Frete 28/05/2019 23h04 Atualizado às 06h20

Buracos encarecem logística em 30% no Vale do Rio Pardo

Situação nas rodovias federais e estaduais da região força motoristas a testarem habilidade, gera danos nos veículos e encarece o frete

Os repetidos dias de chuva, associados ao tráfego intenso e à falta de manutenção, contribuem para aumentar a quantidade de problemas nas principais rodovias do Vale do Rio Pardo. Falta de sinalização, falhas na drenagem e buracos em vários trechos tornam-se testes para a perícia dos motoristas e um custo extra aos transportadores.

Conforme o diretor regional do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado (Setcergs), Alaor Canêz, o transporte na região, especialmente entre as rodovias RSC-471 e BR-290, torna o custo da operação logística mais caro. “Não há uma viagem em que, na volta, não seja necessário levar o caminhão para manutenção, para verificar molas e eixos”, lamenta. De acordo com ele, todo esse custo de manutenção, com revisões após cada viagem, eleva a despesa com a operação em até 30%.

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O diretor, que também administra uma empresa de transportes em Santa Cruz do Sul, revela que a falta de condições nas estradas exige adoção de cuidados extras para quem transporta cargas fracionadas. “O embarcador gasta muito com embalagens para preservar a qualidade dos produtos. Aumenta o custo de frete, tanto na manutenção quando na forma de transportar os produtos”, complementa.

Para o supervisor de logística Jair Augusto Naue, o desafio está em sair de Santa Cruz e chegar ao Porto de Rio Grande, via RSC-471. Segundo ele, há perdas no desgaste do veículo e com o tempo necessário para desviar dos buracos. “São péssimas as condições do asfalto, assim como da sinalização em alguns trechos.”

Foto: Bruno PedryChuva intensa e falta de manutenção aumentam os buracos
Chuva intensa e falta de manutenção aumentam os buracos

 

Trechos têm deslizamentos e sinalização ruim

Em outro ponto problemático, na RSC-153, entre Vera Cruz e Herveiras, a falta de manutenção aparece não só nos buracos, mas também nos deslizamentos de terra e no risco que representa o barro sobre o asfalto em dias de chuva. Conforme o engenheiro civil Rodrigo Witt, sair de Santa Cruz para trabalhar em Herveiras “é uma missão”. No trecho que fica na localidade de Ferraz, no interior de Vera Cruz, o barro desce a ladeira e transborda para o asfalto, pois a drenagem abaixo do acostamento está entupida. “Passar por ali durante a chuva é perigoso, ainda mais para quem não conhece a estrada. As valas instaladas nos acostamentos não são suficientes”, critica. De acordo com Witt, quem faz a viagem até Herveiras também passa por buracos e problemas de sinalização.

Outra rodovia com sérios problemas de sinalização é a ERS-400, no caminho de Candelária a Sobradinho. Segundo o empresário Alan Scherer, a partir de Vila União, localidade do interior de Candelária, chegar a Sobradinho torna-se uma aventura. “Nesse trajeto há muita serração. Por isso é necessário que haja uma sinalização segura na pista. Está tudo deteriorado, em alguns locais não se vê nada.”

Na BR-290, no caminho entre Pantano Grande e Cachoeira do Sul, a impressão é de abandono. Conforme o jornalista Lucas Carlos da Silveira, faltam sinalização e manutenção de acostamentos, e os buracos se multiplicam. “O trecho é muito ruim, parece que estamos abandonados nesta área.”

CONTRAPONTOS

  • Dnit diz que fez melhorias na 290

A Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que fez a manutenção no trecho da BR-290 que passa por Cachoeira do Sul, aplicando um microrrevestimento asfáltico. A recuperação teria sido concluída no último domingo.

  • Daer busca recursos para obras

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que o segmento entre Candelária e Vila União, na ERS-400, está contemplado no Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema) da Região de Santa Maria, que prevê a recuperação do trecho.
Em relação aos demais trechos e rodovias, o Daer revelou que está buscando, junto à Secretaria Estadual da Fazenda, os recursos financeiros necessários para dar continuidade à manutenção. A pauta está sendo tratada como prioridade.
No caso da RSC-471 e RSC-153, assim que as condições climáticas permitirem, ambas as estradas devem receber serviços de tapa-buracos nos pontos mais críticos. A expectativa é de iniciar os trabalhos ainda nesta semana.  O comunicado do Daer reforça que a situação das rodovias fica pior durante os períodos de chuva e em razão do excesso de carga dos veículos.

  • Tapa-buracos

Embora não tenha sido citada pelos usuários ouvidos pela Gazeta do Sul, a RSC-287 também coleciona buracos em decorrência das  chuvas. Segundo a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), os trechos com maior concentração de problemas estão entre Venâncio Aires e Candelária, passando por Santa Cruz. Por meio de nota, a EGR destaca que os pontos com problemas receberão a operação tapa-buracos, mas os serviços dependem da estabilidade do clima. Conforme a estatal, enquanto o tempo úmido se mantiver, não poderão ser feitas obras com asfalto quente. Elas serão retomadas assim que o clima permitir.


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