Santa Cruz do Sul 27/08/2018 19h19 Atualizado às 19h30

Sessão da Câmara é encerrada mais cedo outra vez; entenda o motivo

Antes de tomar a decisão o presidente Bruno Faller suspendeu os trabalhos por três vezes

Pela segunda vez em três semanas a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul foi encerrada mais cedo nesta segunda-feira, 27. O motivo pelo qual o presidente Bruno Faller (PDT) chegou a esta decisão é o mesmo: o excesso de vaias por parte do público. Servidores municipais impedem os pronunciamentos de vereadores da base governista, que são maioria.

Os protestos dos municipários na Câmara se arrastam desde o fim de junho, quando a Prefeitura anunciou que enviaria ao Legislativo um projeto de lei tornando mais rígidas as regras para pagamento dos vales-transporte e alimentação. A matéria chegou a ser retirada da pauta, mas voltou na semana seguinte e foi aprovada em sessão extraordinária no dia 18 de julho.

Na noite desta segunda-feira a sessão foi suspensa por três vezes até que o presidente decidiu encerrar a reunião. A primeira interrupção foi aos 20 minutos, quando o vereador suplente, João Cassep (Solidariedade) foi à tribuna e tentou discursar. Os trabalhos foram paralisados por cinco minutos e, na volta, Cassep continuou sem conseguir falar diante de muitas vaias. Foram mais duas suspensões até o encerramento da sessão sem votar os projetos que estavam na pauta.

Em meio a uma interrupção e outra, o vereador Edmar Hermany (Progressistas) deixou seu lugar e foi até as galerias tentar conversar com os servidores. Mesmo acompanhado de um segurança ele foi recebido com hostilidade. Conversou ao pé do ouvido com o presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais (Sinfum), José Bonifácio Almada, para pedir que os servidores deixem a sessão transcorrer normalmente. Almada respondeu que “estou aqui como cidadão”, dizendo que nada poderia fazer.

João Cassep é suplente do Solidariedade e trabalha como subprefeito de Linha Santa Cruz. Ele lamentou que não tenha conseguido falar na tribuna. “A democracia exige certas regras também. Não é só um lado que pode se manifestar. O presidente tem que tomar atitude e garantir a fala dos vereadores. Fui impedido de falar, não posso concordar com isso”, desabafou o vereador suplente que tentou, sem sucesso, ocupar a tribuna nesta segunda. “Isso aqui virou um palanque eleitoral. Estão antecipando uma eleição que é daqui a dois anos”, acrescentou.