Câmara 02/07/2019 08h09

Quatro perguntas para entender a renúncia de Paulo Lersch

Ex-vereador está preso há 27 dias pela Operação Feudalismo do Ministério Público

Preso há 27 dias pela Operação Feudalismo, do Ministério Público, Paulo Lersch renunciou ao mandato na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul. Com isso, ele evitará o processo de cassação que havia sido aberto após vir à tona a denúncia de captação irregular de parte dos salários de CCs do Legislativo.
Lersch teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de junho, mesmo dia em que foi afastado da Câmara. Um assessor dele, Carlos Henrique Gomes da Silva, também está preso. Eles e a mãe de Lersch, Nersi Ana Backes, são alvo de duas ações judiciais. O episódio também levou à expulsão de Lersch do PT, partido pelo qual se elegeu em 2012 e 2016.

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Quatro perguntas sobre a renúncia

  • O que muda na situação de Lersch com a renúncia?

Com a renúncia, o mandato de Lersch na Câmara foi extinto. Com isso, o processo que havia sido instaurado para discutir a sua cassação é anulado.

  • Com a denúncia, ele deixa de responder pelas acusações?

Não. Lersch continua preso e responderá à denúncia feita pelo Ministério Público em duas ações, uma na esfera criminal e outra na esfera cível.

  • Por que Lersch segue preso?

A prisão preventiva foi decretada para preservar as provas, já que, segundo a denúncia, Lersch e o assessor Carlos Henrique Gomes da Silva teriam intimidado testemunhas. Diferente da modalidade de prisão temporária, a prisão preventiva não tem prazo determinado e pode se estender até o fim do processo, a não ser que seja revogada pela Justiça. Até o momento, isso não aconteceu.

  • O que acontece agora?

As ações contra Lersch na Justiça estão em fase inicial. Um dos processos tramita na 1o Vara Criminal de Santa Cruz, sob a responsabilidade da juíza Luciane Glesse. Já a ação de improbidade administrativa tramita na 3o Vara Cível e será julgada pela juíza Letícia Bernardes da Silva.

Do uniforme à renúncia

A renúncia de Paulo Lersch na Câmara de Santa Cruz é o desfecho melancólico de uma história que, em seu princípio, parecia promissora. Empresário e líder comunitário no Bairro Esmeralda, Lersch elegeu-se pela primeira vez em 2012, aos 28 anos. Em seus primeiros passos como parlamentar, chamava a atenção pelo vigor e desenvoltura. Antes de qualquer colega, foi a Brasília em busca de recursos para o município e esteve presente em discussões estratégicas para a região, como a da implantação do eixo sul da Ferrovia Norte-Sul, participando de diversas audiências públicas e reuniões – chegou a conversar pessoalmente sobre o assunto com o então governador Tarso Genro. Valia-se da proximidade com o ex-presidente do Congresso Nacional, Marco Maia (PT), à época uma das figuras mais influentes do País. Chegou a ciceronear Maia em uma visita a Santa Cruz em 2013.

Crítico das velhas práticas da política, procurava dar demonstrações de que levava a sério o mandato. Logo que assumiu, adotou um uniforme oficial em seu gabinete, algo sem precedentes na Câmara. A camiseta com a sua identificação era usada frequentemente por ele e seus assessores. Chegou a apresentar um projeto para instituir uma segunda sessão ordinária por semana, mas foi derrotado. Tudo isso colocava-o em uma posição de expoente da nova geração da política santa-cruzense.

Em 2016, Lersch quase deixou o PT e, na ocasião, fez críticas ao envolvimento do partido com escândalos de corrupção. Reeleito, tornou-se presidente da Câmara em 2017, ganhando a confiança do prefeito Telmo Kirst. A aliança com o governo, porém, foi vista com desconfiança por setores da comunidade e colocou-o em fogo cruzado no partido. Desde o ano passado, estava apagado em plenário, evitando a tribuna e com pouquíssima produtividade.

De 27 dias para cá, o que era uma promessa entrou em colapso: foi afastado da Câmara por decisão judicial, teve a prisão preventiva decretada, virou réu em duas ações judiciais, acabou expulso do PT, esteve sob risco de cassação e, por fim, renunciou. 

A sucessão dos fatos

5/6 - Ministério Público deflagra a Operação Feudalismo. Justiça determina o afastamento temporário da Câmara e a prisão preventiva de Paulo Lersch e Carlos Henrique Gomes da Silva. Eles e Nersi Ana Backes tornam-se réus em ação criminal.
7/6- PT confirma expulsão de Paulo Lersch.
12/6 - Tribunal de Justiça nega pedido de liminar apresentado pelas defesas de Lersch e Carlos Henrique junto a habeas corpus.
13/6- Após MP entrar com nova ação, essa na esfera cível, Justiça determina bloqueio de bens de Lersch, Carlos Henrique e Nersi.
17/6- Vereadores recebem denúncia da presidente Bruna Molz (PTB) contra Lersch e instauram procedimento que pode levar à sua cassação.
26/6 - Justiça nega pedido de revogação da prisão de Lersch. Com isso, ele permanece recolhido.
1º/07 - Lersch renuncia ao mandato na Câmara.

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