Por dentro da safra 12/11/2018 23h56 Atualizado às 08h46

Agricultora relata o que sofreu após ser picada por cobra

Carine Hiester, de Cerro Alegre Alto, foi surpreendida por uma cruzeira

Opa, tudo bem? Espero que sim. O assunto de hoje é a cobra que deu o que falar na semana retrasada. Para quem não lembra ou não acompanhou a história, contei que estávamos colhendo a baixeira (as folhas mais baixas do pé do tabaco, que ficam quase tocando no solo) quando demos de cara com uma serpente aqui na lavoura da família. Foi só um susto, felizmente, mas valeu pelo alerta para que o agricultor redobre os cuidados nesta época do ano e não deixe de usar equipamentos básicos de proteção, como as luvas e as botas.

Carine foi atacada...
Para ilustrar um pouco o risco e a importância de se tomar cuidado com esse tipo de animal, que é venenoso, conversei com a Carine Hiester, que é agricultura na localidade de Cerro Alegre Alto, no interior de Santa Cruz do Sul. Dez anos atrás ela foi picada por uma cruzeira enquanto trabalhava na lavoura. “Estava na lida quando fui picada por uma cruzeira. Na hora senti apenas uma fisgada. Mas depois comecei a passar mal e aí vi que a cobra estava deitada ali por perto”, relembrou Carine, dizendo que foi em busca de atendimento médico e levou o animal junto, o que é importante para identificar o soro mais adequado.

...e teve risco de perder a perna
Embora tenha levado cerca de 30 minutos para chegar ao hospital, Carine teve sérios problemas e até correu o risco de perder a perna. O ataque da cruzeira foi no calcanhar. “Fiquei sete dias internada. Depois foram mais seis meses com a perna irreconhecível, muito inchada. Mal conseguia colocar o pé no chão e dependia da ajuda do marido, do sogro e da sogra justo quando o fumo estava todo na lavoura”, contou a agricultora, dizendo que “o pior momento foi escutar do médico que, aos 20 e poucos anos, eu podia perder a perna”. Mas felizmente o tratamento deu certo e, passados dez anos, Carine segue firme ajudando na produção de tabaco.

Depois da cobra, a aranha
Enquanto eu gravava o relato da Carine Hiester no vídeo abaixo (que, aliás, também está disponível na página Fumicultores do Brasil), apareceu na estrada uma “oito perninhas” quase do tamanho de uma mão. Parece que a aranha caranguejeira veio justamente exemplificar que sempre tem um perigo na lavoura. Mas isso faz parte da rotina e cabe ao agricultor se proteger da melhor forma. O importante é estar sempre atento e, em caso de contato com algum animal desses, buscar atendimento médico na hora.

De olho no céu
Os últimos dias têm sido de muito calor na lavoura, o que em parte é bom para o tabaco. O que não pode é o calorão terminar em temporal, como prevê a meteorologia. Estamos de olho no céu e torcendo para que as próximas horas não nos tragam problemas. Estamos com 75% do tabaco capado (com a flor retirada), metade da baixeira colhida e já iniciamos a segunda apanha. Em paralelo estamos colhendo a batatinha plantada lá em junho e o feijão.


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