Memória 23/05/2019 22h54 Atualizado às 17h27

E o mistério dos cofres-fortes continua em Santa Cruz

Tanto em Linha Santa Cruz quanto em Rio Pardinho ninguém localizou chave ou encontrou solução para os cofres-fortes

O mistério dos cofres-fortes continua. Os dois móveis, da marca Berta, que pertenceram às antigas cooperativas agrícolas de Linha Santa Cruz e de Rio Pardinho, dos quais há muitos anos ninguém mais conseguiu localizar a chave, seguem inacessíveis, a exemplo do que a Gazeta do Sul noticiou nas edições de quarta e de quinta-feira. Nas duas localidades, pessoas ligadas às famílias dos dirigentes das extintas cooperativas tentaram localizar a chave, mas sem sucesso, e as que foram apresentadas não serviram.

Foto: DivulgaçãoO cofre da cooperativa de Linha Santa Cruz
O cofre da cooperativa de Linha Santa Cruz

A intenção dos integrantes do Rotary Santa Cruz do Sul – Cidade Alta, de Linha Santa Cruz, em cuja sala encontra-se o móvel, é de efetivamente conseguir abrir o cofre logo, e então saber o que, afinal, há em seu interior. O responsável pelo protocolo do clube, Paulo Afonso Trinks, assegura que a partir de hoje a entidade fará contatos mais pontuais a fim de desafiar algum chaveiro a abri-lo, ou até de contactar empresa fabricante para buscar auxílio nesse sentido.

Ontem, em entrevista aos jornalistas Maria Eichenberg e Leandro Porto, no programa Rede Social, da Rádio Gazeta FM 107,9, Trinks referiu que todas as tentativas feitas na cidade para identificar chaveiro em condições de abrir o cofre, sem causar dano, foram infrutíferas. “Se é para arrombar o cofre ou danificá-lo, preferimos deixar como está e nem saber o que tem dentro”, frisa.

A diretoria do Rotary Cidade Alta pretende fazer contato hoje com empresa de Porto Alegre que, pelas informações prévias, poderia destacar especialista a fim de tentar abrir o cofre sem causar dano a sua estrutura. “Ou quem sabe algum chaveiro sinta-se desfiado a nos ajudar nesse sentido”, comenta. “Com isso ele até colocaria seu nome em evidência.”

Trinks entende que se trata de uma peça histórica, que faz parte da memória da localidade, e como tal deve ser tratada. No programa ele igualmente referiu a intenção do Rotary, bem como da comunidade, de utilizar a divulgação e a popularização em torno do caso do cofre-forte como um estímulo para, quem sabe, concretizar na Linha Santa Cruz uma espécie de pequeno museu dedicado à memória da colonização alemã. Justamente em 2019, a comunidade mobiliza-se para marcar a passagem dos 170 anos da chegada dos primeiros imigrantes, que se instalaram nessa área, chamada de Alte Pikade.

“Pensamos que, a exemplo do cofre, mantido na sala que o Rotary Cidade Alta ocupa no prédio da antiga cooperativa, moradores e outras pessoas talvez tenham objetos ou quisessem ceder materiais que narram a história regional”, frisa. No entanto, entende que isso exigiria coordenação entre iniciativa privada, entidades e Poder Público, diante da responsabilidade e do compromisso de preservar tais objetos, de valor afetivo e cultural. “Não podemos simplesmente receber ou reunir eles e depois correr o risco de sumirem”, cita. “Um museu, que preserva a memória e a história, é algo muito sério”.

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Em Rio Pardinho

Já em  Rio Pardinho o dia também foi de muita curiosidade em torno do cofre que pertenceu à antiga cooperativa local, hoje extinta. E mais uma vez ninguém apareceu com a chave ou deu indicativo de que poderia abrir o móvel. O empresário e líder comunitário Hardi Lúcio Panke salienta que muitas pessoas fizeram contato e se interessaram pelo tema, e que o mistério acerca do que estaria no interior do cofre gerou comentários. Em seu entender, quando um dos cofres, seja o de Linha Santa Cruz, seja o de Rio Pardinho, puder ser aberto, certamente estará lançada a solução para o duplo impasse.

Um terceiro cofre

Enquanto Linha Santa Cruz e Rio Pardinho veem-se às voltas com os cofres-fortes de suas antigas cooperativas, o empresário Raul Kothe, da Máquinas Schreiner, contactou a Gazeta do Sul para referir, em tom lúdico e divertido, que ele também tinha conhecimento de um cofre, na mesma linha dos dois mencionados nas reportagens. Acontece que a sua empresa possui um igual, “também centenário”, mas com uma interessante diferença: funcionando, e com chave! “Só não guardo dinheiro nele”, brincou seu Raul. É da mesma marca, Berta, e está mantido em excelente estado, com o belíssimo molho de chaves agora, sim, bem preservado. Kothe acrescenta que Berta é fabricante estabelecido em Porto Alegre, sendo reconhecido justamente pela qualidade dos materiais da marca. Que, assim, não por acaso, resistiram ao tempo.

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoCofre-forte da mesma marca e do mesmo modelo dos que pertenceram às cooperativas, mas bem conservado, e com suas chaves, na empresaMáquinas Schreiner
Cofre-forte da mesma marca e do mesmo modelo dos que pertenceram às cooperativas, mas bem conservado, e com suas chaves, na empresa Máquinas Schreiner