegado a perguntar se Enzo corria risco de morte antes de ir embora com o garoto.

Na manhã dessa quarta-feira, assim que Enzo deu baixa no hospital, a instituição acionou o Conselho Tutelar e a Polícia Civil. O irmão de Enzo, de 6 anos, estava junto com a mãe no local, mas não apresentava sinais de violência.