Inquérito 18/11/2019 19h53 Atualizado às 20h08

Polícia Civil aguarda laudo sobre morte em Candelária

Carlos José Kolbe foi morto após entrar em luta com a BM. Advogado da família vai acompanhar investigação

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a morte de Carlos José Kolbe, de 27 anos, morto com um tiro na última quinta-feira após entrar em luta com policiais da Brigada Militar de Candelária. Conforme a versão da BM, Kolbe teria agredido um dos brigadianos com um soco no nariz e teria tentado sacar a arma de um dos policiais, sendo atingido por um disparo no abdômen. Já familiares da vítima, que testemunharam a confusão, alegam que Carlos foi alvejado pelas costas.

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De acordo com o titular da delegacia de polícia de Vera Cruz, Paulo César Schirmann, que está respondendo interinamente pela DP de Candelária, o laudo de necropsia ainda não chegou e deve sanar a dúvida acerca do orifício de entrada da bala.

“O inquérito policial já está instaurado, a família constituiu um advogado para acompanhar a investigação policial, e a gente já tem algumas testemunhas para ouvir durante a semana. É um inquérito que a gente espera encerrar ele dentro dos 30 dias legais”, disse.

Segundo Schirmann, o resultado do laudo será uma prova valiosa do inquérito e deve ser divulgado nesta terça-feira, 19. “É extremamente importante definir o orifício de entrada e esclarecer logo, porque isto tudo agora é chute. Uns dizem uma coisa, outros dizem outra. Eu não me manifesto nunca sobre suposições, ainda mais quando só uma prova técnica de um expert, um perito, pode determinar isto”, declarou o delegado.

Família protestou na última sexta-feira

A família da vítima, que realizou um protesto por justiça, divulgou um posicionamento na noite dessa segunda-feira por meio do advogado, Cleber Prado. Confira a nota na íntegra:

“O advogado fará o acompanhamento das investigações e fiscalizará a realização dos atos e diligências policiais na busca pelo descobrimento da verdade real dos fatos. De qualquer modo, o advogado nega que a vítima tenha provocado os policiais militares que atenderam a ocorrência motivada por som alto. Reitera que a abordagem da BM de Candelária foi equivocada, truculenta e covarde. Afinal, como é possível admitir que um policial militar efetue um disparo pelas costas da vítima desarmada que estava machucada e lesionada? O advogado da família da vítima repudia a nota emitida pela BM de Candelária, tendo em vista que distorceu os fatos realmente ocorridos, a vítima não chegou a reagir à violência efetuada pelos agentes. Todos esses fatos deverão vir à tona por ocasião das investigações da Polícia Civil. Constata-se o despreparo dos policiais militares, não só nesse lamentável caso ocorrido, mas em outras situações de excesso e abuso de autoridade por parte de agentes da polícia tem sido frequentes. Talvez o curso de formação de policiais militares no RS deva ser revisto, pois não é possível admitir como abordagem correta e adequada policiais efetuarem disparo de arma de fogo pelas costas de um jovem desarmado e lesionado. Vamos seguir na busca pela justiça e adequada responsabilização dos agentes envolvidos na equivocada e criticável abordagem policial.”
Cleber Prado. Advogado criminal e Professor de Direito Penal e Processo Penal.

Entenda
O caso ocorreu na noite da última quinta-feira, 14, quando a Brigada Militar foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego, por conta de som alto, na Avenida Pereira Rego, no Centro. Carlos José Kolbe teria entrado em luta com os policiais e foi baleado. Ele foi encaminhado ao hospital, mas morreu durante o atendimento.

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