Lavagem de dinheiro 28/06/2019 11h47 Atualizado às 16h46

Chapolin, líder da facção Os Manos, é alvo de operação da Polícia Civil

Operação com 175 agentes cumpre 23 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária, em cinco cidades gaúchas

Antônio Marco Braga Campos, o Chapolin, é um dos alvos de uma operação da Polícia Civil no Rio Grande do Sul nesta sexta-feira, 28. Ele e Marizan de Freitas, 31 anos, são apontados como líderes da Facção Os Manos, com base no Vale dos Sinos, e estariam envolvidos em uma rede de lavagem de dinheiro. 

A Polícia Civil deflagrou a Operação Borgata com a participação de 175 agentes nesta manhã, cumprindo 23 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária, em cinco cidades gaúchas. Quatro pessoas foram presas e aproximadamente R$ 30 mil em espécie foram apreendidos. Além disso, foram sequestrados aproximadamente R$ 4,5 milhões em bens.

Ainda durante a operação, foram sequestrados cinco imóveis de luxo - em Novo Hamburgo, Campo Bom e Lajeado - e sete contas bancárias foram bloqueadas. Houve também 47 quebras de sigilo bancário, fiscal e financeiro, apreensão de dois veículos, celulares e documentos.

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Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

A investigação acontece há cinco meses e apura o esquema criminoso montado pelos dois criminosos, considerados de alta periculosidade. Os dois líderes da facção utilizariam uma rede de laranjas - alguns sem antecedentes criminais - para ocultar bens comprados a partir do lucro do tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil, eles também atuariam com jogos de azar.

Conforme a Polícia Civil, o grupo realizou a maior parte das operações logísticas de entrada de cocaína no Estado na última década, sendo estimado que  toneladas entraram no Estado por ano. O grupo movimentaria cerca de R$ 500 mil por semana, conforme a Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc).  Os mandados foram cumpridos em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Porto Alegre e Lajeado.

Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

Marizan de Freitas, que seria parceiro de Chapolin no esquema, está atualmente na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Ele tem condenação de 70 anos por homicídio e tráfico, além de ter antecedentes por latrocínios, roubos, homicídios, organização criminosa e porte de armas.

Já Chapolin, venâncio-airense com vínculos em Santa Cruz do Sul, está preso desde agosto do ano passado em um Presídio Federal no Rio Grande do Norte. Antes de ser transferido, ele estava na Pasc cumprindo pena de 86 anos por assalto, latrocínio e tráfico de drogas.

Chapolin e a região

Chapolin é apontado como um dos líderes da facção Os Manos, criada no Vale dos Sinos mas que, nos últimos anos, se alastrou para o interior. Chapolin foi um dos responsáveis pelo avanço da facção para Santa Cruz e região ainda em 2012, depois que a Polícia Civil desarticulou uma fábrica de cocaína que funcionava no interior de Candelária. Chapolin seria o mandante de boa parte das mortes vinculadas ao tráfico ocorridas desde então em Santa Cruz.

O braço direito de Chapolin na região, Cássio Alves, de 30 anos, foi preso em janeiro deste ano, durante a Operação Cúpula. Na ausência de Chapolin, Cássio era o gerente do tráfico em Santa Cruz. Cássio transitava muito bem desde as mais humildes casas do Bom Jesus até as mais sofisticadas mansões de condomínios de luxo de Santa Cruz. Tinha vida de playboy e conquistava seus interlocutores pela educação e sorriso fácil.

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Chapolin também estaria por trás do arsenal da facção que foi apreendido pela Polícia Civil no loft de um estudante no Bairro Universitário, em Santa Cruz, no fim de outubro de 2017. O fuzil que seria de Chapolin, um FAL calibre 762, personalizado, também foi apreendido na época.

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Foto: Polícia Civil / Divulgação
Operação desta sexta-feira acontece em cinco municípios