Explosão em Vera Cruz 29/07/2019 00h37 Atualizado às 06h49

Lareira ecológica é considerada segura, mas exige cuidados

Juliane Gonçalves, de 40 anos, teve 66% do corpo queimado em acidente com o equipamento, que opera à base de álcool

A explosão de uma lareira ecológica no fim da tarde de sábado, em Vera Cruz, deixou uma mulher gravemente ferida e alarmou a região sobre o uso de aquecedores à base de álcool. Eram cerca de 18h20 quando um morador do Loteamento Parque da Figueira ouviu um barulho vindo do lado de fora. “Parecia uma bomba”, descreve o homem, que pediu para não ter o nome identificado na reportagem. Logo após o estrondo, já do lado de fora da residência, ele avistou sua vizinha, a professora Juliane Gonçalves, de 40 anos, correr em direção à rua aos gritos. Ao olhar com mais atenção, o homem percebeu que a roupa dela pegava fogo, e correu para ajudar.

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“Ela gritava e pedia para alguém ajudar o filho dela, que estava dentro de casa. Comecei a ajudar a tirar a jaqueta que ela estava vestindo e o tecido estava se desfazendo e grudando na pele. Conseguimos tirar e o fogo nas pernas acabou apagando depois de algumas batidas com as mãos também. Coloquei ela no meu carro e corri até o hospital. Ela gritava de dor e pedia por ajuda”, relatou o homem. Logo após dar entrada no Hospital Vera Cruz, que fica a 1,4 quilômetro da casa da vítima, Juliane foi levada para o Hospital Santa Cruz. Segundo a assessoria da instituição, ela foi transferida novamente por volta das 19 horas, em estado grave, para o Hospital Cristo Redentor (HCR), em Porto Alegre, que é referência no tratamento de queimados.

O filho de Juliane, de seis anos, e um amigo do menino, que estavam na casa no momento do acidente, não se feriram. O fogo foi controlado por um outro vizinho, que utilizou um extintor de incêndio. O Corpo de Bombeiros Misto de Vera Cruz foi acionado, mas quando chegou ao local as chamas já estavam contidas. De acordo com a corporação, o incêndio teria atingido o sofá da sala, mas não se espalhou. Não se sabe ao certo o que causou a explosão, mas a suspeita é de que a vítima estivesse adicionando mais combustível ao equipamento no momento do acidente. “Ela teria acreditado que não havia chama e adicionado o álcool”, comentou o subcomandante do 6º Batalhão de Bombeiros Militar, Joel Dittberner.

Uma das enfermeiras do HCR, Léia Bertoglio, afirmou que Juliane foi a terceira paciente a dar entrada na instituição por conta de acidentes com lareiras ecológicas nos últimos 40 dias. Em anos anteriores, outras duas pessoas foram atendidas por conta de queimaduras com o equipamento, dentre eles uma criança que caiu de costas sobre o dispositivo. “Não chega a ser uma quantidade elevada, mas o suficiente para ver que não é uma coisa segura. Já tivemos cinco casos e todos bem graves”, comentou.

O que pode ter acontecido

  1. A lareira usada por Juliane era semelhante à uma lareira tradicional, de metal, mas funcionava à base de álcool. Não se tratava de um dos modelos mais atualizados, que operam com as chamas cercadas por vidro.
  2. Por volta das 18h20, a vítima teria tentado adicionar mais combustível ao equipamento, que não estaria mais com as chamas acesas.
  3. Devido a um resquício de fogo, no entanto, o contato do álcool com a lareira teria feito o dispositivo explodir e as chamas incendiaram as roupas de Juliane.

Equipamento é considerado seguro

Os cuidados com equipamentos como a lareira que explodiu no último sábado devem começar ainda no momento da compra, segundo o chefe da seção de segurança e subcomandante do 6º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Cruz do Sul , Joel Dittberner. “O equipamento deve ser certificado pelo Inmetro, pois são vários itens que devem ser observados na composição, como parede dupla de aço inox e cerâmica no interior”, explica.

Já na hora de utilizar o dispositivo é preciso cuidar o tipo de álcool utilizado, que deve ser o biofluído, específico para lareira, e não álcool comum encontrado em supermercados. “Esse tipo de fluído queima o oxigênio de maneira muito inexpressiva e não deixa resíduos”, comenta. Assim como no uso das lareiras ecológicas, no caso das tradicionais, de aquecedores e fogões a lenha, o subcomandante explica que é preciso deixar uma fresta do cômodo aberto para renovar o oxigênio do ambiente, além de cuidar com os objetos próximos. “Se tomarmos os devidos cuidados esse tipo de equipamento pode ser seguro, da mesma maneira que as lareiras tradicionais a lenha. Ainda assim, é preciso considerar que quando usamos algo que gera calor através da queima de algum produto sempre há o risco”, frisou.

Vítima está em estado gravíssimo

O estado de saúde de Juliane, na noite desse domingo, foi apontado como gravíssimo pela equipe do Hospital Cristo Redentor. O quadro clínico atualizado da vítima foi repassado à reportagem às 19h30. Na ocasião, o cirurgião-plástico Antônio Cortes Fernandes afirmou que a vítima estava com queimaduras em 66% do corpo. “O grande problema foi a demora até a chegada no Cristo. Vários procedimentos importantes foram omitidos”, disse. Dentro da gravidade do caso, a situação de Juliane era considerada estável.