Dom Pedrito 15/05/2019 08h20 Atualizado às 11h04

Polícia encontra corpo de mulher desaparecida enterrado na casa do ex

Vera Lúcia Severo Lemos sumiu em maio de 2018

O desaparecimento de uma mulher ocorrido em 2018 teve um desfecho macabro na noite dessa terça-feira, 14, em Dom Pedrito. De acordo com a Polícia Civil, após uma ação conjunta, que durou oito horas na casa do ex-companheiro, foi localizado enterrado dentro de um cômodo, um corpo que segundo o delegado André de Matos Mendes, é de Vera Lúcia Severo Lemos, de 30 anos, vítima de feminicídio. 

A mulher estava desaparecida desde abril de 2018. Na época, a família comunicou o sumiço à Polícia apenas em junho. Os familiares residem no interior e costumavam ficar muitos dias sem contato com a mulher, por isto a demorar em comunicar o sumiço. As investigações apontaram que não havia nenhuma pista indicando onde ela estaria. A Polícia Civil deflagrou então a Operação Santa Rita, já que Vera Lúcia acabara de dar à luz e não abandonaria seu filho. 

Durante buscas na casa de Leopoldino de Lima Moraes, ex-companheiro de Vera Lúcia e pai do bebê, chamou a atenção dos policiais que ele havia iniciado uma construção nos fundos da residência, localizada na Rua 20 de Setembro, no Bairro Santa Terezinha. A obra havia sido começada pelo piso, antes das paredes, e aparentava ter sido feito às pressas. No local também foi apreendido um canivete, que de acordo com análise do Instituto Geral de Perícias (IGP), apresentava vestígios de sangue humano na lâmina.

Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

O homem foi considerado suspeito do crime, a motivação seria ficar com a guarda do bebê do casal. Um mandado de busca foi solicitado ao Judiciário para realizar uma escavação no local. A ação coordenada pela Polícia Civil para cumprir o mandado ocorreu nessa terça-feira, 14, e contou com apoio do IGP, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros de Dom Pedrito e cães farejadores do Corpo de Bombeiros de Santa Maria.

No interior da casa, os peritos buscavam vestígios de sangue com o uso do produto reagente conhecido como Luminol. Por volta das 17 horas, os cães farejadores indicaram que localizaram algo. As equipes iniciaram o trabalho de escavação, que se estendeu até a meia-noite, quando foi encontrado um cadáver enterrado sob um dos quartos, que era usado pela filha do acusado. A cova estava abaixo de três camadas de revestimento, incluindo cimento e piso, a cerca de 70 centímetros de profundidade. O corpo estava em avançado estado de decomposição, mas ainda portando a pulseira que ela usava e que ajudou em sua identificação

O cadáver foi removido e será encaminhado para necropsia em Bagé para que seja comprovada a identidade da vítima. Os policiais suspeitam do uso de algum aditivo para inibir o odor. Conforme a Polícia Civil, as investigações continuam e uma das próximas etapas será estabelecer uma conexão entre os vestígios de sangue encontrados na faca com o corpo localizado.

Foto: Polícia Civil / Divulgação