É dia dele também 18/04/2019 23h26 Atualizado às 08h41

Indígena vereador vende cestos no Centro de Santa Cruz

No Dia do Índio, conheça Vergilio Camargo, que atua na venda de produtos típicos, na agricultura e no Legislativo

Hoje é celebrado no Brasil o Dia do Índio. A data foi instituída pelo ex-presidente Getúlio Vargas em 1943, em referência ao Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940, que discutiu medidas para proteger os povos indígenas e seus territórios na América. A presença dos índios em território brasileiro, segundo pesquisadores, remete a 12 mil anos antes da chegada dos portugueses. Segundo estimativas, a população indígena brasileira chegou a variar entre 3 milhões e 5 milhões de pessoas.

Hoje são 800 mil índios no Brasil, 32 mil no Rio Grande do Sul. A maioria vive da agricultura de subsistência e do artesanato, como é o caso do índio da etnia caingangue Vergilio Camargo, de 59 anos, que está de passagem por Santa Cruz do Sul. “Em datas especiais, como a Páscoa e o Natal, viajamos às principais cidades do Estado para vender nossos produtos”, comenta.

Natural de São Valério do Sul, cidade gaúcha com pouco mais de 2 mil habitantes próxima à fronteira com a Argentina, Vergilio foi eleito vereador em 2016, o que atribui à grande presença indígena no município. “Temos outros dois vereadores de origem indígena, incluindo o presidente da Câmara”, afirma, ao falar com orgulho da cidade de origem. “Lá plantamos milho e feijão, entre outras culturas, tudo para o consumo de 340 famílias indígenas.”

No município há lavouras familiares, onde cada morador planta de acordo com a vontade, e a grande lavoura coletiva, onde todos plantam. “O lucro das coletivas vai diretamente para a manutenção do maquinário e compra de adubo e outros insumos”, ressalta Vergilio, que elogia o acolhimento em Santa Cruz. “Aqui temos um lugar propício, com excelentes condições para o nosso povo ficar hospedado enquanto estamos de passagem pela cidade.”

O índio da tribo caingangue se refere ao centro de eventos localizado no Vale do Nazaré, Bairro Santuário, cedido pela Prefeitura aos grupos em passagem por Santa Cruz. “Auxiliamos eles com o espaço para terem onde dormir, com banheiro, cozinha, água e luz, tudo gratuito”, comenta a secretária municipal de Políticas Públicas, Guiomar Machado. A Prefeitura ainda promoveu nessa quinta, no local, um almoço junto aos grupos para comemorar o Dia do Índio.

Chá e cestos à venda até domingo

Até este domingo em Santa Cruz os indígenas seguem vendendo no Centro cestos feitos com lascas de taquara ao preço médio de R$ 10,00. Alguns, inclusive, com decorações alusivas à Páscoa. Outro produto oferecido são os maços de chá de macela ao preço de R$ 5,00. Uma das vendedoras é a indígena Solange Mineiro, de 44 anos. “Os chás estão no ponto. Cultivamos os nossos campos de macela e essa época é o melhor momento para colher, antes que as grandes chuvas estraguem”, diz Solange, que mora na reserva indígena do município de Ronda Alta, no Norte do Estado.