Ensino superior 20/06/2018 22h28 Atualizado às 14h57

Por que a Unisc não aderiu ao Fies para o próximo semestre

Para os quase 2,3 mil contratos em andamento, a instituição manterá ativa a adição de valores até o fim

Foto: Rodrigo Assmann

Universidade, que chegou a ter 5 mil estudantes utilizando o financiamento, decidiu que não vai abrir cotas no próximo semestre
Universidade, que chegou a ter 5 mil estudantes utilizando o financiamento, decidiu que não vai abrir cotas no próximo semestre

Desde que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) teve a última alteração de regras, no fim do ano passado, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) deixou de oferecer o convênio aos alunos. Ao dar início às matrículas dos aprovados no vestibular de inverno, a Unisc confirmou que não vai mais abrir cotas para o Fies.

Conforme o pró-reitor de Administração, Dorivaldo Brites de Oliveira, a mudança de regras do financiamento coloca a instituição como devedora solidária do aluno, em caso de não pagamento das parcelas do Fies. “Em nível nacional, chega a 50% o índice de inadimplência do Fies. Pelo sistema atual, a universidade torna-se solidária, mas não tem condições de cobrar o aluno”, explica.

Oliveira conta que o problema da inadimplência é causado pelo próprio sistema. Segundo ele, há vários exemplos de ex-alunos que buscam a Unisc com a intenção de pagar as parcelas após a conclusão do curso. “Nós não temos acesso à dívida, fica tudo entre o banco e o governo.”

Atualmente, 2.294 alunos têm o Fies contratado. Os financiamentos ativos são remanescentes dos anos de 2013 a 2017. Para estes, nada muda. Conforme o setor financeiro da Unisc, não há dificuldade em fazer o aditamento de semestre aos contratos ativos. Apenas pequenos problemas pontuais, onde há restrição ao crédito do aluno ou fiador, têm sido barrados pelo sistema.

O curso campeão em uso do Fies é o Direito. Medicina e Psicologia vêm empatados em segundo lugar, seguidos por Enfermagem. “Nós chegamos a ter 5 mil alunos utilizando o Fies. Hoje o volume total é menos do que a metade”, compara.

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Saídas

Sem o Financiamento Estudantil, muitos alunos poderão ficar sem possibilidade de entrar no ensino superior. O pró-reitor de administração afirma, no entanto, que a universidade vêm ofertando outras formas de financiamento, como o crédito próprio da Unisc. As informações podem ser obtidas no site da universidade, na sessão “Bolsas e Financiamentos”.

Crédito próprio

Em 2002, a Unisc criou o Crediunisc. A modalidade de financiamento particular foi reformulada em 2015 e hoje responde por 600 matrículas ativas nos campi da universidade. “A oferta de vagas no Crediunisc depende do volume de pagamentos dos contratos já em andamento. No futuro, certamente poderemos ampliar vagas”, projeta o pró-reitor.

A Unisc mantém convênio também com o Sicredi e Santander. Esses bancos ofertam linhas de crédito educativo com taxas menores de juros. “Desde o ano passado, fechamos a parceria com o Pravaler, que é um dos maiores créditos para o ensino superior no País.”

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Outras instituições

A Universidade do Vale do Taquari (Univates) também não irá aderir ao Fies no segundo semestre. Conforme a instituição, com sede em Lajeado, atualmente 1.598 alunos usam a linha de crédito do governo, que representa 21% do total de alunos da Univates. Como alternativa, a universidade vai abrir seleção para o Credivates 2.0. O programa oferece três opções de parcelamento do curso aos estudantes.

A Faculdade Dom Alberto, de Santa Cruz do Sul, já aderiu ao Fies para o segundo semestre deste ano. Atualmente, a faculdade tem 313 alunos matriculados, financiados pela modalidade do governo federal. Além do Fies, a Dom Alberto também oferece o Crédito Estudantil (Cres), em regime próprio. A adesão ocorre por meio da abertura de editais em todos os semestres.