Sonegação de R$ 76 milhões 23/04/2019 11h01 Atualizado às 17h34

Receita Federal fecha duas empresas fantasmas de Venâncio Aires

Operação Caça Fantasma II foi desencadeada nesta terça-feira

A Receita Federal desencadeou na manhã desta terça-feira, 23, a Operação Caça Fantasma II, em duas empresas localizadas em Venâncio Aires, que juntas movimentaram R$ 264.065.127,64 em tabaco, causando um prejuízo aos cofres públicos de cerca de 76 milhões.

O objetivo da ação foi descaracterizar essas operações fictícias de sonegação de compra e venda das duas empresas de Venâncio, atribuir a uma terceira empresa, também de Venâncio, as operações e cobrar impostos dos verdadeiros proprietários do negócio. Os alvos da operação são sete produtores e três empresas dos municípios de Camaquã e Dom Feliciano que simulavam vendas de tabaco para as duas empresas de Venâncio Aires que estão sendo investigadas.

Foto: Reprodução

Em entrevista à Rádio Gazeta, o delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul, Leomar Padilha, explicou que se trata de um desdobramento da Operação Caça Fantasmas realizada em dezembro do ano passado. Ele ainda salientou que a Receita tem feito um acompanhamento em tempo real da movimentação de tabaco em toda a região. “Observamos desde a Operação Fumo Papel, em agosto do ano passado, que existe muita simulação de operação de venda de tabaco”, observa.

Segundo Padilha, empresas que não comercializam tabaco estão emitindo notas de compra e venda do produto, quando na verdade estão simulando o processo para uma terceira empresa que, assim, gera crédito de PIS e Cofins para a verdadeira dona da operação. O delegado ainda comenta que muitas vezes o produtor rural que está sendo investigado e nem sabe que vendou tabaco para essas empresas laranjas.

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Foto: Receita Federal/Divulgação

Há uma semana, a Receita Federal realizou uma operação em Vera Cruz em um depósito que distribuía cigarro fabricado de forma ilegal. De acordo com Padilha, essas investigações, em especial, relacionadas ao setor fumageiro, estão sendo intensificadas devido aos sérios problemas relacionados à sonegação fiscal, fabricação de cigarro clandestino e simulação de compra e venda de tabaco.

Segundo o delegado, diversas empresas da região estavam envolvidas nesse esquema que se tornou prejudicial para o setor. Por esse motivo, a Receita Federal criou um grupo de trabalho que investiga toda a fabricação de cigarro clandestino e a movimentação de tabaco na região. “Estão sendo feitas tantas operações porque estamos trabalhando de forma muita séria para tentar moralizar a questão na nossa região e no setor”, destaca Padilha.

Ouça a entrevista completa: