Pesquisa 13/06/2019 23h06 Atualizado às 11h52

Maioria dos santa-cruzenses não crê em menos violência com mais armas

Mais de 65% dos moradores de Santa Cruz acredita que decretos de Bolsonaro não vão repercutir em redução nos índices de segurança pública

Para a maior parte da população de Santa Cruz, as medidas de flexibilização no acesso a armamentos anunciadas nos últimos meses não vão reduzir a violência no País, ao contrário do que prega o governo federal. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Methodus.

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A pedido da Gazeta do Sul, o Methodus ouviu entre os dias 30 de maio e 4 de junho 400 pessoas de ambos os sexos e diferentes bairros, faixas etárias e níveis de renda e escolaridade. O volume de entrevistados que responderam que os decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) não vão repercutir em redução nos índices de violência chegou a mais de 65%, enquanto pouco menos de um terço acredita que haverá impacto positivo na segurança pública.

O primeiro decreto, editado em janeiro, trouxe mudanças nas regras referentes ao direito de posse – ou seja, de manter uma arma no interior da residência ou local de trabalho do proprietário. Já o segundo, editado em maio, trouxe novidades em relação ao direito de porte – ou seja, de transitar com a arma em ambientes que não são a residência ou o local de trabalho. Uma das alterações é a inclusão de mais 20 categorias na lista de quem pode obter o porte e o aumento no limite para compra de cartuchos por ano (veja quadro). Desde que foram anunciadas, as medidas dividiram o País: enquanto uma parcela da população reivindica a liberdade de os cidadãos se defenderem em um cenário de violência epidêmica, outra alega que a maior circulação de armas só irá estimular a criminalidade e as mortes.

A pesquisa Methodus também indica que, em Santa Cruz, a rejeição às mudanças é maior entre mulheres e pessoas com renda e nível de escolaridade mais baixos. Ainda assim, a opinião de que as medidas não vão melhorar a segurança pública é verificada em todos os perfis.

PRINCIPAIS PONTOS

DECRETO DE JANEIRO

  • Critérios

Pessoas que residam em locais habitados por criança, adolescente ou deficiente mental precisarão contar com um cofre ou local seguro com tranca para poder ter posse de arma.

  • Justificativa

Foram previstas diversas situações que podem ser consideradas como “efetiva necessidade” para ter armas: ser dono de estabelecimento comercial e industrial, morar em área rural ou em área urbana de estados com altos índices de violência.

DECRETO DE MAIO

  • Categorias

A autorização para o porte de armas, que antes era restrita a categorias como policiais e integrantes das Forças Armadas, foi estendida a 20 outras categorias, incluindo advogado, político em exercício de mandato, caminhoneiro, oficial de justiça, jornalista de cobertura policial, agente de trânsito e agente público de segurança (mesmo inativo).

  • Armas permitidas

Armas mais letais, que até então eram de uso privativo de forças de segurança, passam a ser de uso permitido. Isso inclui a pistola 9mm – que era restrita ao Exército e Polícia Federal – e o revólver calibre .40, utilizado por policiais militares e civis.

  • Moradores da zona rural

Moradores de áreas rurais, que até então só podiam usar armas no interior de suas casas ou no local de trabalho, agora poderão utilizá-las em toda a extensão das propriedades.

  • Munições

Poderão ser compradas até 5 mil munições por ano para armas de uso permitido e mil para as de uso restrito. Até então, o limite era de 50 munições para ambos os casos.

  • Tiro desportivo

Menores de 18 anos poderão praticar tiro desportivo apenas com autorização de um de seus responsáveis legais. Até então, era necessária autorização judicial.

  • Validade

O prazo de validade do Certificado de Registro de Arma de Fogo passa de cinco para dez anos.

  • Importação

Fica permitida a compra de armamentos e munições fora do País. Até então, a importação era proibida quando havia um produto similar no mercado interno.

A PESQUISA

O governo federal está facilitando a posse e o porte de armas para pessoas da sociedade civil. Na sua opinião, essa medida reduzirá a violência ou não reduzirá a violência?

Foto: Divulgação

 

Os detalhes

A opinião predominante de que a flexibilização no acesso a armas não reduzirá a violência é comum a todos os perfis de entrevistados. No que toca a gênero, porém, essa visão é maior entre as mulheres (74,42%) do que entre os homens (57,53%).

Em relação ao fator idade, a maior resistência à flexibilização das armas está na faixa etária de 45 a 54 anos (72,73%). Na outra ponta, o maior apoio à medida se encontra entre as pessoas com 55 anos ou mais (30,97%).

Quanto ao grau de escolaridade, pessoas com ensino fundamental são as que mais rejeitam as mudanças (70,14%), enquanto os entrevistados com ensino superior são os que mais apoiam (29,67%).

Pessoas com renda entre R$ 1.909,00 e R$ 4.770,00 são as que mais rejeitam as medidas (75%). Já o maior índice de aceitação está entre as pessoas com renda mais elevada, acima de R$ 9.541,00 (42,65%).