Tabaco 25/07/2019 19h30

Setor se mobiliza pela inserção dos cigarros eletrônicos no mercado

Lideranças buscam a liberação destes produtos, considerados menos nocivos. Assunto será tema de audiência da Anvisa

Uma importante reunião em Brasília, no próximo dia 8, pode começar a traçar novos rumos para o setor industrial que é a base da economia da região. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá realizar uma audiência pública para discutir a possível inserção de novos produtos de tabaco no mercado brasileiro, como os cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido. Atualmente, esses produtos, considerados estratégicos para o futuro do setor, têm a venda proibida no Brasil.

Lideranças ligadas ao setor já se mobilizam para ir ao encontro. Segundo o prefeito de Venâncio Aires e membro da diretoria da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), Giovane Wickert, a ideia é adotar uma posição de defesa dos novos produtos. “Demorou praticamente um ano desde que solicitamos essa audiência. Somos a favor da implementação desses produtos, pois é uma tecnologia que vem e pode se destacar no Brasil, podendo abrir o mercado de exportação para o mundo e gerar novas frentes de trabalho na área da indústria”, disse Wickert.

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A produção tecnológica, segundo o prefeito de Venâncio Aires, irá agregar valor ao produto. “Teremos uma exportação muito maior, uma vez que o nosso tabaco é um dos melhores do mundo.” Comissões anti-tabagistas são contrárias à liberação e também se mobilizam para participar da audiência. Giovane Wickert, porém, ressalta que “são produtos que reduzem bastante  o dano à saúde, por serem apenas aquecidos, não gerando combustão”. Segundo o membro da Amprotabaco, os setores que são contra querem banir a produção, prejudicando o setor. “Por outro lado, nós defendemos o equilíbrio entre a saúde e a economia”, finalizou.

Clima instável adia transplante de mudas

Com 98% da safra 2018/2019 de tabaco comercializada, os produtores da região já iniciaram o transplante de mudas para as lavouras visando a safra seguinte. O clima instável, no entanto, vem atrapalhando o trabalho. “Cerca de 6% dos nossos produtores já transplantaram as mudas, mas a forte chuva dos últimos dias vem alagando as lavouras, dificultando muito o serviço”, destacou o gerente de Departamento e Supervisão Técnica da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Paulo Vicente Ogliari. Segundo ele, os números finais e análises sobre a safra 2018/2019 serão divulgados no final de agosto, após uma pesquisa de campo que vem sendo realizada pela Afubra.

ENTENDA

O que são estes produtos?
Cigarro eletrônico – Não utiliza tabaco, apenas uma solução líquida de nicotina. Quando o usuário dá a tragada, a nicotina é aquecida, gerando vapor.

Tabaco aquecido – Possui tabaco na composição. Diferente do cigarro tradicional, porém, o tabaco não é queimado, apenas aquecido a uma temperatura controlada, gerando vapor.

Por que eles são mais seguros?
Tanto o cigarro eletrônico quanto o produto de tabaco aquecido dispensam a combustão em sua utilização. Estudos indicam que é justamente na queima do tabaco que a maior parte dos componentes tóxicos do cigarro é liberada. Ao eliminar esse processo, o prejuízo se tornaria bem menor, apesar dos danos diretamente associados à ingestão de nicotina. Sem a fumaça, o impacto sobre a qualidade do ar em locais fechados também é menor e o usuário deixa de ser um gerador de fumantes passivos.

Quais produtos já existem?
Philip Morris International (PMI) – Possui quatro plataformas de produtos de risco reduzido em diferentes estágios de desenvolvimento e comercialização, mas o carro chefe é o IQOS, produto de tabaco aquecido, que encerrou 2017 com presença em 30 países e em todos os continentes.

British American Tobacco (BAT) –  Uma das frentes envolve os cigarros eletrônicos, segmento no qual a empresa é líder mundial. O Vype, marca da BAT, é hoje número 1 no mercado do Reino Unido. Em outra frente, a empresa já comercializa o GLO, produto de tabaco aquecido, em países como Japão, Coreia do Sul, Suíça, Canadá e Rússia.

Japan Tobacco International (JTI) – A multinacional comercializa um produto de tabaco aquecido, o Ploom Tech em países como Japão, Suíça, Estados Unidos e Canadá. Já o vaporizador Logic Pro é vendido na França, Itália, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Alemanha, Rússia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Áustria.

Produtos modificarão maneira de fumar no futuro próximo, diz Schneider

As inovações tecnológicas para viabilizar o consumo com menos consequências para a saúde visam atender as expectativas dos consumidores. No entanto, outro ponto a favor da liberação de cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido no Brasil é a necessidade de combate do mercado ilegal. “Devemos lembrar que sempre haverá pessoas querendo consumir produtos de tabaco e, se o mercado legal não os colocar à disposição, o ilegal, com certeza, o fará. Esses produtos certamente modificarão a maneira de fumar no futuro próximo”, destacou o presidente da Câmara Setorial do Tabaco, Romeu Schneider.

Segundo ele, será importante defender a contribuição dos produtos chamados de “aquecem, mas não queimam”. “Eles eliminam o problema do fumante passivo, pois substituem a fumaça pelo vapor que, automaticamente, será menos prejudicial à saúde.” De acordo com Romeu Schneider, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco tomará uma decisão sobre se mobilizar ou não durante uma reunião que acontecerá no final do mês. “Infelizmente, os novos produtos ainda não estão autorizados no Brasil. Nossa expectativa é de que ocorra a liberação, para que o consumidor possa ter acesso a eles, como de fato já está ocorrendo, porém, ilegalmente. Na análise, certamente, prevalecerá o bom senso por parte da Anvisa”, frisa.

Foto: Bruno PedryRomeu Schneider: opção menos prejudicial à saúde
Romeu Schneider: opção menos prejudicial à saúde