Eleições 2020 18/11/2020 14h27 Atualizado às 17h50

Marqueteiro avalia sucesso de Helena Hermany na eleição

Beto Picasso é uma das mentes por trás da campanha vitoriosa da prefeita eleita

Para o produtor audiovisual Beto Picasso, uma das mentes por trás da campanha vitoriosa de Helena Hermany (PP) em Santa Cruz, a eleição deste ano pôs à prova a força política da prefeita eleita e revelou o peso que ela exerceu nos dois êxitos de Telmo Kirst (PSD) nas urnas, em 2012 e 2016.

Natural de Frederico Westphalen e morador de Dois Irmãos, Picasso atua em campanhas há 18 anos. Entre as eleições nas quais trabalhou estão as estaduais de 2002 (quando atuou com Antônio Britto) e de 2006 (com Yeda Crusius). Em paralelo a isso, também tem trabalhos no cinema – participou da produção de oito longas-metragens.


Sua primeira experiência em Santa Cruz foi em 2016, quando assinou a campanha de Telmo. A chegada ao município se deu pelas mãos do também produtor Diego Müller, de quem é amigo e que havia trabalhado com o atual prefeito no pleito anterior, em 2012. Neste ano, os dois estiveram em lados distintos na disputa: enquanto Picasso assumiu a campanha de Helena, Diego respondeu pela de Alex Knak, do MDB.

Betinho ao lado de Helena: ‘ Essa campanha foi minha maior felicidade profissional’


Para além dos programas de TV e rádio, Picasso dirigiu toda a parte de redes sociais e as estratégias de marketing de Helena – trabalhando diretamente, por exemplo, na preparação dela para os debates. Coordenava uma equipe de 12 pessoas, incluindo os profissionais da produtora santa-cruzense Pé de Coelho, escolhida pessoalmente por ele.

Na entrevista a seguir, ele avalia o sucesso de Helena Hermany na eleição.

Entrevista
Beto Picasso: Marqueteiro da campanha de Helena


O que foi determinante para a vitória de Helena?
É todo um cenário. Tem a questão do empoderamento feminino. Tem a questão social, de emprego, em função da pandemia, e isso vai muito ao encontro do que a Helena fez a vida inteira. Ouvimos histórias ao longo da campanha que a Helena nem lembrava. Ela mudou realmente a vida de muita gente. Em 2012, em uma pesquisa antes da campanha, o Telmo tinha 5% e a Helena, 30%. Mas parece que ninguém nunca quis botar à prova a força dessa mulher. Ela sempre foi muito forte e agora as pessoas se deram conta disso.

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A Helena sempre liderou as pesquisas. Achas que a vitória já estava encaminhada antes de a campanha começar?
Tínhamos avaliações que mostravam essa liderança. Logicamente, todo mundo pode crescer. Mas Helena é muito forte e o que procuramos foi manter isso. Não adiantava querermos associá-la a alguma outra causa, a causa dela é a social. Não criamos personagem. O que apresentamos foi a Helena que é sensível com as pessoas, que se preocupa com o social. E acho que o povo reconheceu. E, com o Elstor, buscamos a força no interior.

O governo Telmo tem boa avaliação, mas a Jaqueline Marques, que tinha o apoio do prefeito, não foi bem. Vocês avaliam que a Helena absorveu essa aprovação?
No meu primeiro dia em Santa Cruz, fui almoçar em um restaurante. Um garçom me reconheceu da campanha passada, e eu disse que ia fazer a campanha da Helena este ano. Ele disse: “Que bom, da outra vez eu votei no Telmo por causa da Helena. Desta vez vou votar na Helena por causa da Helena”. Então, acredito que ela tem muita parte na vitória do Telmo. Ela tem votos. As pessoas esquecem que a chapa era Telmo e Helena. Outra coisa: na nossa propaganda, não tinha nenhum político forte querendo transmitir apoio para a Helena. Tínhamos depoimento do Heinze, do presidente da Assembleia, e nenhum foi ao ar. Essa história da família Moraes querer transferir voto não existe mais. Se o Telmo é Jaque, então ninguém é Telmo na cidade. Candidato forte não precisa de apoio.


Quem vocês consideravam o principal adversário: Alex Knak ou Mathias Bertram?
Desde que eu entrei, minha visão foi: nosso maior adversário chama-se PTB. Pelo respeito que temos pelos Moraes. Eles não chegaram agora. Se são fortes, é porque o povo entende que são fortes. E isso acabou se confirmando. Eu acreditava muito nessa força do PTB.

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E o que deu errado na campanha eleitoral da Jaqueline, na tua opinião?
Nesse caso, os candidatos não eram pessoas com representatividade. Não adianta apenas escolher uma pessoa e lançar candidata. É preciso saber quem o povo vai apoiar, tem que ser uma construção, ouvindo as pessoas, e não uma determinação política. Com certeza, o erro começou na escolha dos nomes.

A Helena evitou embates a campanha inteira. Por quê?
Talvez seja uma característica minha. Não sei fazer campanha de embate, não acredito nisso. Desde o início, disse o que eu pretendia fazer, com base no perfil dos candidatos, sem criar personagens, e falei que as pessoas não queriam candidatos atacando. E eu acredito que eles confiaram nessa estratégia. Eles têm um respeito grande pelos Moraes. Por isso eles nunca se atacam, é sempre um embate político. Mesmo quando fomos atacados por um candidato que tinha 1%, mantivemos essa linha.

Os adversários pautaram muito a questão das famílias e a questão da renovação. Como vocês se blindaram contra isso?
No primeiro dia, fizemos uma reunião. Ela me disse: “Eles podem atacar a minha família e a minha idade”. Eu falei: “Essas coisas não são problema, porque a senhora tem 72 anos e uma família maravilhosa. Vocês não têm nenhum apontamento, nunca tiraram uma diária”. Aí vieram aqueles ataques sobre quanto dinheiro eles ganharam na Prefeitura. Mas se eles ganharam é porque foram eleitos. E é uma demagogia, pois quem disse isso estava concorrendo a um cargo e também receberia remuneração se fosse eleito.


Mas o fato de a Helena ter enfrentado candidatos que, em sua maioria, são de uma nova geração da política não preocupava?
Não é o fato de preocupar, é o que se apresentou. Mas não é a idade que faz com que a pessoa tenha competência ou não. É, sim, o que ela fez. A Helena já existe há muitos anos. Esses jovens precisavam desse conteúdo, porque uma hora ia faltar. Se você tem quatro anos de mandato, o que você fez rende dois ou três programas de TV. Já nós tínhamos que deixar temas de fora, porque ela fez muita coisa. Em um momento de pandemia, de incerteza, as pessoas disseram: vou confiar em quem já tem experiência. Acho que as pessoas quiseram fazer um voto seguro.

Como foi a sua relação com a Helena na campanha?
Essa campanha foi minha maior felicidade profissional. Já ganhei outras campanhas, já fiz maiores. Mas eles compraram as minhas ideias e fiquei muito próximo deles. Um dia gravamos seis programas e ela queria mais, mas eu não tinha mais roteiros. E ela: “Vamos, Betinho, eu estou gostando”. Quando foi ao ar o segundo programa, eu já tinha 18 gravados. Ela estava empolgada, feliz. Então, houve uma empatia, conseguimos nos conectar com eles e isso tornou o trabalho prazeroso.

O que pesa mais em uma campanha hoje: televisão, redes sociais ou rua?
Primeiro, é o fato de os candidatos serem conhecidos, terem uma trajetória. Acho que a TV ainda é um canhão muito forte. Mas existem as redes sociais. Eu assisto uma ou duas horas de TV por dia, mas meu celular está sempre no bolso. Então, criar um programa curto que tu pode assistir na rede social é muito importante. E olha que começamos com a Helena sem ter sequer um perfil no Instagram. Fizemos algumas peças para essas mídias que tiveram uma repercussão enorme. Então, é uma soma. Se tu pensar que no interior não chega sinal de TV, ter um programa bom de rádio vale a pena.

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