RENOVAÇÃO 02/09/2020 12h24 Atualizado às 16h26

Mais da metade dos eleitos em 2016 não vai tentar a reeleição na Câmara

Lista inclui parlamentares que foram cassados, outros que abriram mão de concorrer e os que pretendem disputar a Prefeitura este ano

Ainda faltam mais de dois meses para as eleições municipais, mas uma coisa já é certa: a Câmara de Santa Cruz terá uma das maiores renovações da história. Segundo levantamento feito pela Gazeta do Sul, pelo menos dez dos 17 vereadores eleitos no último pleito, e que na ocasião receberam juntos mais de 20 mil votos, não vão concorrer este ano. A lista inclui parlamentares que foram cassados na atual legislatura e os que devem concorrer à Prefeitura neste ano, entre outros.

Na prática, isso significa que ao menos 60% das cadeiras do Legislativo necessariamente serão ocupadas por pessoas diferentes das escolhidas pela população há quatro anos. Embora não seja determinada por opção do eleitorado, essa renovação supera a média de pleitos anteriores. Em 2016, por exemplo, 11 dos 17 vereadores foram reeleitos – ou seja, menos de 40% das vagas foram renovadas.

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Dos eleitos em 2016, três devem estar em chapas na eleição majoritária: Alex Knak (MDB), que foi o mais votado naquela eleição, e Mathias Bertram (PTB) concorrerão a prefeito, enquanto Elstor Desbessell (PL) será candidato a vice.

A lista dos que não tentarão a reeleição inclui ainda Kelly Moraes (PTB), que renunciou à Câmara no ano passado para assumir o cargo de deputada estadual, além de Edmar Hermany (PP) e Hildo Ney (PP), dois dos veteranos do Legislativo, que vão abrir mão de concorrer para apoiar líderes jovens do partido.

Outros quatro parlamentares – Paulo Lersch, Alceu Crestani (PSD), Elo Schneiders (PSD) e André Scheibler (PSD) – perderam o cargo ao longo da última legislatura após se tornarem alvos da Operação Feudalismo, do Ministério Público, que apontou uma série de esquemas de “rachadinha” na Câmara, entre outras irregularidades. Pela Lei da Ficha Limpa, eles estão proibidos de concorrer.

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O número de vereadores que não tentará a reeleição ainda pode aumentar caso Carlão Smidt concorra a prefeito. O parlamentar foi lançado pré-candidato por seu partido, o PSDB, mas a sigla ainda não definiu se levará adiante o projeto de candidatura própria ou seguirá outro rumo no pleito de 15 de novembro.

Dos cinco suplentes que tomaram posse na Câmara após a saída dos titulares, todos devem concorrer à reeleição. A lista inclui Alberto Heck (PT), César Cechinato (PSDB), João Cassepp (PSDB), Solange Finger (PSD) e Zé Abreu (PTB). Cechinato, porém, também é cotado para integrar uma chapa à Prefeitura.

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A SITUAÇÃO

Não devem concorrer à Câmara:

Alex Knak (MDB) – Foi o mais votado em 2016, com 3,4 mil votos. Deve ser candidato a prefeito.

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Kelly Moraes (PTB) – Segunda mais votada, fez 2,3 mil votos. Em 2018, elegeu-se deputada estadual.

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Elo Schneiders (PSD) – Elegeu-se em 2016 pelo Solidariedade e foi o quarto mais votado, com 2,1 mil votos. Teve o mandato cassado no fim de maio deste ano e, com isso, está inelegível até 2028.

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Edmar Hermany (PP) – Após cinco mandatos na Câmara, não deve concorrer este ano para dar lugar ao filho, o ex-secretário Henrique Hermany. Foi o quinto mais votado em 2016, com 2,1 mil votos.

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André Scheibler (PSD) – Após eleger-se em 2016 pelo Solidariedade, teve o mandato cassado no mês passado e, com isso, está inelegível até 2028.

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Alceu Crestani (PSD) – Elegeu-se em 2016 pelo PSDB, com 1,7 mil votos, mas teve o mandato cassado em maio deste ano. Com isso, está inelegível até 2028.

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Mathias Bertram (PTB) – Após o primeiro mandato como vereador na Câmara, para o qual foi eleito com 1,6 mil votos, ele deve concorrer a prefeito este ano.

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Hildo Ney Caspary (PP) – Vereador mais longevo da história da Câmara, onde está desde 1983, não vai concorrer este ano para apoiar um ex-assessor de seu gabinete, Edson Azeredo. Elegeu-se em 2016 com 1,6 mil votos.

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Paulo Lersch – Elegeu-se em 2016 pelo PT com 1,6 mil votos, mas acabou renunciando ao cargo e foi expulso do partido após a deflagração da Operação Feudalismo, do Ministério Público. Agora, está sem partido.

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Elstor Desbessell (PL) – Após eleger-se pelo PTB em 2016, com 1,4 mil votos, transferiu-se para o PL e será candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Helena Hermany (PP).

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Indefinido:
Carlão Smidt
(PSDB) – Foi o terceiro mais votado em 2016, quando elegeu-se pelo PTB com 2,3 mil votos, e agora é pré-candidato a prefeito pelo PSDB. Se o partido abortar a candidatura própria, porém, vai tentar um novo mandato na Câmara.

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Devem concorrer à Câmara:

Licério Agnes (PSD)
Ari Thessing (Cidadania)
Bruna Molz (Republicanos)
Luís Ruas (PSD)
Gerson Trevisan (PSDB)
Bruno Faller (PDT)

Nota: o levantamento considera apenas os vereadores que foram eleitos em 2016, não os suplentes que assumiram depois.

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