Construção coletiva 13/12/2018 00h46 Atualizado às 07h05

Alunos de escola municipal projetam e implantam fossa ecológica

Iniciativa na Emef Vidal de Negreiros teve seu ápice durante essa quarta, com a montagem da estrutura que servirá para tratar o esgoto

Eles cultivam a horta da escola, cuidam de uma composteira e, agora, podem colocar no currículo das boas ações ambientais a criação de uma fossa ecológica. Os 201 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Vidal de Negreiros, em Cerro Alegre Baixo, finalizaram nessa quarta-feira a estrutura que vai tratar o esgoto de um terreno vizinho. Com o apoio de toda a comunidade escolar, incluindo professores e pais de alunos, os estudantes colocaram em prática todas as pesquisas que realizaram ao longo do ano letivo. E ainda colaboraram para promover a consciência de muita gente e mudar a realidade local.

“É dar o exemplo e mostrar para a nossa comunidade que podemos fazer algo muito importante com pouco”, disse Paulo Luiz Holdebaum, 13 anos. Empolgado com o trabalho que recém havia concluído ao lado dos colegas, o aluno do 7° ano era só sorrisos. Falou sobre as curiosidades que aprendeu ao longo da construção da fossa e concordou com a afirmação da vice-diretora da instituição, Juliana Breunig, que avaliou o projeto como uma ação multiplicadora. “A ideia foi não só ajudar essa família que vivia com o esgoto a céu aberto, mas mostrar para a comunidade local que essas alternativas são viáveis e não estão, assim, tão distantes de nós.”

Abraçado por todos os professores, o projeto que culminou com a fossa foi levado à etapa estadual da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Porto Alegre, no mês de maio. Mas o trabalho não começou do dia para a noite. Desde abril, os estudantes da Vidal trabalham com a temática água em todas as disciplinas. “Estudamos as doenças transmitidas em ciências; a quantidade que cada família consome de água em matemática, e assim por diante. O projeto envolveu todas as frentes”, disse a orientadora Jaqueline Fusieger Rosa.

 Envolveu e sensibilizou, tanto que o aluno do 8º ano, Guilherme Augusto Marotzky, 14, está disposto a conscientizar seus vizinhos sobre a iniciativa. “Com a fossa queremos mostrar para as pessoas que não dão o destino correto ao esgoto em casa que essa ação pode evitar doenças e ainda ajudar o meio ambiente.”

Foto: Bruno PedryGuilherme: conscientizar os vizinhos
Guilherme: conscientizar os vizinhos
Foto: Bruno PedryPaulo: empolgado com o aprendizado
Paulo: empolgado com o aprendizado

 

Do diagnóstico à ação

Após muito conversarem sobre a temática água, alunos e professores precisavam de algum apelo local para criar um projeto que, de fato, fizesse sentido para a comunidade de Cerro Alegre Baixo. “Percebemos que um problema muito presente é o esgoto aqui na região. Muitos moradores ainda não dão o destino correto”, disse Jaqueline Fusieger Rosa. Foi por meio dessa observação que a escola buscou modelos de fossa ecológica que se adequassem à realidade local. “O mais interessante é que cada um contribuiu com o que podia. Alguns pais, por exemplo, ajudaram com tijolos e os alunos, com a mão na massa”, complementou a vice-diretora Juliana Breunig.

Para implantar a fossa ecológica foi preciso abrir uma valeta, construir um tanque retangular e adicionar pedras, pneus, tela, brita, areia e os chamados suspiros – cano para o ar fluir. Também foram plantadas taiobas, que terão a função de transpirar e, consequentemente, de evaporar rapidamente as águas absorvidas. “Trata-se do processo da evotranspiração, que é o que vai mandar essa água de volta à natureza quase 100% limpa”, explicou Jaqueline.


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