Segurança pública 22/07/2019 23h45 Atualizado às 12h12

“A região pode ser um modelo”, diz ex-secretário estadual de Segurança

Cezar Schirmer, de passagem por Santa Cruz do Sul, defendeu a parceria entre setores público e privado

Parcerias entre os setores público e privado e a integração das polícias Civil, Federal e Militar são alguns caminhos para revolucionar a segurança pública no Rio Grande do Sul. A avaliação é do ex-secretário estadual de Segurança, Cezar Schirmer, que esteve reunido nessa segunda-feira, 22, com Cássio Nunes, presidente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) e prefeito de Pantano Grande. Uma das pautas do encontro foi o cercamento eletrônico (com uso de câmeras) do Estado, proposto ainda no governo de José Ivo Sartori (MDB), do qual Schirmer fez parte. Durante sua passagem pela região, Schirmer também visitou a Gazeta, onde falou sobre seus projetos.

Criada no governo Sartori, a lei que prevê destinação de parte do ICMS para investimento em segurança é apontada por Schirmer como meio de evitar o sucateamento do setor. Hoje o Estado conta com duas leis que tratam sobre isso: uma prevê a isenção do ICMS para quem doa algum bem para a segurança pública; e a outra permite que se pague 95% do valor do tributo para o Estado e os outros 5% para investimentos em segurança, seja doando para algum fundo ou comprando equipamentos. “O incentivo a essas parcerias foi uma mudança profunda na questão da segurança pública e um modelo para o País”, frisou. A parceria público-privada, para Schirmer, também pode ser ferramenta para colocar em prática o plano de cercamento eletrônico da região e do Estado.

“O presidente do Cisvale quer deixar o plano de cercamento consolidado. Prefiro falar em plano de segurança que inclua o cercamento eletrônico, porque não basta termos apenas câmeras. É preciso parceria entre os órgãos de segurança e a iniciativa privada para prevenir e solucionar crimes, como roubos a banco”, detalhou.

Um exemplo da sua proposta é a instalação, por parte das agências bancárias, de cortinas de fumaça. O dispositivo, que, segundo ele, custa cerca de R$ 9 mil, dispara uma névoa densa em menos de 20 segundos e impede que o crime seja consumado. “Por isso, tem de envolver a iniciativa privada, os bancos, as indústrias, o comércio, a Prefeitura. Aqui na região já existe essa tradição. Se conseguirmos somar iniciativa privada, poder público estadual e, eventualmente, organismos da União, dá para fazer rapidamente um modelo de segurança inovador, qualificado, barato e exemplar para todo o Estado. A região tem tudo para ser modelo para o Rio Grande do Sul”, afirmou.

A tecnologia empregada no sistema é outro ponto fundamental. Schirmer destaca que hoje há câmeras que podem ser programadas para “investigar” sozinhas algumas situações. “É possível programar o tipo de veículo que se quer flagrar por placa e cor; reconhecimento facial, de carros roubados, com licenciamento vencido e por aí vai. Tudo isso sem precisar necessariamente de um policial operando”, comentou.

Embora acredite que a tecnologia não possa substituir o efetivo humano, destaca que ela é aliada importante. “Antes, segurança se fazia com gente, arma, carro e colete, mas hoje o crime se sofisticou. Nos criticaram por comprar Corollas para a Brigada Militar, mas como podemos colocar um brigadiano para perseguir criminosos com carros de última geração se não for com boa tecnologia também?”, argumentou.

Um meio para tornar esses investimentos possíveis, conforme ele, é a criação de institutos voltados a esse fim, a exemplo do Instituto Cultural Floresta, de Porto Alegre, que já destinou R$ 14 milhões para a segurança pública. Em Lajeado foi criado recentemente o Instituto Ipê Amarelo, com o mesmo fim. “Esses órgãos são fundamentais porque criam os projetos e captam a verba do ICMS, por exemplo, com o empresariado. Ter algo assim em Santa Cruz seria ideal”, frisou.

Ainda conforme Schirmer, além da falta de efetivo, o combate ao tráfico de drogas deve ser desafio do governo atual e dos próximos. Para ele, a resposta não está na flexibilização, mas na prevenção e no trabalho de inteligência. “Não adianta prender o vendedor da ponta. É preciso investigar e chegar no topo da cadeia. E isso se faz com integração, porque não adianta cada polícia ter uma informação e elas não conversarem. E é preciso conscientizar as crianças e as comunidades, para de fato prevenir.”