Operação 11/06/2019 07h13 Atualizado às 15h04

Sucessor de Cássio Alves no tráfico é alvo de ação da PF, Polícia Civil e BM

Forças de segurança cumpriram cinco mandados de busca e três de prisão na manhã desta terça-feira

A Polícia Federal, Polícia Civil e Brigada Militar deflagraram a Operação Cartão Vermelho na manhã desta terça-feira, 11, em Santa Cruz do Sul. Segundo o delegado da PF, Mauro Lima Silveira, a ação conjunta cumpriu três mandados de prisão, sendo duas preventivas e uma temporária, além de cinco mandados de busca e apreensão em endereços diferentes. Um dos envolvidos seria o sucessor de Cássio Alves dos Santos, até então braço direito de Chapolin e líder do tráfico em Santa Cruz do Sul, e que foi preso em janeiro deste ano.

O objetivo é prevenir e reprimir os crimes de tráfico de drogas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Uma das vertentes da quadrilha seria ainda o contrabando de cigarros paraguaios. Conforme a PF, também foi obtida a quebra de sigilo bancário, sequestro de contas e restrições de veículos usados pela quadrilha. A atividade na manhã desta terça contou com 25 policiais federais, dez policiais civis e 20 policiais militares.

Os mandados foram cumpridos nas ruas Montevidéu, Dom Pedro II e Marcílio Dias, no Bairro Bom Jesus, além de outros dois endereços no Bairro Santo Inácio. Um deles foi na casa dos pais de Cássio Alves. Uma mulher foi presa, um dos alvos já estava recolhido ao sistema carcerário, e outro não foi localizado. Os agentes localizaram e apreenderam documentos, telefones celulares e um automóvel Volkswagen Jetta. Entre os papéis há contabilidade do tráfico e armas, com menções a pistolas, fuzis e metralhadoras, além de comprovantes de depósitos bancáiros em contas de laranjas. 

"Hoje a gente faz uma fase ostensiva de uma investigação que iniciou no ano passado. É um trabalho bem significativo, não tanto pelos números, mas pela parceria estabelecida com a Polícia Civil e a Brigada Militar para troca de informações. É uma área que nós temos uma necessidade muito grande desta parceria por se tratar de crime organizado, provavelmente com tráfico de drogas e armas", disse o delegado Mauro Lima Silveira.

Foto: Polícia Federal/Divulgação

 

Um dos alvos da ação tem antecedentes por tráfico e já havia sido preso anteriormente em ações da Polícia Civil. Atualmente, está preso por infração no uso da tornozeleira eletrônica. Com a prisão do traficante Cássio Alves dos Santos na Operação Cúpula em 18 de janeiro, este homem, conhecido como Wagninho, teria assumido a função de braço direito de Antônio Marco Braga Campos, o Chapolin, líder da facção Os Manos na região.

De acordo com o delegado da PF, mesmo recolhido ao presídio, Wagninho continuou gerindo as finanças da facção. "A hierarquia dentro do sistema criminoso é dinâmica. Os três já tinham importância, mas após a prisão do Cássio há uma necessidade óbvia de substituição e eles assumem uma importância maior ainda." Quando Wagninho voltou a ser preso, a companheira e o sucessor dele assumiram as funções. 

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A companheira de Wagninho, que foi presa nesta terça, e outro homem que não foi localizado, foram monitorados pela Polícia Federal e realizavam transações bancárias de alto valor, sempre em dinheiro vivo. Segundo o delegado, o grupo que foi alvo da operação tinha uma função importante dentro da facção, que é relativa ao manejo dos recursos financeiros. 

Os valores eram depositados em contas de pessoas físicas e empresas localizadas no oeste do Paraná, Mato Grosso e interior de São Paulo. Conforme a PF, para pagamento de fornecedores de armas e entorpecentes. A investigação estima que o dinheiro movimentado pela organização criminosa seja oriundo de roubos, exploração de jogos e venda de drogas e chegue a R$ 500 mil por mês, mas este número pode ser ainda maior.

"O objetivo não eram as drogas, armas e dinheiro, porque sabemos que eles não mantém isso em casa. A busca era de material documental e mídia eletrônica para fazer o entendimento e a produção de prova. Encontramos contratos de imóveis e de compra de veículos em nome de terceiros, procurações para manejar contas e extratos bancários para comprovar as transferências. Também vamos buscar os destinatários do dinheiro sediados em outros estados. Os alvos faziam essas aquisições de bens para escamotear o ganho que o grupo tem com o crime", explicou o delegado.

A investigação ainda não foi concluída e a próxima fase será a análise do material apreendido, incluindo as contas bloqueadas e veículos que não foram apreendidos, mas receberam restrição de venda. O material eletrônico será encaminhado para Porto Alegre. "Com as apreensões de hoje, vamos entender melhor o esquema", declarou Silveira.


A investigação
O caso iniciou em abril de 2018, quando a Polícia Federal foi notificada sobre um carregamento de drogas vindo de Porto Alegre em uma das rodovias da região. Ao abordar um veículo Fiat Palio no pedágio da RSC-287, em Venâncio Aires, os policiais encontraram três homens, que não estavam com os entorpecentes, mas transportavam R$ 28 mil em dinheiro vivo. Segundo a PF, na ocasião, as versões informadas foram contraditórias e os homens não souberam explicar a origem do dinheiro nem os motivos da viagem. Um deles, chegou a dizer aos policiais que o dinheiro vinha de exercer a atividade profissional de atleta de futebol, mas não apresentou provas. No entanto, ação dos cães farejadores apontou que o automóvel apreendido já havia sido usado para transportar drogas.

Nome da operação
Segundo o delegado Mauro, o nome da Operação Cartão Vermelho, vem da questão do futebol, já que é o cartão usado para expulsar um jogador que transgrediu a regra do jogo. "Lá atrás, quando nós tivemos a apreensão dos R$ 28 mil, e da oitiva destes três elementos, um deles tentou justificar o valor que foi encontrado como ganhos do futebol. Como jogador ele recebia dos clubes onde ele vinha desempenhando a atividade futebolística. Isso no curso da investigação foi demonstrado que era completamente inverossímil até porque o valor era muito significativo para um jogador amador."

 

Foto: Polícia Federal/Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Polícia Federal/Divulgação
Foto: Polícia Federal/Divulgação