Presidência 23/01/2019 16h27 Atualizado às 16h40

Bolsonaro cancela coletiva de imprensa em Davos

Ministro do GSI, Augusto Heleno, disse que a decisão está relacionada à agenda pesada e ao cansaço do presidente

O presidente Jair Bolsonaro cancelou, na tarde desta quarta-feira, 23, a coletiva de imprensa que daria para jornalistaa em Davos, às 16 horas local (13 horas de Brasília). A confirmação do cancelamento foi feita pela organização do Fórum Econômico Mundial de Davos, depois de 15 minutos de atraso para começar a atividade, que contaria com a participação de Bolsonaro e dos ministros Sergio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Num primeiro momento, surgiu a informação de que o presidente não viria mais e que os ministros seriam encarregados de falar com os jornalistas. Depois, que a entrevista teria sido cancelada por completo. Além disso, existiam rumores extraoficiais de que a coletiva foi suspensa porque o governo estaria insatisfeito com a cobertura da imprensa durante o Fórum. 

Ao anunciar o cancelamento, os organizadores do Fórum disseram que não saberiam informar os motivos que levaram à não-realização da conferência e pediu aos jornalistas que obtivessem informação diretamente com o governo brasileiro.

‘Respiradinha’

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, atribuiu à agenda pesada e ao cansaço a decisão do presidente Jair Bolsonaro de cancelar pronunciamento conjunto no Fórum Econômico Mundial de Davos. “A agenda é pesada. A diferença acaba influindo. Ele já não dorme muito bem, de muito tempo, não é de hoje. Se der uma chancezinha às vezes ele dorme no carro porque a programação é cansativa”, explicou o general, depois de o presidente ter retornado ao hotel.

Segundo Augusto Heleno, não “há nada além disso” com o presidente. O ministro disse que os encontros do presidente em Davos têm sido ótimos e o almoço desta quarta foi bastante produtivo. “Não tem nada que possa ter levado ele a sair com pressa. Ele precisava dar uma respiradinha para continuar na programação”, disse.

O ministro também negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha ficado incomodado com as críticas ao seu discurso na abertura, na terça-feira, do Fórum Econômico Mundial. Segundo ele, o governo já tinha ideia de que haveria críticas em relação à duração curta do discurso. "É sempre assim. Se o discurso for longo, se estendeu demais, tinha gente dormindo na plateia. Se é curto, deixou de dar detalhes.”

Heleno ainda negou que o comportamento da imprensa tenha incomodado o presidente. Questionado por um repórter sobre o fato de antes da entrevista o próprio general ter dito que o comportamento da imprensa incomodava, o ministro admitiu que sim. “De vez em quando incomoda. É óbvio que incomoda. Vocês não sabem por que o comportamento da imprensa às vezes incomoda? Incomoda todo mundo. Vocês são profissionais.”