SANTA CRUZ 28/09/2020 11h30 Atualizado às 07h50

Uma militância que começou cedo: conheça Jaqueline Marques, candidata à Prefeitura

Candidata do PSD a prefeita abre série especial sobre perfil e trajetória dos sete postulantes ao Palacinho

Tão logo completou 18 anos, em 1990, Jaqueline Marques de Souza correu ao cartório eleitoral para entregar a sua ficha de filiação. Filha de um ex-vereador e militante antigo do PDT em Santa Cruz, Rui Barbosa de Souza, a jovem havia crescido próxima ao universo da política, frequentando comícios e comitês e assistindo ao entra e sai de lideranças da época em sua casa. Como tudo aquilo lhe encantava, contava os dias para ter em mãos o título de eleitora.

Além de acompanhar o pai, Jaqueline muito cedo passou a trilhar a própria militância, primeiro em grêmios estudantis, depois na juventude do PDT. Antes de entrar na faculdade de Direito, passou uma temporada no exterior. Em cerca de 14 meses entre Irlanda do Norte e Inglaterra, estudou inglês e fez trabalhos voluntários.

LEIA TAMBÉM: Mulheres, pessoas mais velhas e com ensino superior: qual o perfil dos eleitores de Santa Cruz

Apesar da paixão pela política – manteve-se ativa mesmo durante um período em que morou em Santa Catarina –, a disposição para concorrer só surgiu em 2014, quando disputou uma vaga de deputada federal após seu pai assumir a presidência do diretório municipal pedetista. Na ocasião, fez 3,9 mil votos.

A oportunidade seguinte surgiria menos de duas semanas atrás quando, em um movimento que surpreendeu a comunidade, saiu da convenção do PSD como indicada para concorrer à sucessão do prefeito Telmo Kirst, de quem se tornou próxima após assumir a Secretaria de Educação em 2016 e que considera “um visionário”. “Ter a confiança dele para dar continuidade ao seu projeto me deixou emocionada e honrada”, conta.

LEIA MAIS: Apenas dois partidos tiveram candidato a prefeito em todos os pleitos da década atual

Também foi por fidelidade a Telmo que aceitou, em fevereiro deste ano, deixar o PDT após três décadas. A decisão foi tomada quando os pedetistas decidiram desembarcar da base aliada. “Não posso colocar objetivos partidários acima de um trabalho que estava dando resultados”, alegou. O pai permanece no PDT, mas recebeu com entusiasmo a notícia da candidatura. “Ele está muito feliz”, sorri.

Antes da faculdade de Direito, Jaqueline fez trabalho voluntário na Irlanda do Norte | Foto: Arquivo Pessoal

Uma perda trágica

Jaqueline cresceu no Bairro Goiás ao lado de um irmão mais velho e dois mais jovens – além de outros dois somente por parte de pai. Quando tinha 7 anos, viveu com a família uma experiência trágica: a perda de uma irmã em um incêndio que atingiu a residência onde moravam, na Rua Presidente Prudente de Moraes.

Era cedo da manhã e apenas as crianças estavam em casa. A própria Jaqueline acionou os pais, que conseguiram salvar o filho mais novo. O fogo, porém, impediu-os de entrar em um dos quartos para resgatar a irmã de 5 anos, que faleceu. “Foi um trauma familiar bastante grande. Mas ao mesmo tempo, nunca vi tanta solidariedade. Perdemos tudo e lembro a cidade inteira vindo nos trazer ajuda. Isso marcou muito”, emociona-se.

Do setor privado à gestão pública

Inclinada a seguir os passos do pai na advocacia, Jaqueline começou a trabalhar aos 15 anos, como estagiária em um escritório. Após formar-se em Direito, porém, acabou migrando para área de comércio exterior e fez carreira no meio empresarial, coordenando operações de importação e exportação em grandes indústrias de áreas como calçados, brinquedos e tabaco, tanto em Santa Cruz quanto em outros municípios.

Quando surgiu a oportunidade de assumir a Educação, estava há dez anos atuando como gerente em uma fumageira. Na administração pública, descobriu um mundo novo. “Eu me encantei com a área pública. Foi talvez a experiência mais incrível da minha trajetória profissional”, conta.

Ao todo, foram mais de quatro anos de atuação na Smec – permaneceu vinculada à pasta até agosto deste ano, quando teve que se afastar em função do prazo da legislação eleitoral. Da sua gestão, destaca com especial carinho as reformas em escolas. “Cada escola que eu revitalizei, eu me apaixonei. Ter um local de qualidade impacta na aprendizagem.”

LEIA TAMBÉM: O que pode ser pauta na campanha em Santa Cruz

RAIO X

Música:
minha banda preferida é Coldplay. Destacaria a música Magic.
Livro: Qual é a tua obra?, do Mário Sérgio Cortella.
Filme: Sociedade dos Poetas Mortos.
Ídolo: Angela Merkel.
Pior defeito: ansiedade.
Maior qualidade: sem dúvida nenhuma, minha coragem e lealdade.
Ideologia: me vejo como uma pessoa de centro.
Time do coração: Internacional.
Bolsonaro: um homem com coragem de enfrentar situações que vinham sendo deixadas de lado.
Lula: decepcionou muito a população que acreditava nele.
Eduardo Leite: iniciou bem o enfrentamento à pandemia, mas agora já poderia estar sendo mais flexível.
Santa Cruz do Sul: meu orgulho.

Entre Frida Kahlo e Angela Merkel

Na sala do apartamento onde Jaqueline mora, na Rua Gaspar Silveira Martins, vê-se, entre outros, um porta-retrato com uma foto sua ao lado do prefeito Telmo Kirst e dois quadros com referências a Frida Kahlo. Um deles é um autorretrato da pintora mexicana. O outro traz estampado um de seus pensamentos mais conhecidos: Donde no puedas amar, no te demores (Onde não puderes amar, não te demores).

Para Jaqueline, admiradora da trajetória de superação de Frida, a frase faz lembrar algo que ouvia da mãe Alvonira, que é professora aposentada da rede estadual. “Ela me dizia: ‘tudo o que tu fizeres na tua vida, tens que fazer bem’. E é por isso que em tudo que eu faço, eu boto paixão.”

Em um contexto de profunda subrepresentação feminina no poder público, Jaqueline tem em políticas mulheres algumas de suas principais inspirações. Por isso, não hesita ao ser provocada a apontar alguém que tenha como ídolo: a chanceler alemã Angela Merkel. “As mulheres conseguem se reinventar com uma facilidade incrível”, orgulha-se.

É na mesma sala que Jaqueline costuma, nas horas vagas, acomodar-se para o seu passatempo preferido: escutar música. Embora goste de descobrir estilos e artistas novos, não esconde a predileção pela banda britânica Coldplay.

Outra parte do tempo é dedicada aos filhos. A mais velha, Fernanda, é arquiteta, tem 24 anos e mora há um ano na Alemanha, onde trabalha em um escritório. O mais novo, Victor, tem 19 e cursa o último ano do Ensino Fundamental em Santa Cruz.

LEIA MAIS: Veja quem são os sete candidatos que disputam a Prefeitura

A série

A partir desta segunda-feira, 28, a Gazeta do Sul publica a primeira série de reportagens especiais sobre os candidatos a prefeito de Santa Cruz do Sul. Os sete prefeituráveis receberam a reportagem nas residências nos últimos dias e falaram sobre as trajetórias profissionais e políticas, bem como sobre as famílias e interesses. Na largada da campanha, será uma oportunidade de os eleitores conhecerem quem são as pessoas que pleiteiam o comando do município e comparar os perfis.

A ordem de publicação foi definida em sorteio na presença de representantes das chapas, em reunião realizada no dia 19. A ordem é: Jaqueline Marques (PSD) na segunda-feira; Alex Knak (MDB) na terça; Helena Hermany (PP) na quarta; Mathias Bertram (PTB) na quinta; Carlos Eurico Pereira (Novo) na sexta; Frederico de Barros (PT) no dia 5, e Irton Marx (Solidariedade) no dia 6.

LEIA TODAS AS REPORTAGENS DA SÉRIE:
1. Uma militância que começou cedo: conheça Jaqueline Marques, candidata à Prefeitura

2. Um sonho que nasceu na infância: conheça Alex Knak, candidato à Prefeitura
3. Do Banco do Brasil ao Palacinho: conheça Helena Hermany, candidata à Prefeitura
4. Liderança que saiu de Pinheiral: conheça Mathias Bertram, candidato à Prefeitura
5. Paixão que começou no Túnel Verde: conheça Carlos Eurico Pereira, candidato à Prefeitura
6. A juventude que tomou a frente: conheça Frederico de Barros, candidato à Prefeitura
7. O homem que quer um novo país: conheça Irton Marx, candidato à Prefeitura


MAIS LIDAS