Política 01/08/2019 23h27 Atualizado às 06h53

A estratégia de Telmo Kirst com a filiação ao PSD

Prefeito de Santa Cruz do Sul confirma neste sábado filiação à sigla, que é a quarta a lhe garantir apoio para as próximas eleições

Um partido sem nomes de peso em âmbito local e sem representação na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, mas que possui uma expressão relevante no cenário político nacional, foi o destino escolhido pelo prefeito Telmo Kirst, um mês e meio após sua saída do PP. Com isso, Telmo, que se aproxima da reta final de seu segundo mandato e se articula abertamente para fazer o sucessor, segue a estratégia de agregar um grupo grande de siglas de pequeno e médio porte em sua órbita.

O ingresso de Telmo no PSD foi revelado na manhã dessa quinta-feira, com exclusividade no Portal Gaz. Até então, ele vinha mantendo discrição sobre essas articulações, que conduziu pessoalmente com o deputado federal Danrlei ao longo do último mês. O ato de filiação, que estava previsto para ocorrer nesta sexta, em Porto Alegre, foi transferido para 11h30 deste sábado, no Restaurante Gruta dos Índios. Líderes estaduais do PSD, como a presidente Letícia Boll, Danrlei e o deputado estadual Gaúcho da Geral, são aguardados.

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Desde que o prefeito anunciou a saída do PP, houve muitas especulações sobre qual seria o seu futuro. Como está rompido com a maior parte das grandes legendas que o apoiaram em 2012 e 2016, já havia a expectativa de que ele acabasse em um partido menos expressivo em nível local.

Essa impressão aumentou quando, nas últimas semanas, Telmo começou a anunciar uma série de acordos com legendas que lhe asseguraram apoio para o ano que vem. Foi assim com PRB, PSL e, mais recentemente, o DEM. Destes, apenas o PRB estava na coligação de Telmo em 2016. Assim como o DEM, o PSD apoiou a candidatura de Sérgio Moraes (PTB), que foi derrotado por Telmo nas urnas.

A estratégia de Telmo Kirst é clara: embora tenham pouca densidade eleitoral em Santa Cruz, todos esses partidos estão entre as dez maiores bancadas da Câmara dos Deputados e, com isso, vão garantir ao futuro candidato a prefeito um tempo considerável no horário eleitoral gratuito de TV e rádio. Além disso, como são partidos que não possuem “caciques”, ao agregá-los ele assume em definitivo o controle de sua sucessão.

Tudo indica que Telmo deve articular, a partir de agora, a migração de pessoas para esses partidos, como já vem fazendo desde o ano passado. No seu núcleo mais próximo, há vários quadros com futuro partidário incerto e que devem participar das eleições do ano que vem – como os secretários de Saúde, Régis de Oliveira Júnior (que deixou o PP junto com Telmo); de Políticas Públicas, Guiomar Machado (que deixou recentemente o PTB); e de Transportes, Gérson Vargas (sem partido), além dos ex-vereadores Nasário Bohnen e Marcelo Diniz. Segundo fontes ligadas ao Palacinho, o prefeito também tem conversas em andamento com outros partidos.

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“É uma honra”

Procurada na noite dessa quinta, a presidente do PSD no Rio Grande do Sul, Letícia Boll, classificou como uma honra para o partido a filiação de Telmo Kirst. “É uma honra recebê-lo, por toda sua história e trabalho politico”, afirmou. Com o empurrão de Telmo, a sigla espera eleger vereador no ano que vem.

O PSD será o terceiro partido de Telmo em toda a sua carreira. Pelo PP, onde esteve por mais de 40 anos, disputou 12 eleições, incluindo as duas campanhas vitoriosas para prefeito. Em 2005, quando cumpria mandato de deputado estadual, migrou para o MDB. Retornou ao PP em 2011.

QUEM ESTÁ COM TELMO

Veja quais partidos já garantiram apoio em 2020

PSL – Partido do presidente Jair Bolsonaro, tem a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados atualmente. Na semana passada, Telmo anunciou intenção de dar uma secretaria municipal ao PSL, mas isso ainda não se confirmou porque alas internas da sigla são contrárias à ocupação de cargos no governo.

PSD – Quinta maior bancada da Câmara, chegou a fazer parte do governo Telmo Kirst no primeiro mandato, mas depois deixou a base e apoiou Sérgio Moraes (PTB) na eleição de 2016.

PRB – Oitava maior bancada da Câmara, vem ganhando espaço no governo Telmo desde o ano passado. Está à frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com Raul Fritsch.

DEM – Décima maior bancada da Câmara, apoiou Sérgio Moraes (PTB) em 2016, mas ingressou na base de Telmo no ano passado. É o partido que ocupa mais secretarias no governo atualmente: Fazenda (Zeno Assmann), Segurança (Delsio Meyer) e Cultura (Edemilson Severo).


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