Santa Cruz 13/08/2019 07h11 Atualizado às 15h23

Câmara acolhe veto do prefeito à instalação de câmeras nas escolas; entenda

Apesar de acirrada, votação acabou por acatar o veto da Administração Municipal ao projeto de Alex Knak

A Câmara de Santa Cruz acolheu nessa segunda-feira, 13, mais um veto do prefeito Telmo Kirst (PSD), referente ao projeto de lei que tornava obrigatória a instalação de câmeras de videomonitoramento nas escolas da rede municipal, considerado inconstitucional pelo governo.

Mas foi por pouco: a votação terminou empatada em 8 a 8 e foi preciso o voto de minerva de Gerson Trevisan (PSDB), que é o líder de governo e presidiu a sessão dessa segunda devido à ausência da titular Bruna Molz (PTB), afastada por motivo de saúde.

O acolhimento se deu apesar de dois pareceres recomendarem que o veto fosse derrubado, um da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e outro da assessoria jurídica da Câmara. Além disso, uma lei idêntica aprovada pela Câmara do Rio de Janeiro foi reconhecida como constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2016.

Para o autor do projeto, Alex Knak (MDB), trata-se de um “veto político”. “Não seria uma vitória deste vereador, mas uma vitória deste Poder, que tem um custo altíssimo e tem, sim, a função de legislar”, comentou.

Após a votação, Hildo Ney Caspary (PP) afirmou estranhar o posicionamento de Trevisan, que é ligado à causa da segurança, e pediu a ele que interceda junto ao governo para que instale câmeras junto às escolas. “O senhor vem sacrificando suas posições por ser líder de governo. Sei que isso não é fácil”, disse.

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Polêmica no plenário

Pouco mais de um mês depois de assumir como suplente pela última vez, a secretária municipal de Políticas Públicas, Guiomar Machado, retornou à Câmara de Santa Cruz nessa segunda. E, mais uma vez, foi reprimida duramente pelo líder da bancada de seu antigo partido, o PTB. No dia 8 de julho, Mathias Bertram havia pedido que Guiomar se abstivesse de ocupar a cadeira de vereadora, já que não é mais filiada ao PTB.

Irritado ao se deparar com Guiomar no plenário, Mathias não poupou palavras na tribuna. Disse que a ex-colega “não é bem-vinda” na Câmara e que ela estaria ali “a mando de alguém”, graças a uma “manobra do governo” para garantir votos a seu favor.

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Mathias chegou a dizer que a presença de Guiomar lhe causou “vontade de vomitar” e ironizou o fato de os vereadores suplentes terem direito a receber o equivalente a um quarto de salário para cada sessão de que participam. “A senhora não deve estar ganhando o suficiente como secretária. Acho que R$ 16 mil deve ser pouco, já que veio buscar mais R$ 2 mil aqui”, disparou.

Tomou as dores

A sessão terminou sem que Guiomar respondesse a Mathias – conforme já havia ocorrido na sessão de julho. Quem tomou as dores foi Ari Thessing (PT). Logo após o pronunciamento de Mathias, Thessing subiu à tribuna e disse que o líder do PTB “faltou com respeito com toda a Casa” e que sua fala foi “baixa”. “Sua reação foi desproporcional. Faltou postura de líder político”, criticou. Thessing alegou ainda que é comum governos enviarem secretários à Câmara para garantir votos.

Confira a transmissão da sessão: