Fique ligado 11/01/2019 11h59 Atualizado às 19h55

Denúncias acendem alerta na contratação de serviços em Santa Cruz

Serralheria teria feito diversas vítimas ao receber valor de entrada e desaparecer

Uma publicação feita em um grupo de briques no Facebook acendeu o alerta em Santa Cruz do Sul: quais são os cuidados necessários ao se contratar um serviço, principalmente pelas redes sociais? A publicação expõe um possível golpe aplicado em santa-cruzenses e moradores de outros municípios da região. A Serralheria Silva seria contratada para prestar serviços e, após receber o pagamento da entrada, os responsáveis deixariam de atender os clientes e nunca terminariam as obras. A empresa, no entanto, nega irregularidades.

O primeiro alerta foi feito pela venâncio-airense Franciele Eduarda dos Santos, de 24 anos. Em setembro do ano passado ela contratou a serralheria, depois de ver um post no Facebook, e pagou R$ 1.350,00 (metade do valor total), conforme exigido pela empresa. Entretanto, a jovem alega que meses se passaram e ninguém apareceu para realizar a obra.

Mesmo depois de contatados pelo advogado da vítima, os responsáveis não cumpriram o prazo estabelecido. Depois, Franciele procurou o Procon de Venâncio Aires e a Polícia Civil, onde registrou um boletim de ocorrência alegando estelionato. Após a publicação no Facebook, Franciele recebeu diversos relatos de outras pessoas que foram lesadas pela empresa. “Publiquei para prevenir que outros caiam no golpe, mas não imaginava que eram tantas”, comentou.

Foto: DivulgaçãoFranciele registrou boletim de ocorrência contra a empresa
Franciele registrou boletim de ocorrência contra a empresa

 

Vítima entrou com processo na Justiça

Outras pessoas já haviam tido problemas com a Serralheria Silva meses antes, ainda em julho do ano passado. É o caso da analista financeira Rosana Elias de Moura, de 32 anos, que pagou R$ 2,7 mil à empresa no dia 9 de julho, depois de também conhecer a serralheria pelas redes sociais.

Mesmo pressionando os responsáveis para que a obra fosse feita, ela não recebia respostas concretas. “Eles estavam sempre dando desculpas, histórias não faltavam”, conta. Assim, entrou com um processo contra a empresa por quebra de contrato, já que eles não entregaram o serviço.

Agora, se preocupa com a insegurança de estar com o pátio aberto e não poder contratar outra empresa, considerando que o contrato não tinha data. “Minha maior indignação é que meu pátio está aberto, não tenho segurança nenhuma e ainda perdi dinheiro. Quero reaver o valor, apesar de saber que é difícil. Mas, principalmente, quero que eles encerrem o contrato para que eu possa fechar o meu pátio. Quando eles quebram um contrato, precisam assumir as responsabilidades”, comentou.

Ela já participou de uma audiência em dezembro passado, mas não houve acordo. Outra audiência foi marcada para o dia 12 de fevereiro, mas Rosana segue sem respostas. “A gente fica meio acuado, mas os golpes continuam. Até quando vai ser assim?”.

Foto: Rodrigo Assmann

 

Empresário não espera reaver valores

Cláudio da Cunha Santos, empresário de 50 anos, também acredita que seja difícil reaver os R$ 8.850,00 entregues para a empresa. Metade do valor foi de entrada e a outra quantia em materiais, depois de semanas em que a serralheria afirmava não continuar a obra por falta de matéria-prima. Ele foi até uma loja e comprou os materiais, que sumiram depois de serem entregues na empresa. Dos três portões previstos no contrato, apenas um foi feito - e depois de grandes problemas com os responsáveis pela empresa.

Após ser vítima de calúnia, ele ingressou na Justiça com um processo de danos morais e difamação. Agora, espera apenas que a empresa pare de fazer vítimas. “Muita gente de bem, pobre, está se dando mal. Muita gente só estava querendo fechar o pátio, coisa assim. Não quero recuperar o dinheiro, não quero lucrar. Só quero que eles parem de lograr os outros”, relatou. Além do valor pago à serralheria, ele ainda precisou contratar outra empresa para instalar os portões, para poder inaugurar o empreendimento de segurança da qual é proprietário.

E estes são apenas alguns dos relatos feitos à reportagem desde a publicação da denúncia. Os valores variam conforme os orçamentos, mas todos os pagamentos citados passam de R$ 1 mil. Contatada pela reportagem do Portal Gaz, a assessoria jurídica da Serralheria Silva informou que não tem conhecimento sobre processos judiciais movidos contra a empresa e que, até o momento, há alegações sem provas, chamadas de “calúnia”. Além disto, a assessoria ressaltou que a serralheria preza pelo cumprimento dos contratos firmados.

Foto: Lula HelferEmpresário precisou contratar outra empresa para finalizar os portões que não foram entregues pela serralheria
Empresário precisou contratar outra empresa para finalizar os portões que não foram entregues pela serralheria

 

Afinal, como se prevenir de golpes?

Conforme o coordenador do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) em Santa Cruz do Sul, Marcelo Estula, foram registradas três reclamações contra a Serralheria Silva, todas em 2018. Uma foi em julho, onde o Procon notificou a empresa e as partes entraram em um acordo. Outra em agosto, em que eles foram notificados, mas não houve conciliação, e uma em novembro, quando eles não foram encontrados para receber o aviso.

Conforme Estula, alguns cuidados são importantes para se precaver na hora da contratação de serviços:

1) Sempre pesquise sobre a empresa e procure indicação de pessoas que já contrataram serviços;
2) Ligue para o Procon e veja se há processos contra a empresa. O número de contato é 151;
3) A empresa é obrigada a apresentar um orçamento prévio, com o valor, detalhes e prazo do serviço. Sempre solicite o documento.

 

Ministério Público

Indignados com a situação, algumas das vítimas que se sentiram lesadas pela serralheria se encontraram no começo da tarde desta sexta-feira, 11. O grupo foi até a Delegacia de Polícia de Santa Cruz, ao Fórum e à Secretaria Geral da Promotoria de Justiça de Santa Cruz. No local, através da promotoria de defesa comunitária, protocolaram um pedido de intervenção do Ministério Público no caso.

Foto: DivulgaçãoGrupo procurou a promotoria de defesa comunitária
Grupo procurou a promotoria de defesa comunitária