INVESTIGAÇÃO 18/03/2021 07h15 Atualizado às 20h57

Acusado de chacina em Tunas é suspeito de homicídio de mais um familiar

Polícia Civil apura circunstâncias em que morreu um tio do jovem, meses antes de ele supostamente matar pai, mãe e irmã

A poucos dias de ser encaminhado para o Poder Judiciário, o inquérito da Polícia Civil sobre o triplo homicídio ocorrido no dia 12 de fevereiro, em Tunas, aponta para uma informação que pode abrir nova linha de investigação. Jaime Schoeninger dos Santos, de 23 anos, é acusado de ter assassinado a tiros o seu pai, Adão Antunes dos Santos, 66 anos, e em seguida provocado um incêndio na casa da família, que vitimou sua mãe, Marlene Schoeninger, de 43, e sua irmã Jamile Schoeninger dos Santos, de 1 ano e 4 meses.

Nos últimos dias, porém, informações obtidas pelos investigadores colocaram Jaime como suspeito de envolvimento na morte criminosa de outro parente, que aconteceu seis meses antes da chacina na residência dos pais do rapaz. Segundo a delegada Graciela Foresti Chagas, que responde pelas delegacias de Sobradinho, Arroio do Tigre e Candelária, Jaime teria recebido 37 hectares de terra de um tio com deficiência, mediante a condição de cuidar desse parente.

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“Apuramos esse fato relevante e começamos a averiguar as condições em que morreu um tio do jovem, meses antes de ele supostamente matar pai, mãe e irmã esse parente. Depois de o suspeito ter recebido oficialmente a doação dos 37 hectares, o tio teria morrido acidentalmente em agosto do ano passado. Agora, estamos investigando quais foram as circunstâncias dessa morte, para verificar se houve homicídio ao invés de acidente”, comentou a Graciela.

Nas últimas semanas, a Polícia Civil colheu depoimentos de um frentista de um posto de combustíveis de Tunas, que vendeu a Jaime 65 litros de óleo diesel usados para queimar a residência; de um primo que teria recebido mensagens dele, relatando o incêndio, durante a madrugada; e também de um homem que teria comprado um trator do acusado – pois uma das justificativas para a compra do óleo diesel teria sido o abastecimento desse veículo, que já nem estaria mais com o rapaz.

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Quebra de sigilo bancário

A Polícia Civil aguarda a autorização do Judiciário para a quebra de sigilo bancário nas contas de Jaime Schoeninger dos Santos. “Temos a informação de que ele também teria feito um seguro em nome do pai, no qual ele seria beneficiário. Por isso pedimos essa quebra de sigilo, para podermos nos certificar dessa possibilidade”, comentou a delegada Graciela Chagas.

De acordo com a responsável pelas DPs de Arroio do Tigre, Sobradinho e Candelária, o acusado disse ter pensado em se entregar em algumas oportunidades, quando avistou viaturas da polícia na região de Espumoso. O crime poderá ser enquadrado como homicídio triplamente qualificado, pela motivação torpe, pelo uso de meio cruel – com o incêndio – e também pela premeditação.


“Com a compra do óleo diesel dias antes, fica bem claro que ele premeditou o crime. Apuramos também que não se sustenta a tese dele de possível legitima defesa, pois foi o primeiro a alvejar o pai e seguiu descarregando a arma, mesmo com seu parente já estando caído, sem apresentar risco pra ele”, salientou Graciela Foresti Chagas.

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Santos comprou galões de óleo em posto de combustíveis, dias antes do crime | Divulgação Polícia Civil

Patrimônio chega a R$ 2 milhões

Até então em prisão temporária, desde essa quarta-feira, 17, Jaime Schoeninger dos Santos passou a cumprir prisão preventiva no Presídio Estadual de Sobradinho. O pedido de preventiva, encaminhado pela delegada Graciela Foresti Chagas, recebeu parecer favorável do Ministério Público e foi atendido pelo Poder Judiciário.

O somatório do patrimônio do acusado, conforme apurado pelos investigadores, chega a R$ 2 milhões em propriedades, que vão desde a herança adiantada pelos pais em vida até os 37 hectares recebidos do tio para cuidá-lo. “O pai havia se tornado um empecilho para ele. O acusado estava gastando altas quantias de dinheiro em casas de prostituição da região, de R$ 7 mil a R$ 10 mil por mês, e tinha o projeto de ele próprio abrir uma casa de prostituição em Tunas, contrariando os pais e a família, que se tornaram um obstáculo para esse modo de vida. Isso se tornou a motivação do crime”, afirmou a delegada.

Segundo Graciela, na noite do incêndio, Jaime teria permanecido no local aguardando a residência ser consumida pelas chamas durante um período. “Com certeza, ele ouviu os gritos de socorro da mãe, que estava trancada na casa com a irmã. Mas ficou lá para se certificar de que elas morreriam. Depois foi a uma casa de prostituição em Espumoso, retornou e acompanhou a retirada dos corpos da cena do crime, voltou e teve relação com outras duas mulheres, depois com mais uma terceira. Isso denota uma frieza anterior à prática do crime e também posterior, sem demonstrar abalo em momento algum”, complementou a delegada.

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