Investigação 20/02/2021 18h36

Cadernos apreendidos pela Polícia Civil revelam dados da facção Os Manos

Itens serviriam de prova para o líder Chapolin cobrar seus comandados, quando retornasse de prisão federal

A investigação que culminou na prisão de um jovem de 18 anos em ação policial na última sexta-feira, 19, remete diretamente à principal liderança da facção Os Manos em Santa Cruz do Sul e região, um homem conhecido como Chapolin.

O rapaz detido nessa sexta-feira, e que estava morando na Rua Amazonas, Bairro Bom Jesus, havia sido cooptado pela organização criminosa fazia pouco tempo e guardava em sua residência dentro de um armário, escondido sob uma pilha de roupas, um volume embalado a vácuo, que revelou-se em cinco cadernos com as principais transações da facção ao longo dos anos, bem como o nome de todos os traficantes ligados ao grupo.


De acordo com o delegado regional Luciano Menezes, este material serviria de prova para Chapolin cobrar seus comandados, quando retornasse da prisão federal onde se encontra. “O rapaz de 18 anos disse que os cadernos eram dele, comprados na internet. Ao abrirmos, verificamos que ali constava uma relação de traficantes, seus nomes e valores movimentados por cada um. Tem traficante movimentando meio milhão ou mesmo quase R$ 1 milhão”, comentou Menezes.

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O delegado lembrou da mensagem ameaçadora deixada por Chapolin em agosto de 2018, quando o criminoso foi transferido da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde cumpria pena de 86 anos, para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O áudio viralizou em grupos de WhatsApp.

Jovem de 18 anos foi preso em flagrante no Bairro Bom Jesus

“Trouxe gente de fora para botar material na região: é traição. Não pagou as contas: é traição. Me traiu, morre o traidor, mais a família junto. Só não morre criança”, disse Chapolin na mensagem. “Esses cadernos apreendidos estavam sendo guardados por determinação do líder da facção, que é o Chapolin e que está em Mossoró há mais de dois anos”, afirmou Menezes.

“Ele deixou um áudio gravado que todo mundo ouviu, dizendo que quando voltasse iria querer explicações, cobrar e prestar contas. Por isso que esse material estava sendo guardado: quando, e se, ele retornasse, para que os traficantes que ficaram aqui, tocando o mercado ilegal de drogas, prestassem contas.”

Chapolin

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A pistola que se transforma em submetralhadora

Além dos cadernos, foram apreendidos no Bairro Bom Jesus quatro quilos de drogas, sendo um de cocaína escama de peixe – a mais pura – e outros três de crack. “O valor estimado dessas drogas no mercado clandestino gira entre R$ 180 mil e R$ 200 mil”, salientou o delegado regional.

Também foram encontradas duas pistolas diferenciadas. Uma delas era uma Glock, calibre 9 milímetros, de fabricação americana, capaz de disparar rajadas e que vinha acompanhada de um kit Kriss, um dispositivo que auxilia o atirador a controlar o sentido dos disparos.

Menezes mostra Glock 9 milímetros, capaz de disparar rajadas e que vinha acompanhada de um prolongador


“É o primeiro kit do tipo que a gente apreende. O prolongador faz a pistola virar uma espécie de submetralhadora.” A outra, também uma pistola calibre 9 milímetros, possui uma cor camuflada e é de fabricação croata. Quatro balanças de precisão, quatro carregadores de pistola e 40 munições de calibre 9 milímetros também foram apreendidos na casa do jovem de 18 anos.

“É um indivíduo que foi cooptado pela facção há pouco tempo e entrou no nosso radar. Não há indício de que ele vendesse drogas na casa para consumidores. Ele era o que a gente chama na linguagem policial de mocó, sendo pago para albergar em sua residência armas, drogas e outros itens”, explicou Menezes. O rapaz foi encaminhado ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.

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