Achado 02/04/2019 00h29 Atualizado às 08h30

Reforma encontra cápsula do tempo na DPPA em Santa Cruz

Documentos de 1980, incluindo uma edição da Gazeta do Sul, foram descobertos sob o pavimento da sede da Polícia Civil

A reforma que promete deixar a estrutura da Polícia Civil de Santa Cruz do Sul com aspecto de futuro resgatou parte do passado do município na manhã do último sábado. Em um cano de PVC, enterrado sob o antigo gabinete da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), a equipe da 501 Arquitetura, responsável pela restauração do prédio, encontrou uma cápsula do tempo.

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“Estávamos na fase de quebrar o piso e encontramos uma pedra, na sala da delegada (Raquel Schneider), que inicialmente pensamos ser algum tipo de esgoto. Estava bem difícil de retirar, então, quebramos e  dentro encontramos o cano, totalmente por acaso. Tinha água também, o que danificou um pouco os papéis”, detalhou a arquiteta Bruna Spenner.

Entre os documentos estava o registro da lei de doação do terreno, na Rua Ernesto Alves, pela Prefeitura ao Estado, a cópia de um convênio prevendo a doação de 500 mil cruzeiros para o início da construção do prédio e uma edição da Gazeta do Sul de 4 de novembro de 1980.  Naquela terça-feira, há 39 anos, o então secretário estadual de Segurança Pública, coronel João Oswaldo Leivas Job, acompanhado do deputado Silverius Kist e seus assessores, se reuniu com o prefeito Arno Frantz e o vice Armando Wink, também presidente do Conselho Pró-Segurança (Consepro) de Santa Cruz, para inaugurar a pedra fundamental do futuro centro policial, inicialmente chamado de Palácio da Polícia e hoje sede da DPPA, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da 1ª DP e da Delegacia Regional.

Além da verba do Estado, o Consepro contribuiu com a doação de uma Brasília ano 1977 – um investimento de 420 mil cruzeiros. Dois dias após a publicação da edição que foi enterrada, a Gazeta do Sul mencionou a cápsula do tempo em uma reportagem. A matéria contava que o prefeito esperava concluir o prédio em 1981 e também descrevia a situação econômica da época, que não era muito diferente da atual: com o Estado em crise, os recursos eram buscados junto à comunidade e à Prefeitura.

“Como o Estado não pode tudo, por falta de recursos, nos colocamos ao lado dos valorosos servidores da Polícia, para que estes tenham no futuro um melhor local de trabalho”, disse Arno Frantz. A reforma atual, encabeçada pelo delegado regional Luciano Menezes, está sendo viabilizada exclusivamente com recursos da comunidade.

O que foi notícia no dia

No dia em que a cápsula do tempo foi enterrada, em 4 de novembro de 1980, a manchete da Gazeta do Sul anunciava a adesão de 70% dos professores estaduais de Santa Cruz à greve, segundo o Cpers. Abaixo era divulgada a vinda do secretário de Segurança Pública para o lançamento da pedra fundamental do Palácio da Polícia. A capa do jornal também lembrava as homenagens prestadas aos falecidos dias antes, no feriado de Finados, e noticiava a eleição do gerente financeiro da Souza Cruz na época, Hélio Adolfo Fensterseifer, para a presidência do então Sindicato das Indústrias do Fumo do Rio Grande do Sul. Já a página policial estampava o rosto de três arrombadores detidos dias antes por trocar cheques furtados.


Como está a reforma

Pensada para trazer conforto e comodidade à população, a reforma da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), chamada pelo delegado regional Luciano Menezes de “o SUS da polícia”, deve ficar pronta no mês que vem.  As melhorias incluem salas separadas para registro de ocorrência e espera por atendimento, com climatização, televisão e senha eletrônica, além de estacionamento para as viaturas, portões com vigilância eletrônica e acesso separado para presos.

De acordo a arquiteta Bruna Spenner, da 501 Arquitetura, a parte de demolição das antigas estruturas, incluindo duas camadas de piso, já foi concluída. “O prédio agora está pronto para receber as primeiras modificações, como o contrapiso, gesso e a parte elétrica, que vai ser refeita. Trabalhamos com o prazo para maio, mas sabemos que obra é uma caixinha de surpresas”, comentou. Os documentos encontrados na cápsula do tempo devem integrar a nova decoração da DPPA. Também há planos, segundo Bruna, de montar uma nova cápsula.