Tabaco 10/07/2019 21h31 Atualizado às 10h45

Transplante das mudas chega a 3% na região

Afubra recomenda que trabalho seja feito sempre a partir de agosto, para evitar estragos com o frio e a geada

A produção de tabaco da safra 2018/19 ainda é vendida para a indústria pelas famílias produtoras, mas os preparativos para o novo ciclo produtivo já se intensificam. Na região litorânea de Santa Catarina, os fumicultores já transplantaram mais de 60% das mudas de tabaco para as lavouras. De acordo com o gerente técnico da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Paulo Vicente Ogliari, no Vale do Rio Pardo a porcentagem chega a 3%, enquanto na região Centro-Serra, a 2% da área.

Embora a entidade não tenha dados acerca das perdas causadas pelas recentes incidências de geada, uma vez que não possui seguro para esse fenômeno, Ogliari ressalta que possivelmente houve perdas maiores nas lavouras transplantadas mais recentemente. “Isso porque as plantas ainda não enraizaram, tem a questão do estresse do transplante, e também é bastante cedo para o plantio. O período normal de transplante se inicia em agosto”, ressalta o gerente.

Na região, algumas famílias optam por transplantar mais cedo na tentativa de evitar a colheita no forte do verão, o que torna o trabalho mais oneroso e pode prejudicar a qualidade do produto, em razão da queima das folhas pelo sol. Embora a Afubra ainda não tenha projeção exata sobre a produção para a próxima safra, a tendência é de que os fumicultores sul-brasileiros mantenham ou diminuam a área de 297.460 hectares, devido à redução do número de cigarros no mundo.

Dicas valiosas

O produtor de tabaco Giovane Luiz Weber abordou recentemente em sua coluna, Por Dentro da Safra, na Gazeta do Sul, a importância da proteção dos canteiros contra o frio. Para que as mudas não fiquem repletas de gelo, é importante colocar mais um pano por cima das estruturas com as mudas. “Também pode ser uma lona preta ou outro material que cubra bem o local para evitar o congelamento da água. Se a muda queima com o gelo nas folhas, ela preteia, mas não morre – apesar de haver casos de perda quando congela demais –, porém vai adoecer e criar fungos. Por isso, a proteção”, ensina. Para as mudas que já estão na lavoura, no entanto, não há muito o que fazer: é um risco que o produtor corre quando planta mais cedo para fugir, depois, do calor em dezembro e janeiro.

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