Data especial 14/03/2019 01h10 Atualizado às 11h31

Dia dos Animais: veja os principais cuidados com a saúde dos pets

Alimentação, cuidados com o coração, limite na humanização, temperatura e doenças como câncer são alguns dos aspectos que necessitam de mais atenção

Lindinhos, engraçadinhos, cheirosinhos... essa é a imagem que muitos fazem dos animais de estimação e, baseados nela, decidem ter um pet para si. De fato, eles são tudo isso e muito mais. Mas, para tanto, necessitam de atenção e zelo. Ser tutor é, acima de tudo, assumir um compromisso e suas responsabilidades.

Alguns aspectos são básicos para o bem-estar animal. A médica veterinária Pauline Albrecht, do Consultório e Pet Shop Cães & Gatos, lembra que não se pode permitir que ele passe sede ou fome, frio ou calor, nem viva em ambiente que o estresse de alguma forma. Também deve receber cuidados com relação à sua saúde e higiene. “Me entristece muito ver animais que chegam até meu consultório com parasitas, sujos, machucados por negligência dos tutores.”      

Não atender às necessidades físicas e emocionais de um pet nada mais é do que uma forma de maus-tratos, considerados crime no Brasil, juntamente com práticas como abusar, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. “Animais assustados, machucados, magros e doentes, por exemplo, costumam denunciar maus-tratos”, alerta Pauline.

O bom tutor, prossegue a médica veterinária, preocupa-se em alimentar adequadamente seu pet, castrá-lo para evitar gestações indesejáveis, vacinar para prevenir viroses fatais e manter um pátio fechado para que seu animal tenha espaço, sem risco de acidentes, já que acorrentá-lo também é um tipo de mau-trato. “E, junto disso, o que não pode faltar é amor!”, completa.

Foto: Divulgação

Coração bem tratado

A cardiologia é uma das áreas da medicina veterinária que apresentam maior progresso nos últimos anos. Tanto a entrada de medicamentos que modificaram o protoloco de tratamento para diversas doenças quanto o surgimento de novos exames que possibilitam o diagnóstico precoce resultam em mais qualidade de vida e longevidade aos pets.

O médico veterinário Rafael Aita, da Pet a Tet Clínica Veterinária, que acaba de concluir sua pós-graduação em cardiologia – o pioneiro na região –, explica que 90% dos pacientes cardiopatas são cães em idade avançada e 85% dos animais com mais de 8 anos sofrerão de endocardiose, ou displasia de válvula cardíaca, que tem como sintomas característicos tosse e cansaço.

Quando tutores procuram a clínica com animais nesse quadro, os recursos disponíveis para cuidar do seu bem-estar cardíaco, como eletrocardiograma, aferição de pressão e ecocardiograma, surpreendem muitos clientes. “Isso porque a área ainda é pouco difundida. Em contrapartida, entre os que conhecem a especialidade, vários recorrem à Pet a Tet em busca de acompanhamento cardiológico para seus cães, pois, por terem idosos cardiopatas na família, entendem a importância desse cuidado também para seus animais de estimação.”

A médica veterinária Heloísa Teichmann Aita destaca o ganho que a ênfase em cardiologia proporciona ao cotidiano da clínica geral. “Em emergências e em cirurgias, por exemplo, a presença de um profissional de cardio auxilia muito no melhor diagnóstico e tratamento dos pacientes. Para anestesias e procedimentos eletivos, nos quais o paciente pode descompensar, ter uma equipe que entende da área torna tudo mais seguro.”

Para contar com o setor de cardiologia e seus benefícios, a equipe médica veterinária da Pet a Tet teve de ser treinada e as estruturas internas da clínica adaptadas para receber os pacientes. Tudo por um bom motivo: “O coração se comporta muito bem quando é bem tratado”, resume Rafael.

Foto: Simoni Gollmann

Respeito à natureza animal

Os animais de estimação, há algum tempo, tornaram-se membros da família. Em algumas, gozam da mesma importância afetiva de um filho, por exemplo. Isso fez com que ganhassem espaço também dentro de casa e nas rotinas dos humanos. Porém, por mais amor que se tenha pelos pets e por mais que se queira tê-los por perto em todos os momentos, a “humanização” dos animais precisa ter limites.

A médica veterinária Manuela Hammes, da Pet Boulevard Clínica Veterinária, observa que muitos tutores tratam seus bichinhos como iguais, esquecendo que eles têm sua própria essência.  “Devido ao excesso de humanização, eles acabam ficando muito dependentes e muitas vezes doentes. Também se prejudicam pelo tipo de alimentação que recebem. Tem quem dê chocolate ou queira que seu cachorro ou gato se torne vegetariano, sendo que eles são carnívoros por natureza. Outros carregam no colo ou em carrinhos de passeio para que não sujem as patinhas, o que é natural para eles.”

Esses comportamentos fizeram crescer o número de animais que tomam ansiolítico ou antidepressivo, por sofrer de problemas como estresse de separação, pois não conseguem ficar longe do dono, nem sozinhos, levando inclusive à automutilação.

Manuela enaltece que as pessoas podem e devem tratar os animais com todo carinho, mas um bom tutor respeita a natureza deles. “É preciso deixar que eles convivam com outros animais, caminhem na rua para desenvolver imunidade, experimentem o sentimento de liberdade, sintam a terra e a grama, recebam as vacinas indicadas e a alimentação adequada.”

Foto: Divulgação

Prontos para a mudança de temperatura

O clima já está diferente. O verão se despede e em breve chegam outono e inverno. Com as mudanças de temperatura, é importante ter alguns cuidados especiais com os pets, como estar com as vacinas em dia. A médica veterinária Tamara Rocha de Moraes, da Clínica Veterinária Vitalis, esclarece que a incidência de doenças infectocontagiosas aumenta nesta época. E é comum as pessoas manterem os cães com o esquema vacinal atualizado, mas a imunização em gatos também é de extrema importância no período, pois a ocorrência de rinotraqueíte e doenças do trato respiratório cresce.

Além disso, Santa Cruz do Sul também tem alta incidência de uma doença chamada Felv (leucemia viral felina), problema grave que leva a maior parte dos gatinhos a quadros de câncer e morte em até três anos. A boa notícia é que para isso, igualmente, existe vacina. Os índices de leptospirose, prossegue Tamara, também são maiores na época de chuvas. Em cães, atenção para a cinomose e parvovirose, com reforço sempre anual. E há ainda imunização para gripe, giárdia e leishmaniose.

Obviamente há outros cuidados básicos no frio, lembra a veterinária, como abrigar os animais da chuva e evitar que fiquem com patinhas e ouvidos molhados para prevenir otites e podermatites.

Foto: Bruno Pedry

 

Aniversário

No dia 2 de abril, a Clínica Veterinária Vitalis fará seis anos. Na ocasião, 10% do faturamento do dia será revertido em benefício da Branquinha, gatinha que está sob os cuidados da ONG Amigo Herói. Ela nasceu com atresia anal e teve megacólon. Passou por duas cirurgias e está em recuperação. Precisa de cuidados e ração especial.

 

Prognóstico favorável

O diagnóstico do câncer é outro campo que evoluiu significativamente na medicina veterinária. Tanto que a doença pode ser detectada cada vez mais precocemente. Segundo a veterinária Mariana Bremm, da Golden Vet Bicho Chique, há exames sanguíneos e de imagem que facilitam a identificação das neoplasias em seu início, favorecendo o prognóstico desses pets.

“Existem estudos que buscam entender se o estilo de vida atual dos animais têm relação com a casuística de neoplasias, mas acredito que a impressão do aumento no número de casos esteja relacionada aos recursos que temos atualmente para identificar esses tumores.” A ocorrência de câncer continua sendo maior nas fêmeas. São tumores de mama e sistema reprodutor, normalmente ocasionados pelo uso de hormônios e injeções para inibir o cio em cadelas e gatas.

Para que os tutores contribuam na prevenção e rápida identificação da doença, é importante observar sintomas. Porém, eles são bastante variáveis, depende de qual órgão é afetado. Mariana cita que o animal pode apresentar desconforto, anorexia, inapetência, dor em alguma região do corpo e prostração. “Como os casos são mais comuns em cães idosos, essa sintomatologia pode passar despercebida. Por isso é importante a avaliação periódica com o veterinário.”

Os tumores normalmente percebidos são aqueles que acarretam em aumento de volume subcutâneo ou em regiões visíveis do corpo, como tumores de pele, sarcomas, carcinomas mamários, mastocitomas e tumores testiculares nos machos. As causas podem ser hereditárias, genéticas, facilitadas por doenças pré-estabelecidas ou induzidas por medicamentos. Já a prevenção de câncer se faz mantendo a saúde do pet em dia, com vacinação, alimento de qualidade, rotina de exercícios, uso de medicamentos somente com acompanhamento de veterinário e idas ao consultório para exames periódicos.

 

CURA

O câncer em animais, como ocorre com os humanos, pode ser curado. Com a identificação precoce da neoplasia, é possível estabelecer a conduta que o veterinário vai ter frente ao quadro do tumor. Pode ser tratamento cirúrgico e/ou quimioterápico, além de cuidados específicos para cada caso. “Quanto antes o pet iniciar o tratamento correto, menores são as chances desse tumor acarretar metástases, o que diminui drasticamente as chances de cura”, alerta a profissional.