Carteira de motorista 09/07/2018 00h14 Atualizado às 06h42

Por que é tão difícil passar na prova prática da CNH?

Dados do Detran/RS indicam que no Vale do Rio Pardo apenas 37,59% dos candidatos obtiveram aprovação no primeiro semestre

A santa-cruzense Diana Constanze Grutzner, 39 anos, se encaminha para fazer a terceira prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), categoria B. Após duas tentativas sem êxito, ela afirma que não vai desistir, mas espera que o nervosismo não atrapalhe seus planos. “Na primeira vez que rodei foi por uma bobagem, pequei na baliza. Na segunda tentativa fiquei nervosa e aí já viu: me atrapalhei e o erro aconteceu na rua”, lamenta.  

O caso da contabilista não foge à regra da maioria dos candidatos que almejam conquistar a primeira habilitação no Rio Grande do Sul. Entre junho de 2016 e maio de 2018, 43,6% dos alunos obtiveram a aprovação na primeira tentativa. No Vale do Rio Pardo, os números, conforme o Detran/RS, também indicam que está difícil passar no exame, sobretudo no prático. Nos cinco primeiros meses desse ano, apenas 37,59% das 6.573 provas foram satisfatórias para garantir a permissão de dirigir.

Foto: Bruno PedryDiana Grutzner vai fazer ainda esse mês a sua terceira prova prática na categoria B
Diana Grutzner vai fazer ainda esse mês a sua terceira prova prática na categoria B

 

Conforme o diretor de ensino do CFC Real, Edson Marcelo Neto, os índices de aprovação no CFC de janeiro a maio são similares ao da média geral do Estado: 43%. “Não tenho dúvidas de que isso acontece por conta do sistema nervoso. Os alunos, na maioria das vezes, rodam por erros que durante as aulas práticas não costumam cometer”, explica.

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Neto, que já foi instrutor teórico e prático, acrescenta que uma das falhas que mais tem eliminado os candidatos é o não acionamento ou acionamento incorreto dos piscas. “Seja para fazer conversões, seja para desviar de obstáculos, por menores que sejam, o pisca é  obrigatório.” Outro detalhe importante, conforme o diretor de ensino, são as paradas. “Ficar atento à sinalização é de extrema importância. As placas precisam ser respeitadas, mesmo que a rua em que o aluno está cumprindo a prova seja de pouco movimento”, acrescenta.

Na última prova de Diana foi justamente a sinalização que a prejudicou. Como já estava nervosa, a candidata seguiu o carro que estava em sua frente (e já havia ultrapassado o sinal vermelho) e foi eliminada na hora. Edson Marcelo Neto acrescenta que uma das formas para verificar se o aluno está em condições ou não de tentar a prova são os simulados. “É importante que os alunos levem a sério esses testes e se imaginem como se estivessem, de fato, fazendo a prova com o examinador ao lado. É um bom exercício.”

Carro roda mais

Conforme a tabela de índice de desempenho geral do Detran, enquanto 43,6% dos alunos obtiveram êxito na primeira tentativa da categoria B (carro) entre 2016 e 2018 , na categoria A (moto) 77,4% passaram de primeira.

Pesa no bolso

A taxa tabelada pelo Detran para refazer a prova prática é de R$ 64,60. Os CFCs também orientam que sejam feitas, pelo menos, mais duas aulas com instrutor – a hora custa R$ 58,78 – a fim de obter mais segurança no teste. Somando todos os custos, o total desembolsado em cada nova prova é de: R$ 117,56 (aulas) + R$ 64,60  (taxa da prova) = R$ 182,16

Automedicação

Uma questão que tem preocupado a psicóloga Adriane Straatmann é a automedicação. Segundo a profissional que atende alunos com dificuldades para obter a aprovação na CNH, são corriqueiros os casos de candidatos que tomam remédios para ansiedade sem prescrição médica.  “Além de serem medicações controladas, é preciso considerar os efeitos colaterais como o efeito rebote. Ou seja: o retorno dos sintomas.”

Falta de atenção e ainda mais ansiedade são prováveis efeitos da ingestão desses coquetéis sem prescrição médica. “Não dá para pegar o remédio do tio ou da mãe achando que será a solução para controlar o nervosismo. É preciso apostar em outras alternativas para aliviar a tensão.” Ela acrescenta que ajuda psicológica também é indicada para o aluno se livrar da pressão que ele mesmo cria sobre a prova. “Quando atendo essas pessoas procuro investigar os motivos. Às vezes elas estão extremamente sobrecarregadas e acabam colocando muita expectativa na prova. Não há necessidade de tanta cobrança”, finaliza.

A dicas da psicóloga Adriane para auxiliar o candidato a controlar o nervosismo no dia da prova:

  • Na noite anterior ao teste, procure não mexer no celular antes de dormir e coloque-o no modo offline, a fim de que as notificações não perturbarem o sono.
  • Durma, pelo menos, sete horas
  • Não saia de casa sem tomar café da manhã ou ingerir, nem que seja, algum alimento mais leve. Evite fazer a prova em jejum (se ela ocorrer pela manhã).
  • Chegue ao local da prova com antecedência. Atrasos deixam o candidato ainda mais nervos.;
  • Controle a respiração e antes de fazer a prova respire bem fundo até três vezes.
  • Procure se livrar da autocobrança 

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