Dicas 01/10/2018 23h10 Atualizado às 10h06

Está indeciso? Confira dicas para definir o seu voto

Especialistas falam sobre como escolher seus candidatos de forma consciente e de acordo com suas convicções

É no próximo domingo, 7, que os brasileiros voltarão às urnas para eleger presidente, governador, deputados e senadores. E apesar do pouco tempo, as pesquisas indicam que o percentual de eleitores indecisos – sobretudo quanto às eleições para Câmara e Senado, que estão em menor evidência – é muito grande. Fatores como o desencanto generalizado da população em relação à política e o fato de praticamente todos os principais partidos estarem envolvidos em escândalos favorecem a situação.

Com a ajuda de especialistas, a Gazeta do Sul montou um guia para ajudar o leitor a fazer um voto consciente e coerente com suas próprias convicções. Além de orientar sobre o que é importante levar em consideração, também apontamos ferramentas e fontes de informações.

OS SETE PASSOS

Busque alguém que te respeita

Elegemos políticos para serem nossos representantes na esfera pública, portanto é natural escolhermos pessoas cujas ideias estão de acordo com o que acreditamos. Por isso, é importante buscar informações que indiquem qual o perfil daquele candidato e verificar se esse perfil está de acordo com o que se espera de um representante. Ele pertence a um partido de direita ou esquerda? Tem um discurso radical ou moderado? Qual sua posição sobre pautas que eu considero as mais importantes? O que ele pensa sobre temas controversos – política econômica, reforma da Previdência, legalização de drogas, aborto – bate com o que eu penso? Caso ele já tenha ocupado algum cargo público antes, como se posicionou em discussões polêmicas? Entrevistas à imprensa e declarações públicas – em redes sociais, por exemplo – são ótimas fontes para isso. E lembre-se: se você votar em alguém sem saber o que ele pensa, a chance de se decepcionar com alguma posição depois é maior.

Segundo o cientista político Marcus Ianoni, devido à atual situação do País e às dificuldades enfrentadas pelos estados, é fundamental prestar atenção na visão do candidato sobre a economia. “Por exemplo: o eleitor espera mais serviços públicos ou espera mais medidas para favorecer a privatização dos serviços públicos?”, observa.

Preste atenção no histórico

Conhecer a trajetória do candidato é imprescindível. Qual sua formação? Tem alguma outra atividade ou vive da política? Qual seu patrimônio? Quem financia suas campanhas? Já esteve em outros partidos? Já ocupou algum cargo político? O que já fez em benefício da sociedade?

Vale lembrar que o histórico de um candidato não se resume à sua atividade pública. É comum pessoas ingressarem na política após militarem em movimentos sociais, sindicatos ou entidades de classe. Rastrear esse passado é fundamental para saber o que e quem o candidato defende.

No portal DivulgaCandContas, há várias informações sobre os candidatos. Já no Vote na Web, é possível consultar os projetos apresentados e aprovados por candidatos.

Ficha limpa ou ficha suja?

Diante da necessidade urgente de moralização da política, é importante observar se o candidato já esteve envolvido com alguma irregularidade. Ele sofre algum processo por improbidade administrativa ou crime contra o patrimônio público? Já sofreu alguma condenação?

O cientista político Leandro Machado ressalta que o simples fato de alguém responder a um processo não significa que ele não seja merecedor de voto. “Mas é preciso, como cidadão, olhar se o candidato tem alguma relação com corrupção no currículo”, conclui.

Nos sites dos órgãos do Poder Judiciário, é possível descobrir, apenas com o nome dos políticos, se eles são réus em alguma ação e se já sofreram condenações. Mas também é possível consultar ferramentas como o site Ranking dos Políticos e o aplicativo de celular Detector de Corrupção. Há opção para baixar em Android e iOS.


Analise as propostas

Também é fundamental avaliar o que o candidato propõe para a função que pretende exercer. Não é incomum que eles façam apenas promessas genéricas, como “vou lutar pela saúde”. Mas é preciso verificar se há alguma proposta concreta. No caso de candidatos a presidente e governador, é possível consultar os planos de governo no DivulgaCandContas, além de conferir as entrevistas concedidas por eles. No caso de deputado e senador, vale consultar o que dizem os materiais de campanha, incluindo as páginas oficiais em redes sociais.

Para analisar se as propostas são boas, é preciso levar em conta algumas coisas. Uma delas é se a proposição está dentro dos limites de atuação do cargo pleiteado. Um deputado, por exemplo, não pode construir hospitais ou colocar mais policiais nas ruas, pois isso está fora de sua alçada. Outra questão é se as propostas estão dentro da lei e, principalmente, se o candidato explica como vai viabilizá-las. Vale lembrar que aumentos salariais, grandes obras e altos investimentos exigem recursos que, muitas vezes, o poder público não tem. Na plataforma Vote Consciente, desenvolvida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é possível saber mais sobre quais são as atribuições de cada cargo.

Voto útil? Será?

Sobretudo em eleições polarizadas, é natural os eleitores serem induzidos pelo resultado de pesquisas a fazerem o chamado voto útil – ou seja, deixar de votar em seu candidato favorito para votar em quem tem mais chance de derrotar o candidato que não gosta. Essa tendência é comum em segundos turnos de eleições majoritárias, mas vem sendo apontada como um possível fator decisivo para o resultado do primeiro turno da disputa presidencial deste ano.

Embora isso não deva ser a regra, o cientista político Marcus Ianoni entende que há momentos em que essa avaliação deve ser feita pelo eleitor. “Há situações em que o eleitor pode precisar avaliar se é mais vantajoso votar no candidato de sua preferência, mesmo que ele não tenha condições de vencer, ou votar no candidato que, embora não se aproxime tanto de sua preferência, pode precisar de seu voto para evitar a vitória de um candidato muito distante das preferências do eleitor”, afirmou.

Use a tecnologia

Como pesquisar sobre a vida e o perfil de cada candidato pode ser trabalhoso, uma alternativa é buscar ajuda na tecnologia. Hoje, existem diversas ferramentas que ajudam os eleitores a encontrar candidatos que atendam aos seus critérios.

Uma delas é o Tem Meu Voto, uma plataforma inspirada em aplicativos de relacionamento como o Tinder. Quando acessa, o eleitor responde a seis perguntas. O sistema, então, cruza as respostas do eleitor com o perfil dos candidatos e apresenta uma relação dos nomes que mais se aproximam do que o eleitor quer, com porcentagens.

Outras ferramentas disponíveis também são interessantes. Pelo aplicativo Appoie, por exemplo, é possível descobrir quem são os candidatos que podem ser eleitos na “carona” de outros. Já no Bússola Eleitoral, o eleitor preenche um questionário com seus valores e prioridades e, com isso, tem acesso a um mapa com informações sobre propostas e perfis dos concorrentes.

Cuidado com as notícias falsas!

O volume de informações de baixa qualidade sobre candidatos e partidos circulando em redes sociais e grupos de WhatsApp é enorme nesta eleição. Então, é preciso estar atento para não basear o voto em alguma notícia falsa. Quando receber alguma mensagem duvidosa, preste atenção em alguns aspectos, como: a origem da informação (quem escreveu, onde foi publicada) está clara? Essa informação foi publicada em algum outro lugar? Caso envolva alguma denúncia, há dados concretos (documentos, fotos, vídeos) ou apenas o boato?