Polícia investiga 07/02/2020 06h40

O que a facção planejava fazer com coletes balísticos e roupas táticas?

Agentes da Draco querem saber se o material apreendido em Santa Cruz do Sul seria utilizado em ações criminosas

Depois de a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santa Cruz do Sul cumprir um mandado de busca e apreensão em uma residência do Bairro Senai, na manhã dessa quinta-feira, 6, e encontrar uma quantidade assombrosa de itens, a Polícia Civil busca entender o que seria feito com os materiais.

Foram apreendidos coletes à prova de balas, toucas ninjas, coturnos, coldres e roupas táticas – ao estilo militar – na cor preta, além de radiocomunicadores, bloqueadores de sinal de celular e até luminosos giroflex, produzidos para uso em viaturas policiais. Todo esse material estava em poder de um jovem de 22 anos.

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Agora a polícia busca identificar a origem dos produtos, mas já sabe que os 16 coletes balísticos vieram do Paraguai. “Estamos em processo de investigação. Os equipamentos de vestimenta, proteção e comunicação poderiam servir para diversos indivíduos. Ainda não podemos apontar para qual facção ou intuito eles seriam usados”, afirma o delegado Marcelo Chiara.

Chamou a atenção da polícia a localização, também, dos giroflex, radiocomunicadores e bloqueadores de sinal. “São equipamentos importantes. Talvez a ideia fosse dificultar ações policiais, maquiar veículos, se disfarçar. É prematuro apontarmos algum desdobramento. Estamos investigando”, diz Chiara.

A Draco investigava há cerca de um mês um possível local de armazenamento de materiais pertencentes a uma facção criminosa. A residência de classe média alta fica na Rua Capitão Fernando Tatsch. O jovem foi conduzido à delegacia e liberado, pois ainda não há provas de envolvimento dele com o crime. Entretanto, um inquérito será instaurado para apurar a possível relação com alguma facção criminosa. “A conduta dele será avaliada dentro do processo”, destacou o delegado. A operação teve apoio da 2ª Delegacia de Polícia.

PERFIS EM COMUM

O perfil do rapaz investigado é semelhante ao do que foi preso com um arsenal em um flat do Bairro Avenida, em 2017. Ambos são jovens, de classe média. Apesar disso, por enquanto não há elementos que relacionem as duas situações. “Não podemos atribuir relação entre os dois casos, embora seja curioso. Naquela ocasião foram armas, nesta, vestimentas de proteção. Não descartamos nada. Vamos investigar”, afirma Chiara.

À época, foram apreendidos pelo menos 15 fuzis de guerra de fabricação americana e soviética, sendo oito calibre 556 e sete calibre 762, 20 pistolas 9 milímetros, uma pistola calibre .45 e uma grande quantidade de munições de calibres 556, 762 e 9 milímetros, além de carregadores de AK 47 e dois fuzis desmontados. Os itens apreendidos seriam da facção Os Manos e foram avaliados em cerca de R$ 3 milhões. No local foi preso em flagrante o guardião das armas, identificado como Jerônimo Jardim Lopes, de 26 anos.

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A polícia também segue monitorando a movimentação de facções na cidade. “Várias investigações estão em andamento contra o crime organizado, mas não podemos atribuir nada a essa situação especifica”, finaliza.


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