Verão 10/01/2019 23h44 Atualizado às 06h35

Calor aumenta em 12,4% o uso de energia elétrica em Santa Cruz

No município, pico no consumo de eletricidade em dezembro alcançou 187 metawatts. Mês foi 3 graus mais quente

O que você estava fazendo na terça-feira, 11 de dezembro do ano passado, por volta das 21 horas? Difícil saber com precisão; no entanto, deveria ser alguma coisa para se refrescar do calor. Naquele momento, o consumo de energia elétrica em Santa Cruz do Sul atingiu o pico do mês de dezembro, alcançando a marca de 187 megawatts. O valor foi 12,4% maior que o registrado no dia de pico de consumo em dezembro de 2017 e sinaliza que o calor mais intenso está aumentando também o gasto com energia elétrica.

Naquele 11 de dezembro, a estação meteorológica da Gazeta Grupo de Comunicações registrou a máxima de 40,6 graus por volta das 15h15, dando início a um período de vários dias de máximas elevadas. Os mapas do clima mostram o que os medidores de eletricidade de Santa Cruz registraram no mês passado. Dezembro foi até três graus acima da média histórica no Rio Grande do Sul.

Conforme o coordenador do Laboratório do Clima da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), climatologista Francisco Eliseu Aquino, as temperaturas médias no Estado estão cerca de 0,5 grau mais altas, quando comparadas com a década de 1980 e início dos anos 1990. “Estas ondas de calor que atingiram o Rio Grande do Sul potencializam este meio grau, deixando o calor muito mais elevado. Quem diz que antigamente não era tão quente está correto ao comparar com o tempo dos avós”, confirma o pesquisador.

Ele acredita que o calor sentido no Estado durante o mês de dezembro pode ter alcançado recordes recentes de temperaturas mais altas. “Ainda é cedo para falar em recorde, precisamos de mais dados para análise”, justifica. Segundo ele, as informações comparativas de agências internacionais como a própria Nasa, dos Estados Unidos, demoram para serem liberadas. Estes modelos poderão confirmar se o calor de dezembro foi mesmo o mais intenso já registrado no Rio Grande do Sul.

Já os dados que estão disponíveis na Ufrgs mostram que em dezembro de 2018 a atmosfera no Estado esteve cerca de três graus mais quente do que a média normal para a estação. “O ano passado não foi o mais quente dos últimos anos, mas dezembro ficou bem acima do que se espera.”

Metade da capacidade

De acordo com a RGE, em Santa Cruz do Sul a capacidade de fornecimento de energia é medida em potência e não em consumo. No município, estão instalados 175 megavolt-ampère (MVA). No dia 11 de dezembro, quando o consumo atingiu o maior pico, a potência utilizada naquela hora era de 87,12 MVA, aproximadamente 49,8% da capacidade de fornecimento da RGE em Santa Cruz. Segundo a empresa, com a folga de mais de 50%, o consumo máximo não prejudicou a distribuição de eletricidade.

Só o começo do verão

Conforme explica o coordenador do Laboratório do Clima da Ufrgs, a tendência é de consumo maior de eletricidade durante o auge do verão, que continua, pelo menos, até o fim do primeiro mês do ano. “Se a comparação for feita entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 2018, seguirá alto o consumo de eletricidade nesta época”, projeta. A RGE informa que em dezembro de 2017 o pico de consumo de eletricidade em Santa Cruz do Sul foi atingido no dia 17, às 14 horas. Naquela data, o município necessitou de 166,4 megawatts para mover condicionadores de ar, ventiladores e demais máquinas utilizadas nas empresas e residências.

Dez dicas para economizar

  1.  Troque lâmpadas incandescentes ou fluorescentes pelos modelos de LED. Uma lâmpada LED de 10 watts, por exemplo, que ilumina o mesmo que uma fluorescente de 15 watts ou uma incandescente de 60 watts, representa uma grande economia. Quando comparada com a fluorescente,  a redução é de quase 35%. Já para a lâmpada incandescente, a economia é de 90%.
  2.  Quando não estiverem em uso, desligue os aparelhos da tomada. Eles continuam gastando quando estão com aquela “luzinha” que indica o modo stand by ligado. A redução é de 10% no custo mensal.
  3.  Evite a utilização excessiva do ar-condicionado. Ao optar pelo ventilador, por exemplo, pode-se gerar uma economia de até 20%, em média.
  4.  Verifique se a geladeira está a pelo menos dez centímetros de distância da parede. A distância evita que o calor aumente excessivamente na parte traseira, o que faz com que a geladeira precise trabalhar mais para dissipá-lo.
  5.  Utilizar o chuveiro na função verão representa uma economia de até 30% na conta de energia.
  6.  Evite banhos acima dos dez minutos. Além do consumo elevado de energia, isto gera um grande desperdício de água.
  7.  Pintar a casa com cores claras, por exemplo, ajuda na iluminação natural do ambiente, evitando o uso de lâmpadas ligadas o dia todo.
  8.  Evite remendos em resistências de chuveiros. Além do perigo, provoca aumento na conta de energia.
  9.  Acumule roupas para lavar e passar, o que evita o gasto excessivo com várias lavagens na máquina ou acionamentos do ferro de passar. Lavando uma única vez e passando as roupas todas juntas, você economiza energia.
  10.  Caso esteja desconfiado que o consumo é menor que o gasto mensal, é preciso fazer um teste simples. Desligar todas as luzes e equipamentos elétricos da tomada e, após alguns minutos, verificar se o relógio do contador de energia ficou parado. Caso não fique, procure um profissional, pois pode haver fuga de corrente elétrica em sua casa.

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