Violência 15/06/2019 01h07 Atualizado às 10h21

Assassinatos desafiam a polícia em Santa Cruz

Ligação das vítimas com o crime e silêncio das testemunhas desafiam investigação; 90% dos casos ainda estão em aberto

As características dos crimes que tiraram a vida de nove das 11 vítimas de homicídio em Santa Cruz do Sul desde o início do ano são parecidas. Com vários disparos de arma de fogo, as pessoas assassinadas foram surpreendidas enquanto caminhavam pela via pública ou foram alvejadas em frente à própria casa – geralmente na Zona Sul do município. Quando uma ocorrência com esse perfil acontece, a Polícia Civil já tem condições de afirmar, quase sempre de forma certeira, que a vítima tinha envolvimento com o tráfico de drogas. Comprovar essa relação e provar quem são os culpados, no entanto, é bem mais difícil, e faz com que 90% dos casos registrados em 2019 ainda não tenham sido solucionados.

“Cada caso é uma situação diferente, mas todos, invariavelmente, são investigações truncadas em que dificilmente alguma pessoa que tenha visto alguma coisa vai formalizar essas informações perante a polícia, porque tem medo de represálias”, detalha o delegado Alessander Zucuni Garcia, da 2ª DP. É na área pela qual ele responde, que engloba bairros como Bom Jesus, Arroio Grande, Santa Vitória, Esmeralda, Dona Carlota e Faxinal Menino Deus, que foi registrada a maioria dos homicídios. Conforme Garcia, a polícia segue investigando todos os assassinatos, mas não tem garantia de que conseguirá solucioná-los. “São situações complexas e dependem de tempo para o esclarecimento dos fatos. Estamos buscando elucidar todos eles, mas se efetivamente vamos conseguir ou não, é complicado dizer. Geralmente envolvem pessoas que têm ligação com a criminalidade, o que, de imediato, já causa um certo temor em qualquer testemunha.”

​A única morte deste ano que já foi solucionada, e uma das duas únicas que não ocorreram na área da 2ª DP, aconteceu em março, às margens da RSC-287. No local, Carlos Gilberto Brinker, de 48 anos, foi encontrado morto cinco dias após ser assassinado a pancadas em uma emboscada, armada para assaltar um amigo dele. O caso aconteceu em um imóvel abandonado. A investigação ficou a cargo da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e prendeu dois homens e uma mulher pelo crime.

Os casos em aberto

Jeferson Rodrigues Mantz, 18 anos, morto a tiros por volta das 19 horas do dia 19 de janeiro, no pátio do Centro Social Urbano, no Bairro Faxinal Menino Deus. 

Bruno Moisés Lemos Ribeiro, 19 anos. Foi atingido por disparos de arma de fogo na Rua Davi Severo Mânica, no Bairro Dona Carlota, em 26 de janeiro.

Kevi Luan de Oliveira, 20 anos. Morto por disparos de arma de fogo no dia 4 de março, na frente da casa onde morava na Rua Irmão Emílio, no Bairro Várzea. Conforme a polícia, o caso está elucidado. O suspeito de ser o autor dos disparos que mataram o jovem e o condutor da motocicleta que o levou até o local já foram identificados. O inquérito está em fase de conclusão, devendo ser encaminhado em breve ao Poder Judiciário. 

Jairo Bitencourte Pereira, 48 anos. Baleado na frente de casa na Rua 2, no Bairro Progresso, no dia 11 de março. Morreu no Hospital Santa Cruz, em decorrência dos ferimentos, dois dias depois.

Leonardo Soares da Silveira, de 23 anos. Morto a tiros em um bar na Rua Professora Alice Simões Pires, no Bairro Santa Vitória, no dia 18 de abril.

Jandir Rodrigues da Silva, 44 anos. Assassinado a tiros no dia 26 de abril, na cozinha de casa, na Rua Erva Mate, no Residencial Viver Bem.

Evaldo Müller, 80 anos. Foi encontrado ferido no dia 28 de maio dentro de um carro, na garagem da própria padaria, localizada na Avenida Euclydes Kliemann, no Bairro Arroio Grande. Morreu dias depois, no hospital.

Jeferson Rodrigo dos Santos, o Neni, 27 anos. Foi alvejado com quatro disparos de revólver calibre 38 no rosto e no pescoço, na Rua Madre Teresa de Calcutá, no Bairro Santa Vitória. O c aconteceu em 13 de maio.

Cristiano da Silva, 31 anos. Morto a tiros por volta das 20h40 do dia 25 de maio, na Rua João Pedro Koelzer, no Bairro Rauber. A Brigada Militar, ao chegar ao local, encontrou o rapaz já sem vida, poucos metros à frente do portão de casa.

Cleber Luiz dos Santos, 46 anos. Encontrado morto com uma pedra sobre a cabeça no Bairro Dona Carlota, no dia 1O de junho. O corpo precisou passar por exame de reconhecimento por impressões digitais.

O caso resolvido

Carlos Gilberto Brinker, 48 anos. Encontrado morto na antiga sede da Apae, na RSC-287, no dia 17 de março. O caso foi investigado como latrocínio, e três pessoas foram indiciadas pela morte.

Números

11 pessoas foram mortas neste ano em Santa Cruz
5 assassinatos aconteceram no primeiro trimestre
30 homicídios ocorreram no município em 2018
32 foram registrados em 2017.