Eleições 2020 03/10/2020 18h53 Atualizado às 19h35

Confira quais foram os principais temas do debate entre os candidatos de Santa Cruz

Mortalidade infantil, IPTU, obras, agricultura e pandemia foram alguns dos assuntos discutidos no confronto

A Gazeta Grupo de Comunicações promoveu o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Santa Cruz do Sul na manhã deste sábado, 3. O confronto ocorreu no plenário da Câmara de Vereadores e foi transmitido pela Rádio Gazeta FM 107,9 e em vídeo pelo Portal Gaz.

Os candidatos, Alex Knak (MDB), Carlos Eurico Pereira (Novo), Frederico de Barros (PT), Helena Hermany (PP), Irton Marx (Solidariedade), Jaqueline Marques (PSD) e Mathias Bertram (PTB), tiveram 1 minuto para responder a uma pergunta única: “Por que deseja governar Santa Cruz do Sul?”. Eles ainda responderem perguntas dos jornalistas da Gazeta e fizeram questionamentos entre si, com temas livres.

Veja o resumo das perguntas e respostas entre os candidatos:

Mortalidade infantil

Carlos Eurico questionou Helena sobre por que, apesar do grande volume de recursos do orçamento destinados à área da saúde, os índices de mortalidade infantil aumentam no município. Helena afirmou que, apesar dos investimentos, ainda há “muita coisa para fazer” na saúde” e ficou a necessidade de reforço no quadro de agentes de saúde. Na réplica, Carlos Eurico apontou a ligação de Helena com o atual governo. “A senhora fala como se não fizesse parte do atual governo. A senhora é vice-prefeita”, disparou. Helena reagiu mencionando o seu rompimento com o prefeito. “Infelizmente a comunidade toda sabe o que aconteceu. Quem mora aqui, sabe o que aconteceu. E é por isso que eu quero ser prefeita”.

Microcrédito

Helena questionou Irton sobre política de microcrédito e os planos para o Banco do Povo. O candidato afirmou que órgão não vem funcionando a contento. “É como preparar uma lavoura não jogar semente. Se nós chegarmos lá, ele vai funcionar”, disse. Helena defendeu estímulos a pequenos empreendedores e a oferta de qualificação. “É preciso ensinar a pescar e não dar só o peixe”, falou.

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IPTU

Irton questionou Jaqueline sobre o impacto do programa Mapa da Cidade no valor do Imposto Sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), criticando o que chamou de “ganância de arrecadar” e afirmando que os contribuintes estão com dificuldade de pagar o tributo. Jaqueline alegou que não houve aumento de IPTU e, sim, uma regularização de imóveis que não estavam na lista de cobrança, como forma de promover justiça tributária, e que em alguns casos houve redução de valores. Disse ainda que o Mapa da Cidade garantiu um amplo leque de informações sobre o município para orientar políticas públicas.

Orçamento participativo

Frederico questionou Mathias sobre a implantação de orçamento participativo e afirmou que este é um instrumento para democratização da administração pública. Mathias afirmou ver com bons olhos a medidas, disse que o atual governo não estimulou o funcionamento das associações de moradores e defendeu diálogo com as comunidades para definição das prioridades de investimentos. “Não vamos fazer piscinas em bairro que não precisa de piscina”, criticou.

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Agricultura

Mathias questionou Carlos Eurico sobre prioridades para a agricultura. O candidato do Novo defendeu diálogo com as comunidades do interior, simplificação de impostos para moradores das localidades e uso da tecnologia para garantir acesso das populações rurais a segurança. “Precisamos ter as portas da Prefeitura abertas a essas pessoas. Elas têm que ter acesso aos gestores e não só aos funcionários de segundo escalão.” Mathias afirmou que as subprefeituras precisam ser melhor equipadas e defendeu apoio técnico para os agricultores. “O governo precisa ser parceiro da porteira para dentro e da porteira para fora”.

Obras

Alex questionou Frederico sobre a lentidão de algumas obras do governo municipal, como a revitalização do Acesso Grasel e a ponte do Viver Bem. Frederico alegou que essa realidade evidencia uma desigualdade entre o tratamento concedido à região central e aos bairros e localidades do interior. Disse ainda que, se eleito, não fará obras “para ser cartão postal”. “A gente vê o Centro de Santa Cruz muito bonito, e tem que ser assim. Mas as obras para os bairros e o interior não saem, a não ser por pressão”.

Desigualdade social

Frederico questionou Helena sobre estratégias para combate à desigualdade social. Helena destacou sua atuação à frente do Comitê de Combate à Fome e à Miséria e lembrou que o elevado número de pessoas que receberam auxílio emergencial indica a necessidade de atuação do poder público nos próximos anos. “O próximo prefeito terá que se preocupar muito com isso”, falou. Na réplica, Frederico disse que o combate à desigualdade deve ser prioridade e defendeu oferta de qualificação para pessoas em situação de vulnerabilidade. “É muito triste ver gente passando fome, principalmente nesse momento de pandemia”, afirmou.

Pandemia

Alex questionou Mathias sobre suas ações para contribuir com o enfrentamento à pandemia. Mathias alegou ter agido para buscar recursos federais para auxiliar os hospitais, com apoio de lideranças do PTB e criticou o Gabinete de Emergências, acusando-o de falta de diálogo com o setor empresarial. “O gabinete se blindou e não dialogou em nenhum momento com os empresários e as pessoas”, disparou. Alex destacou indicações protocoladas por ele na Câmara, como as que propuseram o repasse de sobras orçamentárias da Câmara ao combate à pandemia e o parcelamento e isenção de impostos.

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Bairros e interior

Mathias questionou Frederico sobre atendimento a bairros e localidades do interior. O candidato do PT criticou falta de espaços de cultura, lazer e esporte, e defendeu investimentos em infraestrutura, saneamento e mobilidade para as comunidades. Exaltou ainda investimentos ocorridos por intermédio de seu partido, como o Viver Bem, o Parque Tecnológico da Unisc e o viaduto Fritz e Frida e afirmou que, para o atual governo, “só o que importa é o Centro”. Na mesma linha, Mathias pregou mais atenção aos bairros, citando áreas como saúde e transporte. “Em oito anos o prefeito não foi visto em muitos lugares”, criticou.

Cartão SUS

Helena questionou Jaqueline sobre gerenciamento de cartão SUS. Jaqueline alegou que o atual governo reduziu o número de cartões SUS e defendeu que o próximo passo seja a implantação de agendamento online de consultas. Helena afirmou que o número de cartões SUS voltou a crescer, o que significa que pessoas de outros municípios estão acessando os serviços em Santa Cruz, e defendeu uma nova revisão dos cadastros.

Jaqueline x Carlos Eurico

Nos poucos momentos de embates mais ácidos entre os candidatos, Jaqueline questionou Alex sobre sua posição em relação ao governo Telmo, alegando que ele exalta feitos de sua passagem pela Secretaria Municipal de Transportes, mas ao mesmo tempo faz críticas ao prefeito. Alex alegou que sempre manteve uma postura independente na Câmara de Vereadores. “Cabresto é para cavalo e não para político”, disse. Jaqueline falou que Telmo promoveu uma “gestão pública eficiente” e destacou que o governo possui elevados índices de aprovação.

Em outro momento, Jaqueline questionou Carlos Eurico sobre um relatório do TCE que apontou situações de descumprimento de carga horária por médicos que atuam na rede municipal, incluindo a sua esposa, que é ginecologista. Carlos Eurico alegou que a pergunta “demonstra muito bem a postura do atual governo, que é de atacar as pessoas” e afirmou que o problema está na falta de um plano de carreira e de um modelo de cumprimento de carga horária para os profissionais da Saúde. “Não é culpa do funcionário público”, alegou.

Jaqueline rebateu, alegando que não é preciso política de horário para saber que é preciso cumprir carga horária. Na tréplica, Carlos Eurico disse que um estudo do mesmo TCE apontou que a Prefeitura ainda não cumpre todos os requisitos legais em relação a transparência e lembrou o caso do depósito irregular na conta do ex-secretário de Saúde Régis de Oliveira Júnior.

O próprio Carlos Eurico retomou o assunto ao questionar Irton Marx, quando disse que não esperava ser alvo de “ataques pessoais” e criticou o que chamou de uso da máquina pública em benefício de partidos.

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