Tensão na base 08/03/2019 23h44 Atualizado às 08h37

Telmo Kirst reage e demite CCs de aliados

Indicados do PP, MDB e PDT foram exonerados após votação de veto do Palacinho na última sessão da Câmara de Vereadores

O desconforto no grupo governista em Santa Cruz do Sul aumentou após o prefeito Telmo Kirst (PP) determinar a demissão de pessoas ligadas a vereadores aliados que votaram contra um veto do Palacinho na última sessão da Câmara. Indicados do MDB, PDT e até do PP foram atingidos.

As exonerações ocorreram na quinta-feira, um dia após a votação. O veto em questão era referente a um projeto de lei de Alex Knak (MDB) que garantia descontos de IPTU para proprietários de imóveis que adotassem práticas sustentáveis, como instalação de cisternas e equipamentos de captação de energia solar. O governo entendeu que a proposta era inconstitucional, mas só conseguiu evitar a derrubada do veto graças a dois votos na oposição. Na base aliada, além de Knak, votaram contra Bruno Faller (PDT) e dois vereadores progressistas, Edmar Hermany e Hildo Ney Caspary.

Além dos votos, irritaram o governo pronunciamentos de Knak durante a sessão. O emedebista criticou o que chamou de “sobreposição do Executivo” sobre a Câmara e chegou a ironizar o slogan oficial do Município, criado na gestão de Telmo. “Esse era um momento de dizer que ‘viver aqui é bom demais’. Mas infelizmente o prefeito vetou”, disse. Apenas no ano passado, Knak teve nove projetos de sua autoria vetados por Telmo e já havia sofrido retaliações do prefeito quando votou contra o projeto que restringiu o pagamento de auxílio-alimentação aos servidores municipais, em julho.

O episódio se soma a uma série de desalinhos entre Telmo e parte de seus apoiadores nos últimos meses. Em dezembro, o prefeito articulou uma aliança com a oposição para derrubar um acordo que havia sido firmado na base governista para eleger Knak presidente da Câmara em 2019 – o que era um movimento estratégico para ele, que pretende concorrer a prefeito no ano que vem.

Na ocasião, os únicos vereadores que não seguiram o Palacinho foram justamente os quatro que agora votaram contra o veto. Já na semana passada, houve a demissão do ex-secretário Henrique Hermany, que pediu para sair e expôs o desgate na relação de Telmo com o PP. Após a saída de Henrique, ele e Telmo chegaram a trocar provocações na imprensa.

Dentre os quatro demitidos estão dois integrantes da executiva do PP e o ex-presidente do MDB, Roberto Moura. Ainda na quinta-feira, eles começaram a sair do grupo de WhatsApp dos CCs. Procurado, o Palacinho alegou que “exonerações de CCs são comuns” e que não comentaria as baixas.

OS DEMITIDOS

Robson Werlang de Moura
Onde atuava: Secretaria de Segurança, Defesa Civil e Esporte
Quem é: tesoureiro do PP, é ligado a Henrique Hermany

Natiele Fassbinder dos Passos
Onde atuava: Secretaria de Habitação
Quem é: secretária do PP, indicada pela família Hermany

Roberto Augusto de Moura
Onde atuava: Secretaria de Saúde
Quem é: ex-presidente do MDB, ingressou na cota do partido

Eloisa Andreia Lopes
Onde atuava: Secretaria de Fazenda
Quem é: filiada ao PDT, é irmã de um assessor do vereador Bruno Faller

AS REAÇÕES

Foto: Banco de Imagens

“É uma política que não condiz com a minha” - Alex Knak (MDB) 

Alex Knak (MDB) alegou desconhecer os motivos da demissão de um aliado e defendeu sua postura na análise do veto. “Tenho autonomia e fui eleito para defender os interesses da população. Sempre vou defender os meus projetos”, disse. Questionado se encarava o ato de Telmo como retaliação, afirmou: “Se foi, é uma política que não condiz com a minha.”

 

Foto: Banco de Imagens

“Causa estranheza” - Bruno Faller (PDT) 

Bruno Faller (PDT) afirmou que a demissão de uma aliada “causa estranheza” e que pretende procurar o governo para entender os motivos do ato. Alegou ainda que seu voto se deu por conta de haver precedentes de decisões judiciais que contradiziam os argumentos do governo em relação ao projeto do desconto no IPTU para quem adota práticas sustentáveis.

 

Foto: Banco de Imagens

“Os CCs são do prefeito” - Henrique Hermany (PP)

Já o presidente do PP, Henrique Hermany, disse que a decisão sobre manter ou não os indicados nos cargos cabe apenas ao prefeito. “Os CCs são cargos de confiança do prefeito, não do partido. Quem admite e demite é ele”, alegou. Henrique afirmou ainda que o partido não possui sanha por cargos no Executivo e disse que os aliados exonerados são “pessoas extremamente competentes”.