Recomeço 20/05/2019 01h02 Atualizado às 10h40

A volta por cima de duas médicas cubanas em Santa Cruz

Lizandrys e Maricel receberam uma oportunidade para voltar a trabalhar na área da saúde em abril deste ano

Duas farmácias de Santa Cruz do Sul contam com o atendimento de cubanas, ex-participantes do programa Mais Médicos. Ambas foram contratadas em abril deste ano, após passarem por dificuldades para se manter longe da terra natal. Acostumar-se com a cultura local e driblar o preconceito foram desafios superados.

Lizandrys Tomè, de 34 anos, é natural de Havana, especializada em saúde da família. Ela trabalha na unidade de uma farmácia do Bairro Arroio Grande. Por meio do programa Mais Médicos, chegou ao Brasil em setembro de 2014. Atuou até maio de 2016, em Herveiras. Depois de um período em Cuba, voltou com a permanência legalizada em dezembro de 2016, por ter casado com um sinimbuense que conheceu em Herveiras. Após o fracasso do Revalida no ano seguinte, Lizandrys passou a procurar emprego. Conseguiu em uma loja de calçados, em outubro de 2017, onde ficou por quase um ano e meio.

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Para Lizandrys, o governo brasileiro não apoiou os cubanos da forma que deveria. “Muitos colegas passaram dificuldades. Agradeço a oportunidade que tive. Não estou exercendo a medicina, mas atuo na saúde. A farmácia proporciona uma proximidade muito grande com as pessoas. Em Cuba, temos um pensamento de dar um retorno à comunidade em relação ao que aprendemos. Busco fazer isso aqui, proporcionar um atendimento humanizado. Quero ser uma boa profissional em qualquer função que estiver exercendo.” Um ponto negativo é a saudade, principalmente dos pais e irmão. “No Dia das Mães, não pude nem lembrar do assunto que comecei a chorar.”

Aprendendo sempre

Maricel Rodríguez, de 39 anos, natural de Matanzas, veio para o Brasil em março de 2014, na primeira turma do Mais Médicos, para atuar em Linha Santa Cruz. Os outros sete que vieram com ela regressaram para Cuba. O marido venezuelano, um engenheiro civil, também veio para o Brasil em 2014. Ambos conseguiram legalização.

Maricel ficou no programa até agosto de 2017. Depois de 15 dias desempregada, foi contratada em uma clínica geriátrica. O objetivo inicial era trabalhar em uma farmácia, o que agora foi alcançado. “Aqui lidamos com medicamentos, estamos aprendendo sempre. Criamos um vínculo de confiança com as pessoas, principalmente quando demonstramos preocupação por elas. Nós as acolhemos da melhor forma, orientamos em relação aos medicamentos”, explica. Da mesma forma que Lizandrys, Maricel especializou-se em saúde da família.

Foto: Lula HelferMaricel chegou na primeira turma do programa, para atuar em Linha Santa Cruz
Maricel chegou na primeira turma do programa, para atuar em Linha Santa Cruz