Rural 05/12/2018 23h08 Atualizado às 07h56

Já tem pêssego de Santa Cruz nas feiras e mercados

Clima não ajudou muito na produtividade este ano, mas os fruticultores já colhem a safra, que se encerra em dezembro, e as frutas estão sadias

O agricultor Célio Rusch está otimista com a colheita de pêssego em sua propriedade, localizada em Cerro Alegre Alto, no interior de Santa Cruz do Sul. No pomar de dois hectares, com aproximadamente 500 pessegueiros, sua expectativa é atingir uma produção de quatro toneladas na atual safra. Diferente da maioria dos produtores de pêssego, que este ano tiveram perdas em função do frio tardio, Rusch comemora que sua produtividade não foi afetada. Desde a metade de novembro, dedica-se à colheita das frutas de três variedades diferentes: douradão, granada e maciel.

Conforme o fruticultor, a cultura do pêssego é de ciclo rápido, por isso a expectativa é terminar a colheita ainda neste mês. Com preço do quilo na casa dos R$ 3,50, seus principais compradores são os supermercados da cidade e agroindústrias de compotas. Suas frutas também podem ser encontradas na Feira Rural do Centro, na banca do feirante Almiro Paulo Wendland. Natural do campo,  Célio Rusch trabalhou por mais de duas décadas no meio urbano, mas há alguns anos fez o caminho inverso e hoje se dedica ao cultivo de pêssego e goiaba.

Segundo a presidente da Associação dos Feirantes de Santa Cruz do Sul (Assafe), Rosane Niedersberg, nesta época do ano os clientes encontram pêssegos, de diferentes variedades, em todas as feitas rurais da cidade. Outras frutas disponíveis nas bancas são laranja, banana, morango e figo – muito procurado para os doces de Natal. “Em breve também teremos uva, que ainda não atingiu a maturação por causa do frio atípico registrado no período de brotação”, revela.

Encruzilhada do Sul

Em Encruzilhada do Sul, tradicional município produtor de frutas da região, o agricultor Cássio Baptista começou a colheita dos 1,5 hectares de pessegueiros (2 mil plantas) no dia 20 de novembro. O fruticultor explica que, em função do manejo do pomar, este ano a produção deve ser um pouco menor, de aproximadamente 15 toneladas. Os pêssegos brancos, da variedade chimarrita, também podem ser encontrados em Santa Cruz do Sul, em supermercados e na Cooperativa Regional de Alimentos Santa Cruz (Coopersanta). A expectativa de Baptista é encerrar o trabalho no pessegal até metade de dezembro. Depois disso, já começa a se articular para a colheita da maçã, na localidade de Pinheiral.

 

Frio prejudicou a safra

O engenheiro agrônomo Assilo Martins Corrêa Junior, chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Santa Cruz do Sul, explica que o frio tardio registrado no inverno deste ano atrasou a maturação e colheita do pêssego. “Também contribuiu para a redução da produtividade, mas as frutas estão bem sadias e não temos maiores problemas com a mosca-das-frutas”, esclarece. Segundo balanço da Emater, há aproximadamente 4,3 hectares de pêssegos espalhados em pequenas propriedades do município – estima-se que a metade dessa área esteja em produção atualmente.

De acordo com Corrêa, os produtores locais cultivam diversas variedades de pêssego, desde as mais precoces, que sofreram mais com as baixas temperaturas e geadas tardias, até as intermediárias, que estão sendo colhidas agora. “Os pêssegos de ciclo tardio são mais cultivados na Serra e no Sul do Estado”, ressalta. O agrônomo explica que a safra da fruta é curta na região, começando em outubro e se estendendo pelos meses de novembro e dezembro.

Foto: Lula Helfer

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