Desabafo 01/04/2019 09h37 Atualizado às 11h00

"Eu gostaria que retornasse o Telmo do primeiro mandato", diz Helena no novo gabinete

Helena Hermany chegou para trabalhar em nova sala nesta manhã e trouxe a mudança em um caminhão

Após a polêmica da suposta expulsão do gabinete, a vice-prefeita Helena Hermany (PP) ocupou na manhã desta segunda-feira, 1º, a sua nova sala. Ela chegou ao local junto com o caminhão disponibilizado pela Secretaria de Administração, que trouxe objetos que estavam no outro gabinete. A nova sala ocupada pela vice-prefeita fica junto ao Pavilhão Central do Parque da Oktoberfest.

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Em sua primeira entrevista sobre o assunto à Rádio Gazeta, Helena definiu o caso como lamentável. "Infelizmente eu fui obrigada a tomar essa atitude, fui mandada literalmente para casa. Aí imagine o estado que eu fiquei, acostumada a trabalhar, a executar bem as minhas funções. Sou vice-prefeita pela terceira vez e sempre acumulei secretarias." Questionada, a vice-prefeita disse que não sabe o motivo da expulsão e que sua única alternativa foi acionar o MP. "Foi minha única alternativa, eu estaria em casa, sem gabinete, e foi graças à intervenção do MP que estou hoje aqui com uma estrutura. Já pedi mais algumas pessoas porque quero cumprir com a minha tarefa da melhor maneira possível", disse ao agradecer ao promotor pela intervenção.

Helena vai usar a sala que anteriormente foi ocupada pelos prefeitos do PTB, e que até semana passada abrigada funcionários da Secretaria de Cultura. A pasta migrou para o Centro de Cultura Jornalista Francisco Frantz, no Centro. A estrutura do novo gabine inclui sofás, mesas, armários, ar-condicionado, bebedouro e toalete privativo. Serão instalados nesta segunda os computadores, material de escritório e documentos da vice.  

Foto: Igor Müller

 

A partir desta semana, quando começa a despachar no local, a vice-prefeita terá quatro servidores à disposição, incluindo a chefe de gabinete Ângela Saraiva. Ela pediu mais dois servidores, um efetivo e um de confiança, e dois automóveis para tocar seus projetos sociais e de captação de recursos.

Segundo Helena, a relação com o prefeito Telmo Kirst era ótima. "Ele tem uma característica mais administrativa e gerencial, e como tenho perfil de me relacionar e conversar com as pessoas, éramos uma soma perfeita. A partir do segundo mandato percebi que as coisas começaram a mudar, houve um distanciamento, o prefeito não falava mais comigo, só através de assessores. Faz muito tempo desde a última vez que conversei com ele. Tínhamos uma amizade desde o tempo de estudante, de jovens. Ele frequentava a nossa casa e houve um distanciamento que é bastante dolorido."

Perguntada sobre o que diria ao prefeito se pudesse conversar com ele, Helena foi categórica. "Eu diria para ele: vamos retomar nossa parceria do primeiro mandato." A vice-prefeita diz não acreditar que as atitudes tenham ligação com o próximo pleito, mas aponta sua tristeza com o caso. "Me magoa profundamente, nunca tinha passado por algo assim. Eu trabalho desde os 14 anos e agora aos 70 passar por um constragimento assim é muito dolorido", disse com a voz embargada por lágrimas. "Eu gostaria que retornasse o Telmo Kirst do primeiro mandato, este é o meu maior desejo neste momento."

A partir de agora, Helena Hermany pretende usar a estrutura para fazer o que atribui a lei municipal. "Eu quero virar essa página, vai ser uma nova realidade, porque pela primeira vez vou ser apenas vice. Eu quero trabalhar e fazer meu melhor e o gabinete está de portas abertas. Espero ter o apoio dos secretários e dos vereadores. Estamos nos organizando e tenho um sentimento de que vai ser bom. As coisas acontecem como tem que ser e acima de nós há alguém que vê tudo", disse.

O caso
Helena recorreu ao Ministério Público no último dia 20 de março, após ser expulsa do gabinete que ocupava como vice-prefeita junto ao Ginásio Poliesportivo. Ela também acumulava a função de secretária de Habitação, do qual foi afastada. O MP deu um prazo até esta segunda-feira para que o governo montasse um novo espaço de trabalho para a vice, e se a orientação não fosse seguida, resultaria em ação civil pública na Justiça por improbidade administrativa.

Foto: Igor Müller/Gazeta

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Ouça a entrevista com a vice-prefeita, na íntegra: