Situação de rua 27/08/2018 02h40 Atualizado às 06h19

Usuários de drogas dormem dentro de canos em Santa Cruz

Material deixado pela Corsan desde o fim do ano passado no Bairro Bom Jesus virou ponto de consumo de entorpecentes

Um terreno vazio no fim da Rua Carlos Hoppe, no Bairro Bom Jesus, se tornou endereço fixo de usuários de drogas que perambulam pelas ruas de Santa Cruz. No local, canos de 800 milímetros, que sobraram de uma obra para ampliação da rede de abastecimento, são utilizados como dormitórios. Há lixo, roupas, calçados e um rastro de incomodação que irrita moradores do bairro. A tubulação foi deixada pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan).

Conforme o presidente da Associação de Moradores do Bairro Bom Jesus, Clairton Ferreira, o Tim, quem reside nas proximidade tem medo dos frequentadores. “Em um dia que estava frio havia uma mulher totalmente nua no local. O inverno está rigoroso. O medo é que alguém possa morrer de frio”, relata Tim.

Além disso, o presidente da associação dos moradores diz que os frequentadores do terreno na Rua Carlos Hoppe brigam, fazem barulho e incomodam quem mora perto. “Os moradores até têm medo de falar porque não querem problemas com estes andarilhos.”

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Segundo o coordenador da Ronda Social da Casa de Passagem para Adultos (Albergue), Claudiomiro de Oliveira, a equipe já visitou o “dormitório” de canos da Carlos Hoppe mais de uma vez. “Eles não têm interesse em sair daquele local. São pessoas que não querem cumprir horários ou regras, isto é muito complicado”, justifica.

Oliveira conta que diariamente a equipe resgata usuários de drogas em situação de rua, leva para o Albergue e ajuda a encaminhá-los para suas famílias. Porém, ainda não teve sucesso com os ocupantes dos canos do Bom Jesus. “São aproximadamente dez pessoas que estão passando as noites naquele local.”

Tubulação está no local desde fim de 2017

De acordo com o gerente da Corsan de Santa Cruz, Armin Haupt, os canos no terreno da Rua Carlos Hoppe estão no local desde o fim do ano passado, quando a companhia concluiu a ampliação da adutora localizada às margens da BR-471. “O clima não colabora. Quando o tempo está mais seco, aproveitamos para realizar outros serviços, o que fez com que esta canalização acabasse ficando no bairro”, justifica.

O gerente da Corsan conta que parte da tubulação deverá ser utilizada em outra obra de abastecimento que a estatal fará nas proximidades da Carlos Hoppe. “O que não for usado nesta nova obra será recolhido ao depósito da Corsan. Acredito que a partir da próxima semana teremos condições em retirar este material do Bairro Bom Jesus.”

Foto: Bruno PedryClaudiomiro: ocupantes não querem sair
Claudiomiro: ocupantes não querem sair

 

Albergue registra mais que 4 mil pernoites

O coordenador do Albergue explica que de janeiro a julho deste ano a casa de passagem já realizou mais de 4 mil pernoites de pessoas em situação de rua. Pouco menos de um quatro delas – cerca de 970 – foi para o abrigo após a visita da ronda social. “Nós não ajudamos só pessoas naturais de Santa Cruz. Todos que estão em situação de rua são convidados a pernoitar no abrigo. O problema é que muitos não aceitam”, destaca Claudiomiro de Oliveira.

A equipe da ronda trabalha também para restabelecer os vínculos entre os moradores em situação de rua e suas famílias. “O maior problema acaba sendo o consumo de drogas. Os usuários são os mais resistentes para irem pernoitar no Albergue.” Atualmente, a média diária de pernoites no local é de 30 pessoas.