Santa Cruz 23/08/2019 22h22 Atualizado às 18h21

Município já começa a sentir o clima de eleição

Faltando mais de um ano para a volta às urnas, partidos intensificam os movimentos para a corrida ao Palacinho

A 14 meses de os santa-cruzenses voltarem às urnas para eleger o próximo prefeito, as forças políticas começam a se movimentar de forma mais intensa. Com algumas pré-candidaturas já postas, e ainda muitas incertezas no ar, os próximos meses devem ser de muito troca-troca entre partidos e de conversas em torno de possíveis alianças.

O clima eleitoral foi antecipado no município por conta do cataclismo político ocorrido no primeiro semestre e que levou ao divórcio do prefeito Telmo Kirst com o PP e à sua filiação, no início deste mês, ao PSD. Isso desencadeou uma migração de quadros de siglas tradicionais para legendas menores e consolidou a tendência de uma nova via na corrida pelo Palacinho, para além da tradicional polarização entre PP e PTB e de outras frentes que já se organizavam para entrar na disputa.

A principal dúvida hoje é justamente quem será o candidato que Telmo lançará para tentar fazer a sucessão. O prefeito tem hoje quatro partidos em sua órbita que já lhe asseguraram apoio para o ano que vem – além do PSD, o DEM, o PSL e o PRB. Outras legendas que também integram a base governista – como PSDB, SD e PPS – ainda não formalizaram uma posição, mas é possível que estejam com Telmo.

Questionado nessa sexta-feira sobre o cenário eleitoral, Telmo disse ser “provável” que apresentará um candidato, mas alegou que o momento “não é de discutir nomes”. “Eleição de 2020 será discutida em 2020”, falou. Na prática, porém, vários nomes são estudados, tanto de dentro do grupo que apoia Telmo – como alguns dos secretários municipais – quanto de pessoas sem filiação. Nas últimas semanas, líderes da sociedade civil foram sondados por pessoas ligadas ao Palacinho.

Enquanto Telmo se movimenta de forma agressiva em busca de nomes e apoios, nas demais frentes as tratativas também avançam, mas de forma mais lenta. PP, MDB e PDT – partidos que romperam com o prefeito – têm nomes para a majoritária, mas ensaiam uma aliança. O PSB, que quer lançar novamente Fabiano Dupont, também participa das negociações. Já o PTB, principal sigla de oposição, caminha para confirmar a candidatura do empresário e vereador Mathias Bertram. Outras legendas, como Novo, PL e PSTU, também se preparam para estar na disputa.

Além das chapas para a Prefeitura, os partidos estão à caça de nomes para vitaminar suas nominatas para a Câmara. Em março, o Legislativo deve sofrer uma revoada histórica: pelo menos um terço dos vereadores pode trocar de partido.

Câmara de Vereadores pode ser a mais fragmentada da história

Pelas projeções internas dos partidos, a Câmara de Vereadores que será eleita em 2020 deve ser uma das mais fragmentadas da história. Atualmente, sete partidos têm representação no Legislativo, mas a expectativa é de que o número aumente, sobretudo em função das novas regras da lei eleitoral em relação às sobras – ou seja, às vagas de vereador que não são preenchidas pelo cálculo do quociente eleitoral.

Pela regra atual, apenas os partidos que conquistaram vagas com o quociente disputam as sobras. Com a mudança, todos os partidos vão poder disputar. Isso significa que um candidato com votação individual expressiva poderá conquistar uma cadeira mesmo se concorrer por um partido de pequeno porte.

Com a migração de quadros de grandes partidos – como PTB e PP – para siglas pequenas, a tendência é de que poucas legendas consigam eleger vereadores pelo quociente e boa parte das vagas sejam distribuídas por meio das sobras. Isso ainda vai depender, no entanto, das movimentações entre os partidos nos próximos meses.

O CENÁRIO HOJE

Foto: Divulgação

 

“PP tem uma tradição inabalável”
O rompimento com Telmo Kirst custou ao PP não apenas o seu principal líder, mas um capital eleitoral de mais de 5 mil votos, com os líderes que migraram para outras siglas na carona do prefeito. Mesmo assim, o presidente Henrique Hermany se diz confiante em relação ao desempenho dos progressistas no ano que vem. “Perdemos quadros importantes, mas não existe vazio. O PP é muito forte e tem uma tradição inabalável”, disse. Henrique é o mais cotado para a eleição majoritária, mas outros nomes não são descartados, inclusive o da vice-prefeita Helena Hermany. “Ela é o nome mais forte. Só não concorre se não quiser”, disse Henrique.


Estou à disposição do partido”

Foto: Divulgação

Com a família Moraes praticamente fora do páreo, o nome do líder da oposição na Câmara, Mathias Bertram, cresce para concorrer a prefeito. “Estou à disposição do partido”, disse nessa sexta-feira. O PTB enfrenta uma nova sangria com a perda de integrantes – tudo indica que, até março, a bancada de vereadores será reduzida pela metade. A sigla, porém, confia no peso de sua história, na inserção junto aos bairros e no fato de ser a única frente realmente identificada como oposição a Telmo. Ainda conforme Mathias, diferente do que ocorreu em 2016, dessa vez o partido terá que buscar alianças e a prioridade são legendas que estão fora do governo. Sobre a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa,  Mathias alegou que é preciso estar “disposto ao diálogo”.
 

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“Trabalhar em cima de pesquisas”

Após ensaiar em 2016 uma candidatura própria que acabou abortada, o MDB está focado no projeto de lançar Alex Knak ao Palacinho, apostando no bom momento político vivido pelo vereador, que foi o mais votado à Câmara na última eleição e é hoje considerado um nome forte. Nessa sexta-feira, Knak disse confiar em um alinhamento com partidos como PP, PDT e PSB e se disse contra a possibilidade de um voo solo do MDB. “Sou contra a chapa pura e achamos que temos tudo para conseguir formar uma coligação”, disse. Questionado se os emedebistas abririam mão de encabeçar uma chapa, Knak disse que estaria disposto tanto a ser prefeito como vice. “Mas temos que trabalhar em cima de pesquisas, de números”,  ponderou.
 

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“Precisamos de uma coligação”

Sem disputar uma eleição majoritária desde 2004, o PDT está disposto a bancar uma chapa com o vereador Bruno Faller à frente no ano que vem. A candidatura atenderia a uma estratégia nacional de concorrer em cidades com sinal de transmissão em TV para dar visibilidade à legenda. Faller, porém, reconheceu a necessidade de alianças. “Precisamos de uma coligação até por uma questão pragmática, de obtermos um tempo de televisão que nos permita colocar as nossas propostas”, alegou. Faller também admitiu as conversas com partidos como PP, MDB e PSB, mas alegou que a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa precisaria “ser avaliada”. “A disposição é ter a cabeça. E se for necessário, podemos concorrer sozinhos.”
 

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“Não descartamos a chapa pura”

Depois de ficar em terceiro lugar em 2016, o PSB trata como líquida e certa a candidatura de Fabiano Dupont no ano que vem, a ponto de já ter até empresa fechada para a produção dos programas eleitorais. Para Dupont, o cenário agora é mais promissor do que na última eleição. “Em 2016 sabíamos que era uma eleição definida, era Grêmio ou Inter. Agora é diferente, temos um nome mais conhecido e nenhum adversário tem o know-how que tinham Telmo e Sérgio”, alegou. Dupont diz que o partido tem interesse em alianças, mas disse considerar “muito difícil” abrir mão de liderar a chapa. “Estamos conversando com várias frentes e já temos dois partidos praticamente encaminhados que estarão conosco, mas não descartamos a chapa pura”, falou.

Outras frentes

  • Novo: Será a primeira eleição municipal com a participação do partido, que em 2018 lançou nomes locais a deputado estadual e federal. A intenção é ter candidato próprio a prefeito, mas isso depende da aprovação de um processo seletivo interno, previsto no regramento da legenda. O indicado para participar do processo é o médico pneumologista Carlos Eurico Pereira.
  • PSDB: O partido ocupa atualmente a liderança de governo na Câmara, com Gerson Trevisan, e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Segundo o presidente da legenda, César Cechinato, a intenção é participar da disputa pela Prefeitura. “Desde 1993, o partido foi protagonista e tem a pretensão de participar da majoritária. De preferência com seus aliados históricos – incluso, claro, o PSD”, disse, em referência ao partido do prefeito.
  • PT: Buscando recuperar-se dos atritos internos que marcaram os últimos anos, o partido aguarda o processo eleitoral interno, que ocorrerá no início de setembro, para começar a discutir o seu rumo em 2020. Uma candidatura própria, a exemplo de 2016, não é descartada. “Acredito que temos a capacidade de construir um projeto popular e participativo, mas por respeito à democracia interna, faremos o debate antes”, disse Frederico de Barros Silva, que deve assumir a presidência após a eleição do diretório.
  • PL: O partido está decidido a lançar candidato próprio a prefeito no ano que vem. Segundo o presidente Raul Henn, trata-se de uma estratégia nacional da legenda para ocupar os espaços de propaganda em rádio e TV. O nome, porém, só será definido “aos 48 minutos do segundo tempo”, conforme o dirigente. Embora Henn não confirme, uma possibilidade seria o vereador Elstor Desbessell, que hoje está no PTB, mas tem tratativas em andamento para migrar para a sigla em março.
  • PSTU: O partido, que participou das três últimas eleições majoritárias em Santa Cruz, deve ter novamente candidato em 2020. Principal líder da legenda, o sindicalista Afonso Schwengber, que concorreu em 2008 e 2016, afirma que, por enquanto, não há definição de nomes. “Não tenho vontade de concorrer, até porque eleições não são nossa prioridade. Mas a questão ainda está aberta”, disse.