Os indicados 30/11/2018 23h33 Atualizado às 06h57

Governo de transição: quem é quem no governo Bolsonaro

Presidente eleito disse que falta pouco para concluir montagem de equipe. Previsão é de que total de pastas chegue a 22

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nessa sexta-feira que sua equipe ministerial já está quase completa. Ao falar à imprensa em Guaratinguetá, no interior paulista, ele disse que só faltavam mais dois nomes. “Faltam dois ministérios ainda, pode ser que haja mais dois militares. Não sei ainda, tá ok?”, ressaltou após participar da formatura de sargentos da Força Aérea.

No entanto, mais tarde, falou que ainda não tinha certeza de quantos nomes vão compor a Esplanada a partir de 2019. Inicialmente, o presidente eleito projetou 15 ministérios, mas nos últimos dias afirmou que devem chegar a 22, sete a menos em relação ao número atual.

Ao ser perguntado sobre se abrirá vagas para aliados, respondeu: “Os cargos de ministério estão se esgotando.” Com o anúncio do almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior para o Ministério de Minas e Energia, até o momento, são 20 pastas – algumas com status de ministério em razão da função estratégica que desempenham –, sete sob o comando de militares.

Bolsonaro defendeu a indicação de integrantes das Forças Armadas. “Eu estou escolhendo militares não por serem militares, é pela sua formação e aquilo que fez ao longo da sua vida enquanto estava na ativa”, destacou.
Sobre Albuquerque Júnior, por exemplo, o presidente eleito disse que foi escolhido não só pelo currículo, como pela disposição ao trabalho. “Só ver o currículo dele. É físico, tem conhecimento do assunto. É uma pessoa honrada e está com muita vontade para buscar soluções para questões graves que nós temos pela frente, entre elas a questão de energia. Não podemos esperar o novo apagão para tomar providências”, disse em Guaratinguetá.

Um dos nomes que ainda devem ser escolhidos é para a pasta do Meio Ambiente. “Meio Ambiente tem cinco nomes, todos eles excepcionais. O que nós queremos é uma política ambiental para preservar o meio ambiente, mas não de forma xiita como é feito atualmente”, disse sobre a seleção que está sendo feita para a pasta.
Bolsonaro enfatizou ainda que as escolhas não estão necessariamente vinculadas ao apoio na campanha ou no Congresso Nacional. “Não fiz campanha prometendo nada para ninguém”, enfatizou.

Mesmo assim, o futuro presidente disse estar confiante que terá apoio parlamentar. “Vários líderes já disseram que estão conosco. A nossa agenda não é de sacrifício para o povo, é para tirar o País da situação que se encontra. Eu duvido líder partidário responsável ser contra nossa proposta.”

Indicação de Damares gera mal-estar

Na composição do governo, Jair Bolsonaro provocou mal-estar no setor evangélico. Depois de rejeitar nomes defendidos pela bancada para a pasta de Cidadania, Bolsonaro convidou a advogada e pastora Damares Alves para chefiar o novo Ministério de Direitos Humanos, Família e Mulheres.

O detalhe é que Damares é assessora lotada no gabinete do senador e candidato derrotado à reeleição Magno Malta (PR-ES), um dos políticos mais próximos de Bolsonaro na campanha, que espera um convite para compor o primeiro escalão.

Para boa parte dos 88 deputados federais e quatro senadores da bancada evangélica, a escolha de Damares “atravessou” os líderes do grupo e foi uma “afronta” e “ingratidão” a Magno Malta. O nome de Damares na lista de cotados para assumir uma pasta foi divulgado pela revista digital Crusoé na tarde de quinta-feira. Auxiliares da equipe de Bolsonaro disseram que a própria Damares teria demonstrado desconforto quando recebeu o convite do presidente eleito na última quarta-feira no CCBB, sede do governo de transição. Ela ainda não foi confirmada oficialmente.  

Para integrantes da bancada evangélica, qualquer convite a Malta a partir de agora é tardio e não deveria ser aceito por uma questão de bom-senso. Não se cogita, porém, rompimento. Magno Malta enfrenta forte resistência do núcleo militar do governo de transição. Os generais da reserva que compõem o grupo reiteraram a Bolsonaro que o senador não agrega à equipe ministerial.  Pessoas próximas de Malta avaliam que o senador se desdobrou na campanha de Bolsonaro, especialmente depois do atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro, que o tirou das ruas.

Os escolhidos

Foto: Divulgação

Economia

Paulo Guedes
Um dos primeiros nomes indicados para o alto escalão do governo é o do economista Paulo Guedes. Conselheiro de Bolsonaro, ele vai ficar com o superministério da Economia, que resulta da fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e de Indústria e Comércio exterior. É formado pela Universidade de Chicago e ganhou o apelido de “posto Ipiranga”, pois seria capaz de resolver qualquer pendência.

 

Foto: Divulgação

Casa Civil
Onyx Lorenzoni

Em uma das poucas atividades fora da agenda política, Bolsonaro saiu de casa para acompanhar a cerimônia de casamento do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) no último dia 22, em Brasília. A presença do presidente eleito mostra o prestígio que o gaúcho, que está no sexto mandato, tem junto ao novo presidente. Não é para menos. Lorenzoni será o elo de Bolsonaro com o Congresso. Admitiu ter recebido caixa dois da JBS na campanha de 2014, mas a investigação foi arquivada.

 

Foto: Divulgação

Justiça e Segurança Pública
Sérgio Moro

Juiz da Lava Jato que condenou o ex-presidente Lula por corrupção, o juiz federal Sérgio Moro trocou a carreira de 22 anos na magistratura para integrar o governo. Apesar de ter afirmado que jamais entraria na política, Moro aceitou o convite para assumir a pasta da Justiça e Segurança Pública. Também passou a atuar junto da equipe de transição e já chamou alguns dos delegados que estiveram com ele na força-tarefa da Lava Jato.

 

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Segurança Institucional

Augusto Heleno
Considerado o principal estrategista do presidente eleito, o general Augusto Heleno foi o primeiro militar confirmado para o governo. Ele, que comandou a missão de Paz no Haiti, inicialmente foi anunciado como ministro da Defesa. Mas para ter o aliado mais perto, Bolsonaro mudou de planos e promoveu o Gabinete de Segurança Institucional a ministério. Heleno será responsável por todas as atividades de inteligência na gestão.

 

Foto: Divulgação

Defesa
Fernando Azevedo e Silva

Também militar, o general já tem experiência no meio político. Foi assessor legislativo do Exército, autoridade pública olímpica no governo de Dilma Rousseff (PT), ajudante de ordem do ex-presidente Fernando Collor e também assessor especial do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Ao ser indicado, nomeou como futuros comandantes das forças os oficiais mais antigos de cada corporação – Exército, Aeronáutica e Marinha.

 

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Secretaria-Geral da Presidência

Gustavo Bebianno
Escolhido para cuidar da campanha vencedora, o advogado que até então não tinha experiência política logo se destacou no cenário nacional. Bebianno assumiu a presidência do PSL no lugar de Luciano Bivar, que concordou em ceder o posto depois que Bolsonaro se filiou ao partido. Sua atuação foi considerada positiva, sobretudo diante do controle que teve em boa parte dos diretórios regionais. Ele será o responsável pela espécie de “prefeitura” do Palácio do Planalto.

 

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Relações Exteriores
Ernesto Araújo

Natural de Porto Alegre, o embaixador Ernesto Araújo é simpatizante da linha política do presidente americano Donald Trump e chegou ao topo da carreira sem nunca ter ocupado uma função de relevância no exterior. Antes de ser indicado, ocupava o cargo de terceiro escalão no organograma do Itamaraty. Graças a um blog que mantém com discurso semelhante ao do presidente eleito, foi alçado ao posto. Ele terá, entre suas atribuições, orientar na decisão de trocar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

 

Foto: Divulgação

Ciência e Tecnologia
Marcos Pontes

Primeiro astronauta brasileiro e tenente-coronel da reserva da Aeronáutica, Marcos pontes é outro nome da cota militar no Planalto. Desde o período de campanha era apontado como natural ocupante do ministério em função da afinidade com o então candidato Bolsonaro. Causou polêmica ao lançar a ideia de que o ensino superior passasse a ser administrado por sua pasta, mas diante das reações contrárias, recuou da proposta.

 

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Infraestrutura
Tarcísio Gomes de Freitas

Consultor legislativo, vai comandar uma pasta responsável pelos setores de transporte aéreo, terrestre e aquaviário. Tarcísio Freitas foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura Transporte (Dnit). Já atuou como chefe da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão de Paz da ONU, coordenador-geral de Auditoria da Área de Transportes da Controladoria-Geral da União (CGU) e foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), cargo para o qual foi nomeado ainda no governo Dilma Rousseff, em 2011.

 

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Secretaria de Governo

Carlos dos Santos Cruz
Natural de Rio Grande, no Sul do Estado, o general será o interlocutor de Bolsonaro para assuntos relacionados à segurança pública. Em sua carreira militar, chefiou missões de paz no Haiti e no Congo. Esta é a primeira vez que um militar vai desempenhar o papel de articulador político, outra pasta considerada vital para as pretensões do futuro governo.

 

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Banco Central

Roberto Campos Neto
O economista, de 49 anos, vai comandar o Banco Central. Executivo do banco Santander e neto do ex-ministro Roberto Campos, Campos Neto é formado em Economia, com especialização em finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

 

Foto: Divulgação

Saúde

Luiz Henrique Mandetta
Investigado sob suspeita de fraude quando foi secretário de Saúde de Campo Grande (MS), o médico ortopedista e deputado federal do DEM, Luiz Henrique Mandetta, ficará responsável pela gestão de recursos da Saúde. A área é uma das mais visadas do governo, sobretudo diante de temas como a manutenção de serviços de atenção básica e investimentos em melhorias hospitalares.

 

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Educação

Ricardo Vélez
Colombiano naturalizado brasileiro, o filósofo é um crítico do PT e também do sistema de ensino do Brasil. Foi alçado ao ministério depois da reação contrária da bancada evangélica a Mozart Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna. Favorável ao projeto Escola Sem Partido, Vélez está entre os indicados pelo escritor Olavo de Carvalho, um dos ideólogos de Bolsonaro. Em suas publicações, defende a adoção de novas políticas de ensino no País.

 

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Agricultura
Tereza Cristina

Única mulher até então confirmada para o governo, a deputada federal do DEM Tereza Cristina foi indicada pela bancada ruralista. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, passou a apoiar a candidatura de Bolsonaro na reta final da campanha. É investigada por conceder benefícios fiscais à JBS no período em que foi secretária estadual no Mato Grosso do Sul.

 

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Minas e Energia
Bento Albuquerque Júnior
O almirante-de-esquadra assumirá o Ministério de Minas e Energia. Ele é atualmente diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha. Foi anunciado nessa sexta-feira. Sua nomeação é vista como um caminho para fortalecer o desenvolvimento da tecnologia nuclear no País. Passou os últimos dois anos integrando áreas de tecnologia que estavam descentralizadas e passou a se concentrar no projeto do submarino de propulsão nuclear que tem sido desenvolvido pelo Brasil, em parceria com a França.  

 

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Cidadania
Osmar Terra

Outro gaúcho no Planalto será o ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Temer, Osmar Terra. Ele assumirá o Ministério da Cidadania, que vai fundir as atribuições dos ministérios do Esporte e da Cultura, além da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), vinculada atualmente ao Ministério da Justiça. A pasta será responsável por programas como o Bolsa Família. Ao ser indicado, Terra prometeu um 13º aos beneficiários do programa.

 

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Turismo
Marcelo Álvaro Antônio

O deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL) será responsável pelo estímulo ao turismo no Brasil. Ele está no segundo mandato e foi o deputado mais votado de Minas Gerais nas últimas eleições, com mais de 230 mil votos. É integrante da frente parlamentar evangélica no Congresso.

 

Foto: Divulgação

Controladoria-Geral da União

Wagner Rosário
Atual ministro da Transparência do governo Temer, é técnico de carreira. Formado em ciências militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, a mesma de Bolsonaro, abandonou a carreira no Exército para se tornar auditor federal.

 

Foto: Divulgação

Desenvolvimento Regional
Gustavo Canuto

Atual secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional vai assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional. A pasta sob o comando de Gustavo Canuto deve agregar as atuais atribuições dos ministérios da Integração Nacional e das Cidades, além de assumir programas importantes como Minha Casa Minha Vida, de habitação, e ações relacionadas a obras contra a seca e infraestrutura hídrica.

 

Foto: Divulgação

Advocacia-Geral da União
André Luiz de Almeida Mendonça

O advogado André Luiz de Almeida Mendonça foi chamado para chefiar a Advocacia-Geral da União (AGU). Pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília, Mendonça é pós-graduado em Direito pela UnB.

O que falta

O presidente eleito deve ainda anunciar o escolhido para o Meio Ambiente, que tem motivado acaloradas discussões no gabinete de transição em Brasília. Bolsonaro ainda analisa se mantém como ministérios Trabalho e Indústria e Comércio. Apesar de ser dada como certa, Damares Alves se disse surpresa com a indicação. O futuro governo ainda poderá ter mais um general na equipe. Indicado pelo vice-presidente eleito, o também general Hamilton Mourão, Marco Aurélio Costa Vieira pode assumir a área de Esportes, que perderá status de ministério no futuro governo e será incorporada à pasta da Cidadania. A previsão é de que até o fim da próxima semana os demais nomes sejam confirmados.