Investigação 05/06/2019 21h12

Como funcionava o esquema envolvendo vereador em Santa Cruz

Ministério Público detalhou a participação dos três envolvidos

O Ministério Público apurou que Paulo Lersch seria o mentor do esquema. Ele seria encarregado de escolher e contratar pessoas para trabalharem como assessores parlamentares dele ou para outros cargos em comissão (CC) da Câmara, por acordo político. Os escolhidos seriam pessoas que necessitavam de emprego e, por isso, se submeteriam mais facilmente à exigência da entrega de parte das remunerações, em troca de valores muito menores aos que efetivamente correspondiam aos cargos. Ainda, de acordo com a investigação, Paulinho era o responsável por apresentar ao contratado as "condições" para exercer o cargo remunerado na Câmara de Vereadores.

Homem de confiança do parlamentar, Carlos Henrique Gomes da Silva estaria encarregado de orientar e advertir as vítimas da necessidade da entrega mensal da maior parte das remunerações e de recolher os valores na casa da mãe de Paulinho, Nersi Ana Backes. A mulher ficou encarregada de receber, arrecadar e guardar em casa os valores obtidos com a prática criminosa. Ao final do esquema criminoso, ela alcançava as vantagens obtidas para o filho ou para Carlos Henrique. 

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De uma das vítimas, os valores teriam sido cobrados entre 3 de maio de 2018, quando foi contratada, a 28 de maio de 2019. De acordo com o MP, a extorção ocorria sempre nas datas de pagamentos dos servidores da Câmara de Vereadores. Do valor superior a R$ 5 mil estabelecidos para a função, o servidor ficava com apenas R$ 1 mil. Portanto, os outros R$ 4 mil eram encaminhados para o esquema. Apenas essa vítima, conforme o MP, teria repassado cerca de R$ 50 mil aos denunciados. 

Outra vítima também teria repassado valores ao esquema, entre 11 de março e 28 de maio deste ano. Segundo o MP, durante uma conversa com o vereador, teria informado que estaria precisando de emprego. Lersch teria questionado qual seria o salário necessário e, então, ofereceu um cargo na Câmara. Enquanto estava trabalhando, a vítima soube que teria direito a um salário de R$ 6,2 mil - pouco mais de R$ 5 mil líquidos - e procurou o vereador para esclarecer como estaria recebendo apenas R$ 1 mil. Paulinho teria informado sobre a necessidade de repassar a maior parte da quantia a ele.

Ainda de acordo com a denúncia, o contratado seria uma vítima indireta da concussão "já que, caso se recusasse, perderia o cargo em comissão". Após o cumprimento de um mandado de buscas na casa de Nersi, no dia 28 de maio, os denunciados teriam ainda ameaçado as vítimas a não revelarem o esquema, segundo aponta o Ministério Público.
 

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