Caso Kolbe 26/06/2020 15h24 Atualizado às 15h35

Autoridades policiais comentam inquéritos sobre morte em Candelária

Delegado Paulo César Schirmann e o comandante regional Valmir José dos Reis conversaram com a Gazeta do Sul sobre a conclusão dos fatos

Após o advogado Cleber Prado questionar a conclusão do inquérito divulgado pela Polícia Civil na quarta-feira, 24, sobre a morte de Carlos José Kolbe, a Gazeta do Sul ouviu as duas autoridades policiais responsáveis pela elaboração dos documentos civil e militar que analisaram o caso: o delegado Paulo César Schirmann e o comandante regional da Brigada Militar, Valmir José dos Reis. A Polícia Civil concluiu que o policial agiu em legítima defesa ao atirar no homem de 27 anos em novembro de 2019, em Candelária.

O delegado responsável pelo inquérito civil, Paulo César Schirmann, preferiu não comentar as manifestações do advogado da família Kolbe.
“Tudo o que eu tinha para dizer está no inquérito. O que me cabia fazer, já fiz. Faz parte do trabalho do advogado questionar, pois é do jogo. Tenho muita tranquilidade com o que coloquei no documento, agora é deixar seguir os caminhos legais”, disse.

Schirmann preferiu não comentar as declarações do advogado | Crédito da foto: Diego Foppa/Folha de Candelária

Por sua vez, o comandante regional da Brigada Militar (BM), coronel Valmir José dos Reis, lamentou a morte da vítima e ressaltou a necessidade de expor os fatos a partir dos inquéritos elaborados tanto pela Polícia Civil quando pela Brigada Militar.

“Me parece extremamente comprovado que os policiais atenderam a ocorrência e lá houve o desacordo do cumprimento da orientação legal pela vítima, que entrou em luta corporal com o policial. No que a vítima pegou a arma, um outro policial tomou a decisão de neutralizar a ação e atirou. Ele estava no exercício regular de direito e agiu em legítima defesa”, afirmou Reis. “Não é do hábito da Brigada Militar deixar de apurar a conduta com a maior lisura possível. Uma prova disso são os policiais que teriam agido com abuso de autoridade durante a Oktoberfest, no ano passado, e foram indiciados.”

Coronel Valmir José dos Reis lamentou a morte da vítima e ressaltou a necessidade de expor os fatos a partir dos inquéritos

O comandante regional da BM disse ainda que ambos os inquéritos foram feitos com transparência. “Foram elaborados dois documentos lisos, independentes, que só fortalecem e elucidam os fatos. A gente lamenta muito o ocorrido, mas não podemos deixar de ser profissionais e agir à luz dos fatos concretos.”

Conforme o advogado Cleber Prado, a família vai aguardar a decisão do promotor de Justiça de Candelária, Martin Albino Jora, para tomar novas providências sobre o caso.

Um dia após a morte de Kolbe, familiares e amigos protestaram em frente à BM | Crédito da foto: Bruno Pedry/Banco de Imagens/GS


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RELEMBRE O CASO

Por volta das 23h45 do dia 14 de novembro de 2019, a Brigada Militar foi chamada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego na Avenida Pereira Rego, Centro de Candelária. O caso aconteceu no Centro e a vítima, identificada como Carlos José Kolbe, de 27 anos, teria morrido em luta com os PMs.

Conforme informações dos policiais, quando eles chegaram no local Carlos estaria urinando em frente a uma casa próxima. Três PMs (dois homens e uma mulher) tentaram abordar o jovem, mas ele teria reagido e agredido um dos policiais com um soco no nariz. Foi necessária a intervenção de outro PM, que entrou em luta corporal com Carlos.

Na versão dos brigadianos, o rapaz teria tentado sacar a arma de um deles e acabou sendo atingido com um tiro. Na versão do primo de Carlos, que estava junto na abordagem, o jovem teria sido algemado já morto e levado na viatura ao hospital.

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