Cuidado 05/08/2019 22h50 Atualizado às 15h12

Agosto Dourado incentiva a amamentação empoderando mães e pais

Prática é indispensável para a saúde do bebê, mas ainda é baixo o índice de aleitamento exclusivo até os seis meses de vida

O Agosto Dourado simboliza a luta em defesa da amamentação. A cor está relacionada ao “padrão ouro” de qualidade do leite materno. “É uma cor toda especial, que já percorre o mundo com o seu laço simbólico. Nestes 30 dias são celebrados a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento”, explica a enfermeira Ingre Paz, professora do curso de Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

Há cerca de 20 anos acontecem ações mundiais que defendem a amamentação, com a promoção de atividades que buscam incentivar essa prática até o sexto mês de vida dos bebês, estendendo-se até os 2 anos ou mais. A Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) faz parte dessa história, focada no desenvolvimento da criança. Atualmente é organizada em 120 países.

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Estatísticas mostram que exemplos como o da mamãe Gabriela Schwanke, que não abre mão de amamentar a pequena Stella, de 3 meses, e pretende manter esse hábito por um bom tempo ainda, não são maioria. Conforme a Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (Waba), embora as taxas globais de adesão ao período inicial do aleitamento materno sejam relativamente altas e apesar das recomendações internacionais, apenas 40% de todos os bebês com menos de seis meses são amamentados exclusivamente e só 45% continuam mamando até os 24 meses.

De acordo com a enfermeira Maitê Lima, sócia-proprietária da Maternagem Consultoria, ao lado de Ingre Paz, neste ano a temática escolhida para o Agosto Dourado é Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação hoje e para o futuro. “A amamentação exige um esforço de equipe. Ela requer informação com base em evidências e uma rede de apoio para criar um ambiente propício às mães. Embora seja de domínio da mãe, a prática do aleitamento tende a melhorar com o apoio próximo de companheiro, família, local de trabalho e omunidade”, salienta.

Foto: DivulgaçãoGabriela e a pequena Stella: bom exemplo

 

Abordagem inclusiva

Para a enfermeira Ingre Paz, a atuação da rede de apoio no sentido de apoiar a manutenção do aleitamento por um período mais prolongado inclui ações simples, como auxiliar a mãe nos cuidados básicos com o bebê, prover alimentação e hidratação adequada para a lactante e realizar as tarefas domésticas – tudo para que a mulher possa, além de direcionar sua energia para a amamentação e cuidados com o bebê, também não descuidar da própria saúde, repousar sempre que possível e fazer atividades que promovam lazer e bem-estar.

“Uma proteção social equânime de mães e pais, que inclua medidas como licenças remuneradas e apoio no local de trabalho, pode ajudar a criar um ambiente propício para o aleitamento materno, tendo em vista que o retorno da mãe ao mercado de trabalho é um momento crucial para a manutenção ou não da amamentação”, defende a profissional.

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“Mamaço” na Zona Sul

As atividades da Semana Mundial do Aleitamento Materno, que tiveram início no dia 1º, ocorrem até esta quarta-feira, 7, em Santa Cruz do Sul.  A organização é da Prefeitura, que desenvolve a programação nas unidades de saúde, envolvendo profissionais e usuários dos serviços. A culminância será nesta quarta, com a Hora do Mamaço na Zona Sul, a partir das 14 horas, na Academia de Saúde, ao lado da ESF Cristal Harmonia. A programação inclui orientações individuais e coletivas, sorteios de brindes e o momento mundialmente conhecido como “mamaço” – quando as mães se reúnem para amamentar e compartilham experiências.

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"“Me contaram que amamentar doía, mas eu realmente não calculava que era tanto. Eu via foto de mamilos rachados e machucados, mas eu não tinha noção o quanto isso ardia. Eu sabia toda a teoria sobre a amamentação, mas na prática não funcionou. E depois de três dias com a Stella, com o mamilo fissurado, chorando de dor ao amamentar, decidi que eu precisava de ajuda - e que eu não era menos mãe por admitir que não conseguia sozinha. Bem ao contrário, essa foi a melhor decisão que eu tomei como mãe. Chamei a @maternagemconsultoria pra me ajudar e a Ingri veio no outro dia me ver. Sentou comigo e me ensinou como amamentar. Depois de uma semana a amamentação, que era insuportável de dor, se tornou algo suportável. Em três semanas se tornou algo prazeroso. Meu agradecimento especial a essa super consultoria e minha recomendação a todas as mães que começarem a sofrer com a amamentação. O peito não precisa “calejar” para parar de doer, com a ajuda dos profissionais certos tudo se ajeita rapidinho!" Relato de Gabriela Schwanke, mamãe da pequena Stella, de 3 meses